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IbrahimovInter

Dificilmente um jogador é bom o suficiente para decidir um jogo sozinho. Quando usamos a expressão “fulano acabou com o jogo”, em grande parte das vezes estamos exagerando, na tentativa de fazer um elogio à performance de um determinado atleta. Mas neste domingo, não foi este o caso.

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Metralharam a Cinderela

A semana passada doeu em várias torcidas. Muito se falou do massacre do Zenit sobre o Bayern de Munique na Copa Uefa e da sofrida eliminação do Liverpool na LC. Mas ninguém – ninguém mesmo – teve uma semana tão infernal quanto a Fiorentina, a equipe mais simpática e promissora da Itália na temporada.

A simpatia da Fiorentina é fácil de explicar: é difícil não gostar de Florença e sua rebeldia organizada e sua cultura tão enraizada. O Artemio Franchi é um estádio com uma atmosfera sensacional, uma torcida apaixonada (ainda que às vezes imbecil na sua violência) e uma independência histórica do eixo Roma-Milão-Turim. E promissora porque nos últimos anos tem contratado os melhores jovens da Itália, como Pazzini, Montolivo, Potenza, Cacia.

Só que em uma semana, o mundo fiorentino ruiu. Antes do jogo com a Sampdoria, a Fiorentina tinha quatro pontos de vantagem sobre o Milan no campeonato, com quatro rodadas para seu final (com uma conseqüente vaga na Liga dos Campeões) e uma semifinal da Copa Uefa para decidir em casa (sem desvantagem para reverter).

Um empate no último minuto, uma derrota nos pênaltis e uma derrota merecida para o Cagliari simplesmente devastaram aquela que, na próxima temporada, poderia ser a Cinderela do futebol europeu, candidatando-se a fixar-se na LC a médio prazo. Com um grupo jovem, as pauladas derrubaram o time e agora é difícil dizer quando – e se – ele vai se recuperar.

O gol marcado por Gastaldello no empate da Fiore com a Samp afetou o grupo, sim, mas foi a desclassificação na Uefa que fez tudo ruir. A Fiorentina se dava como certa na final de Manchester. Ia pegar o Rangers e bastava ganhar de 1 a 0. Aí estava o problema.

O ataque fiorentino, até pela sua juventude (Vieri à parte), é estéril quando a coisa aperta. Pazzini, Vieri, Cacia, Di Carmine, Lepiller, Osvaldo, Papa Waigo, Santana e mesmo Mutu foram incapazes de decidir. E nos pênaltis, tudo foi para o saco. Inclusive Vieri, que ao desperdiçar sua cobrança, sofreu uma distensão muscular e está fora da temporada – e da Fiorentina (que não renovará seu contrato).

O golpe foi forte. Muito forte. Depois do jogo, o zagueiro Ujfalusi praticamente confirmou que está acertado com o Atlético Madrid, o técnico Prandelli admitiu que seu time é jovem demais e rumores de discussões entre os jogadores vazaram na imprensa. No domingo, a pá de cal veio na Sardenha. O Cagliari dominou amplamente o jogo e merecia até um placar mais elástico do que o 2 a 1. Para piorar, Mutu se destemperou e falou o diabo para o árbitro Farina, que o expulsou.

O que mais pesa contra o time toscano é o retrospecto de médio prazo. São 10 derrotas nos últimos 24 jogos. Agora, o Milan depende só de si para ficar com a quarta vaga na LC e a Fiorentina não tem nem Vieri nem Mutu e o jogo contra o Parma é vitam para manter as chances de sonho da LC, a única coisa que faria a temporada não soar como um fracasso.

Para a preocupação da torcida, o grande problema é o momento da crise. A quatro rodadas do fim da temporada, o time poderia se sagrar campeão da Uefa e ter uma vaga na Liga dos Campeões. Agora pode não ter nada e ainda perder jogadores importantes (além de Ujfalusi, o goleiro Frey também deve sair), além de questionar talentos como Pazzini (que o clube gostaria de trocar por Borriello, do Genoa), Montolivo, Kuzmanovic e outros. Quanto isso pode comprometer o projeto de Prandelli? Isso não tem como dizer agora.

