Depois do empate no sufoco da Juventus em Cagliari e de uma rápida olhada na performance do time de Fabio Capello nas últimas semanas, todo mundo se entreolhou. Será, que depois de um campeonato que parecia mais do que definido, ainda haveria chances para uma reta final com empolgação? A resposta é: o título ainda está nas mãos da Juventus, mas ela não pode mais dormir tranqüila.

Cinco pontos de vantagem com quatro rodadas para o final são suficientes para um time grande assegurar sua posição. E ‘grande’ aqui não deve ser interpretado como uma referencia à tradição, mas sim, á capacidade de decidir sob pressão, coisa que o time de Turim sabe fazer muito bem.

A Juve pega Siena e Reggina fora de casa e recebe Lazio e Palermo. Precisa vencer dois e empatar dois, ou vencer três. Fosse em outro campeonato, a Juve estaria garantida. Mas na Itália isso é dureza. Ainda mais se levando em conta que o Siena precisa desesperadamente da vitória para afastar o rebaixamento, a Reggina pode chegar à última rodada na mesma situação e o Palermo passa por um excelente momento.

Internamente, as razões são ainda mais preocupantes. O time de Capello não vence há um mês (contra o Livorno, em 18/3). E não se pode culpar a sorte. O time tem jogado mal mesmo, em visível decadência física (o preço a se pagar pelo início devastador da temporada), especialmente as de Emerson e Vieira, onde o time se apóia. Some-se a isso um Ibrahimovic irreconhecível e um descontrole emocional atípicos na Juventus.

A favor da atual campeã, está o fato do Milan, único concorrente, ter ao menos mais dois jogos dificílimos contra o Barcelona, por uma competição que ainda recebe o foco de sua atenção. O calendário se equivale, porque se ainda tem a Roma, viaja a Messina e a Parma e recebe o Livorno.

Mas o que mais assusta a Juve não são as análises factuais e sim a história recente. Carlo Ancelotti perdeu um título para a Lazio numa condição similar à da Juve hoje (cinco pontos a quatro jogos do fim). E outras viradas também aconteceram nos últimos anos, resultado de temporadas muito extenuantes e que deixam a reta final menos segura para quem lidera.

Prognóstico? A próxima rodada é decisiva. Se depois do jogo contra o Barcelona o Milan diminuir a diferença para dois pontos a três rodadas do fim, a bola passa para a mão do Milan. Fabio Capello é um mestre em administrar vantagens. Vai ter de colocar seu talento à prova.

Azzurra: ‘vestibular’ para 28

Para encerrar a tensão dos atletas antes da Copa, Marcello Lippi conseguiu que a federação italiana marcasse uma espécie de estágio vestibular para selecionar os jogadores que vão à Alemanha. No dia 2 de maio, um grupo de 26 ou 28 jogadores se concentra para dois dias de treinos com Lippi. E é daí que saem os 23 escolhidos que viajam.

Já está certo que Lippi não chamará os machucados (Totti e Vieri) e nem os interistas e romanistas envolvidos na final da Copa Itália (provavelmente Materazzi, De Rossi e Perrotta). A lista final só sai no dia 15 de maio, mas é certo que Lippi fecha o grupo no dia 4 de maio, deixando o anúncio final para o dia 15 somente para o caso de alguma contusão mudar seus planos. E o grupo está quase fechado.

Supõe-se que entre 15 a 17 jogadores já estejam certos na lista final do treinador. Os goleiros Buffon e Peruzzi, os defensores Zambrotta, Nesta, Cannavaro, Grosso, Barzagli e Materazzi; os meio-campistas Camoranesi, Pirlo, Gattuso, Diana, De Rossi, Perrotta e os atacantes Toni, Gilardino, Del Piero e Totti – este último conforme sua recuperação.

Lippi precisa decidir quem será o seu terceiro goleiro. Amelia (Livorno) e De Sanctis (Udinese) são os mais cotados, com o juventino-milanista Abbiati como zebra. Outro zagueiro também terá vaga. Pasqual (Fiorentina), Bonera (Parma) e Chiellini (Juventus) têm chances iguais.

No meio-campo e no ataque, mais três postos, onde Marchionni (Parma), Semioli (Chievo) e Esposito (Cagliari) têm chances no meio e Inzaghi (Milan), Lucarelli (Livorno) e Tavano (Empoli) disputam um posto na frente.

Entre as muitas especulações, algumas coisas são muito prováveis. Uma delas é a chamada de Inzaghi, jamais convocado por Lippi porque esteve machucado, mas atravessa uma fase impressionante e tem características diferentes dos outros atacantes. Outra é a inclusão de Marchionni, que cria uma possibilidade que Lippi não tem – a de abrir o jogo pela direita se perder Camoranesi.

Inter: o objetivo é Lucarelli, do Livorno (sério!).

A justificativa deveria ser o estilo de jogo do atacante toscano, mas parece que a Inter quer mais atletas italianos.

Naturalmente o leitor deve imaginar que o crescimento dos boatos de “Ronaldinho no Milan” e afins aumentou muito com a partida estelar entre Milan e Barcelona.

Possibilidade da transferência hoje: zero.

A menos que Silvio Berlusconi queira afogar as mágoas de sua derrota eleitoral queimando €150 milhões, o que não parece provável.

Mapa de contratações mais realista para o Milan da próxima temporada: um goleiro, dois defensores e um atacante.

Simic também deve deixar o clube.

Esta é a seleção Trivela da 34ª rodada

Chimenti (Cagliari); Mancini (Roma), Buscé (Empoli), Fabio Cannavaro (Juventus), Kaladze (Milan); Pandev (Lazio), Brocchi (Fiorentina), Barone (Palermo), Bresciano (Parma); Tavano (Empoli) e Suazo (Cagliari).