O Parma tem seu Capitão Nascimento

Na semana passada, quando o Parma perdeu na Calábria para a Reggina, concorrente direta contra o rebaixamento, um clima de funeral se abateu sobre o elenco. Foi a segunda derrota seguida em um jogo no qual o Parma estava vencendo e tomou a virada depois de uma expulsão (Mariga contra o Napoli e Paci contra a Reggina). O meia Morrone chegou até a deixar o campo xingando o técnico Hector Cúper por ter substituído Cristiano Lucarelli.

Mas antes que a balbúrdia reinasse em Collechio, o CT do Parma, o presidente do clube, Tommaso Ghirardi, tomou as rédeas e assumiu seu lado Capitão Nascimento. Depois de uma bronca violentíssima no time, ainda na Calábria, Ghirardi ganhou pontos com a torcida ao adotar uma disciplina draconiana no clube.

“É mentira que eu vá deixar o clube [n. Do e.: Ghirardi comprou o Parma há dois anos]. Também não é verdade que eu esteja aborrecido com Cúper”, disse Ghirardi. “Saímos da Calábria no máximo da humilhação e me sinto envergonhado como torcedor”, disse o dirigente.

Depois de poupar o técnico e a torcida, Ghirardi não poupou munição. “Também tenho orgulho e sofrer os insultos e cuspidas que eu sofri não é fácil. Mas que todos saibam: não deixarei de dar meu apoio moral nem financeiro, mesmo caso acontecesse uma desgraça esportiva que rebaixasse o Parma”, afirmou à agência italiana Ansa.

“Mas não é justo que eu pague a conta sozinho: os responsáveis por esse possível rebaixamento – os jogadores – sofrerão as eventuais penas do inferno junto comigo e com o Parma e terão de comer o pão que o Diabo amassou e coisas muito piores. E garanto: todo o elenco ficará em caso de rebaixamento, até que o Parma seja recolocado na sua posição devida”, disse o empresário.

Ghirardi assumiu a responsabilidade por parte dos erros, dizendo que errou em apostar nos jovens e em um técnico fora do “circuito” (Domenico Di Carlo). “Mas é que eu queria fugir dos nomes de sempre e fazer crescer jovens identificados com o clube”, afirmou. No domingo, o preço do ingresso em Parma foi reduzido em 75% e o estádio estava lotado, ajudando o time a superar um difícil Genoa. Contra Fiorentina e Inter, o Parma terá de comer a grama como fez no domingo. Caso contrário, segundo garante Ghirardi, passará toda a próxima temporada com coisas piores do que capim no prato.

Os duelos dos desesperados

Todos os focos estarão voltados para San Siro no próximo fim de semana. É ali que debe acontecer a partida que definirá o campeão italiano. A Internazionale enfrentará um Siena que já se salvou do rebaixamento matematicamente precisando de uma vitória simples para assegurar-se o título.

Contudo, Livorno e Reggio Calábria hospedarão jogos que significarão muito mais para os times envolvidos. Na Toscana, o time ‘amaranto’ pega o Torino, enquanto na Calábria, a Reggina receberá o Empoli. Em disputa nas duas partidas, seis pontos envolvendo quatro ameaçados diretos pelo rebaixamento. Nas duas partidas, quem perder, cai. Ou quase.

Com 30 pontos, o Livorno está praticamente rebaixado, já que o Catania – primeiro time hoje fora da zona de rebaixamento – tem cinco pontos a mais. A única coisa que pode soar como positiva de alguma forma é o fato dos dois últimos adversários serem rivais diretos na luta contra a queda: Torino e Empoli. A última vitória do Livorno na Série A ocorreu no começo de março, há dez rodadas (1 a 0 no Catania).

O Torino, adversário ‘livornese’ na próxima rodada, tem quatro pontos a mais do que o primeiro da zona de rebaixamento, mas antes do sucesso contra o Napoli, tinha sofrido quatro derrotas seguidas (a última vitória também tinha sido sobre o Catania). Jogando numa retranca quase sórdida, é pouco provável que o ‘Toro’ dê ao Livorno alguma sobrevida depois do próximo jogo.

No Oreste Granillo, a Reggina pode definir a sua premanência na Série A e fechar o caixão do Empoli. A ressurreição da Reggina se debe basicamente aos dois ‘trequartistas’ do time, Cozza e Brienza, que deram um novo ânimo ao time. No Empoli, nem o bom jogo de Giovinco sugere uma salvação.

Outros dois jogos são fundamentais para a decisão das vagas: além da já citada Fiorentina x Parma, em Florença, também a viagem do Catania a Turim para pegar a Juventus é vital. Se Parma e Catania não vencerem, dificilmente escapam na última rodada. Pelas circunstâncias e calendário, Livorno, Catania e Empoli parecem, hoje, os mais ameaçados.

Curtas

– Na semana passada, a Gazzetta Dello Sport se referiu a Filippo Inzaghi como “descontrolado” ao fazer gols sem parar “para levar o Milan sozinho à Liga dos Campeões”.

– Com o gol contra a Inter, já são nove em cinco jogos.

– A boa fase é tamanha que o Milan até começou a declarar que não está mais interessado em Ronaldinho Gaúcho.

– Claro que ainda está, mas com um Inzaghi assim, o Barcelona terá de pedir menos do que os €35 milhões desejados.

– Nesta segunda-feira, o francês Mathieu Flamini já fez testes em Milão e já é jogador do clube de Kaká.

– Na antepenúltima rodada do Italiano, nenhum empate: seis vitórias dos mandantes e quatro dos visitantes.

– Seleção Trivela da 36a rodada:

– Doni (Roma); Motta (Torino), Nesta (Milan), Padoin (Atalanta); Adriano Ferreira Pinto (Atalanta), Cossu (Cagliari), Ambrosini (Milan), Sammarco (Sampdoria), Kaká (Milan); Inzaghi (Milan), Amauri (Palermo).

Ronaldinho Gaúcho: destino Milão

Tudo bem: é verdade que o internauta não agüenta mais ouvir falar de uma possível saída de Ronaldinho Gaúcho do Barcelona. A novela era a mesma quando Shevchenko estava no Milan, Ronaldo na Inter ou qualquer outro grande jogador. Parte da imprensa não sobrevive sem rumores – que em 100% dos casos são fomentados pelos agentes dos mesmos e dirigentes, de olho em transferências, comissões e afins. O caso de Ronaldinho não é diferente. A posição ambígua de seu empresário e irmão Roberto Assis sempre foi pensada, porque ele sabe que não se fecha esse tipo de porta no futebol.

Desta vez, parece mesmo sério: Ronaldinho Gaúcho não deve voltar a jogar pelo Barcelona. Seja a lesão diagnosticada pela equipe médica do clube verdadeira ou não, o que parece certo é que o clube catalão já dá sua saída como certa a ponto de autorizar os dirigentes do Milan a negociar com Assis (foram vistos num restaurante em Milão na semana passada).

Na verdade, a negociação vai além do encontro entre empresário e diretores. O acordo entre Milan e Barcelona teria sido acertado na temporada passada, quando o brasileiro vinha de uma temporada irregular no Camp Nou. O ponto é que a diretoria ‘blaugrana’ ainda sabia que enfrentaria muita resistência por parte da torcida. A falta de vontade de Ronaldinho nesta temporada faria mais sentido, caso fosse verdade que ele já sabia que iria para a Itália no verão europeu de 2008.

A decisão da cúpula catalã ainda dependia de mais um fator: a afirmação de Messi como um possível substituto para a importância de Ronaldo no elenco do clube. Nesse sentido, as coisas foram tão bem que até um substituto para Messi apareceu no processo. O sérvio-espanhol Bojan já veste a camisa de “próximo craque do Barcelona”, ainda que falar em sucessão para um jogador de 20 anos seja bastante ridículo.

O sonho de Silvio Berlusconi era o de ir à reapresentação do Milan para a pré-temporada em julho passado de braços dados com os dois Ronaldos e Kaká e apresentá-los como o “trio dos sonhos” do Milan. O presidente do clube sabia do peso mediático que um evento do gênero teria e que isso não faria mal à suas atividades políticas.

Com Ronaldo lesionado, o sonho de Berlusconi, além de adiado em um ano sofreu uma alteração. A entrada planejada pra julho passado deve ocorrer neste ano, mas ao invés de Ronaldo, deve contar com Pato e Shevchenko – que muito provavelmente retornará a Milanello depois de uma desastrosa experiência no futebol inglês.

“Então Ronaldinho está assinado com o Milan?”. Bem, não há nenhum jornalista na redação da Trivela que tenha conversado com Silvio Berlusconi na última semana e tido tal confirmação. Mas não é imprudente afirmar que ele vai para Milão. A Internazionale tenta atravessar a negociação milanista e corre por fora, assim como o Chelsea.

Quanto o Milan pagará por Ronaldinho? Difícil dizer. Sua cláusula rescisória é impagável (€150 milhões) mas uma regra da Fifa autorizaria o jogador a conseguir sua liberação por €17 milhões. Como as relações entre os dois clubes são amistosas, o provável é que um acordo fosse encontrado pouco acima do valor mínimo. O Milan não deve arriscar o azedamento das relações com os catalães porque Zambrotta deve fazer o mesmo roteiro de Ronaldinho.

Scudetto: Roma não é a Juve

O título italiano segue aberto, sim. Mas nas duas últimas semanas, a Roma deixou claras as suas limitações tanto técnicas como de personalidade. A vitória romanista no sábado, sobre o Genoa, não foi justa e só aconteceu graças a um pênalti tolo de Borriello sobre Taddei.

Na semana passada, quando a Inter empatou o jogo com o Empoli, a Roma tinha perdido pontos diante do Cagliari. É verdade que os sardos estão em recuperação, mas um time que quer ser campeão precisa obrigatoriamente vencer um adversário do gênero.

O preço pago pela Roma ainda é o de um elenco em maturação. Sem Totti (lesionado), o time sentiu o baque da lição imposta pelo Manchester United na LC. No final de semana, o time de Luciano Spaletti fez um primeiro tempo excelente, mas morreu no segundo tempo. Sem Totti e poupando Aquilani para o jogo de Manchester, a Roma teve de colocar quase todos os titulares em campo. O esforço cobrará seu preço em Old Trafford.

A sorte interista está exatamente aí: no momento em que o elenco ‘nerazzurro’ caiu de produção (o que é compreensível), seus perseguidores não são nem Juventus nem Milan. Fosse um time do mesmo porte, o ‘scudetto’ da Inter estaria muito mais ameaçado. Para a Roma, agora é necessária uma façanha, daquelas que mudam um time de “status”. Se a Roma quer sua entrada no “Trio de Ferro”, tem de mostrar suas cartas agora.

Série B: Chievo recorde

Na próxima temporada, a Série A deverá receber dois clubes que agregarão bastante. Chievo e Bologna venceram seus jogos e estão nas duas primeiras colocações da Série B e com campanhas irretocáveis. No final de semana, mais duas apresentações de gala.

O Chievo, líder do torneio, foi a Messina, saiu na frente, tomou a virada mas acabou vencendo e quebrando recorde (leia nas curtas). Jogando com três atacantes, o clube vêneto manteve a tradição recente de um futebol ofensivo (melhor ataque da Série B, com 62 gols) com um elenco que é quase o mesmo que estava na Série A, pagando a aposta num projeto de promoção imediata.

O Bologna não fica atrás. Nesta semana, recebeu o Modena no dérbi emiliano e não tomou conhecimento do time do Alberto Braglia. Com a segunda melhor retaguarda do torneio (23 gols sofridos, pior só que a do Lecce, com 22), o elenco de Roberto Colombo é devastador. Com alguns ajustes, pode subir à primeira divisão com tranqüilidade.

Para a decisão do playoff da terceira vaga, é praticamente certo que Albinoleffe, Lecce, Brescia e Pisa (o Pisa, sexto colocado, está 11 pontos à frente do sétimo, o Rimini). Na rodada, nenhum dos quatro prováveis participantes do playoff perdeu: Lecce e Albinoleffe venceram e Pisa e Brescia empataram.

– Segundo a imprensa italiana, o megainvestidor George Soros estaria interessado em comprar a Roma.

– Campeonato “Primavera” (o “aspirantes” da Itália): Sampdoria, Udinese e Ascoli lideram os grupos A, B e C, respectivamente; Juventus, Inter e Catania são os vice-líderes.

– Com a 11a vitória consecutiva, o Chievo bateu o recorde de sucessos consecutivos da segunda divisão italiana.

– Esta é a seleção Trivela da 32a rodada:

– Fontana (Palermo); Bonera (Milan), Paci (Parma), Vargas (Catania) e Dossena (Udinese); Vieira (Inter), Sissoko (Juventus), Montolivo (Fiorentina); Del Piero (Juventus), Inzaghi (Milan) e Amauri (Palermo)

Ronaldo, herói trágico

Uma lesão no tendão patelar do joelho não é simples nem comum. Esse tendão é extremamente forte e responsável por manter o corpo em pé. Com a lesão, o paciente não consegue manter a perna esticada. Ronaldo, um dos maiores jogadores da história recente, é um caso único de jogador “world class” que sofreu essa lesão nos dois joelhos. Justamente por isso, o que mais se ouviu na imprensa na última semana foi um veredicto de como a carreira de Ronaldo acabou.

Mas notemos o curioso: não foram ortopedistas renomados que deram esse parecer. Para ser preciso, alguns deles, ávidos por exposição na mídia até se prestaram a ir a emissoras de TV e rádio, rasgando o código de ética, avaliando um paciente sem examiná-lo. Mas quem se esbaldou mesmo foram “jornalistas”, assim mesmo, entre aspas, que quando muito, não conseguem escrever sem erros de português. Imagine então qual é a competência deles ao delimitar as chances de Ronaldo retomar a sua carreira de jogador.

Sim, Ronaldo sofreu uma lesão extremamente séria e a sua continuidade no esporte está em risco. Entretanto, o único profissional que podia positivamente avalia-lo, o ortopedista francês Gerard Saillant, não deu nenhum parecer catastrófico, limitando-se a admitir que a recuperação de Ronaldo será bastante difícil.

A contusão que o atacante milanista sofreu mostrou a posição ambígua da mídia e imprensa em relação a ele. Ronaldo foi o mais decantado craque brasileiro na vitória do Brasil na Copa de 2002 – e o mais achincalhado na eliminação brasileira em 2006. Agora, sente-se nitidamente quase que uma torcida de alguns pela sua nao-recuperação, até para que os que disseram que Ronaldo estava acabado em 2000 vejam agora sua profecia dar certo. Claro, embora ninguém admita.

O que se pode atestar na prática sobre o jogador é que ele vai ter de mostrar a sua fibra se quiser voltar a jogar. Tendo conquistado tudo – ou quase tudo – Ronaldo é um milionário famoso e não precisa de mais um centavo do futebol para continuar rico pelo resto da vida. Essa eventual falta de estímulo é muito mais difícil de superar do que a lesão no joelho.

Ronaldo voltará a ser o jogador que já foi? Impossível dizer. Segundo Saillant, a recuperação é totalmente possível. Ele tem 31 anos e não mais os 24 que tinha em 2000. Mas como bem lembrou o médico, nestes oito anos, as técnicas cirúrgicas também avançaram muito. Para não incorrer no erro dos palpiteiros de plantão, uma avaliação serena é a seguinte: as chances de Ronaldo voltar a jogar estão ligadas à sua vontade de tentar vencer uma Copa dos Campeões ou uma Libertadores. Sim, porque Ronaldo só volta a jogar se estiver disposto a voltar a treinar com um afinco sobre-humano. Nesse caso, ele tem chances – conforme o parecer de Saillant, único profissional capaz de dar uma opinião. Se ele terá ou não essa vontade, só ele poderá dizer. Ou melhor: mostrar, porque quando ele dizia isso em 2000, ninguém acreditava. Não há razões para que os pessimistas passem a acreditar agora.

Sem Ronaldo e…sem goleiro!

A queda de Ronaldo parece ter desenhado muito claramente o modo como o Milan deve se preparar para o restante da temporada. O setor ofensivo do time agora terá Inzaghi como principal jogador, seguido por Pato e Gilardino, com um improvável Paloschi correndo por fora. Dificilmente alguém poderia apostar nisso há seis meses, mas é isso o que está aí.

Também em relação à próxima temporada, a lesão de Ronaldo empurra o Milan rumo a mais chances para Gilardino – bastante desacreditado nesta temporada – e Pato, um craque ainda inconstante para ser definido como titular absoluto.

Na ótica 2008/09, Inzaghi não pode ser considerado como primeiro atacante, visto que encerrará a temporada que vem com 35 anos. Paloschi? O mais provável é que o Milan lhe encontre uma destinação que garanta um ano de titular ao invés da incerteza de todo um ano ‘rossonero’.

Só que na mesma semana, o Milan também se viu sem goleiro. Dida sentiu uma curiosa contusão na coluna e Kalac, que tem jogado muito bem nas últimas semanas, luxou um dedo exatamente na semana do jogo contra o Arsenal pela LC. A escassez no gol deve ter feito o clube voltar a pensar nas razões que puderam fazer crer que a posição estivesse coberta.

A mais belo dérbi da Itália

Juve x Torino, Roma x Lazio, Milan x Inter. Todos os dérbis na Itália são, como em qualquer lugar do mundo, partidas de um brilho diferente, que valem tudo mesmo quando não valem nada. Mas nenhum confronto ‘stracittadino’ é tão legal quando o de Gênova.

Neste domingo, Genoa e Sampdoria se encontraram mais um ‘Derby della Lanterna’ (nome dado por causa do farol portuário da cidade, conhecido como Torre Della Lanterna) e o jogo foi como sempre. Nervosíssimo, com as duas torcidas empurrando muito os times e dando à Série A uma atmosfera tipicamente britânica, cortesia da ‘cara’ do estádio Luigi Ferraris.

A Sampdoria pode estar tendo uma temporada irregular – assim como o Genoa – mas em casa, o time ‘blucerchiato’ é espetacular, não só em termos de resultado (em 11 jogos, foram sete vitórias e três empates), mas principalmente de jogo. A Samp usa muito a atmosfera de seu campo e eventualmente torna-se excelente.

Walter Mazzarri, o técnico da Sampdoria, teve um começo de campanha meio titubeante, mas sua mão já começa a se fazer clara. Sua Samp joga com um 3-5-2 peculiar, porque usa somente um zagueiro central (o ex-milanista Sala) na defesa.

Os externos defensivos Accardi e Campagnaro são laterais e não raro descem à linha de fundo. Mazzarri pode fazer isso por causa de um trio de volantes muito sólido – Delvecchio,Volpi e Palombo. Nesse trio é que está a fonte do jogo fluido da Samp, já que todos os três são muito hábeis.

E no domingo, o talento-problema Cassano foi um show à parte. Ele continua irascível e cabeça-dura, mas a sua jogada no gol sampdoriano foi digna de placa. Ele se livrou de uma marcação tripla e serviu Maggio na medida para arrematar. O goleiro Rubinho até fez boa defesa, mas o rebote caiu novamente em Maggio.

Mas a maior virtude desse dérbi foi fora de campo. Ainda que a rivalidade na Ligúria seja fortíssima, a casa lotada não teve nenhuma violência. Os genoanos perderam com honra e os dois times foram corretos. Eis um ótimo exemplo para Roma e Milão, que comumente causam vexames.

Série B

Dois times que tem muito a agregar à Série A dão sinais claros de que subirão da Série B na próxima temporada. Um corretíssimo Bologna, dirigido por Daniele Arrigoni e um vivaz Chievo já se destacaram dos outros concorrentes e deixam a briga pela última vaga nas mãos de Lecce, Albinoleffe e Pisa, alem do Brescia que está um pouquinho atrás.

– Depois da contusão de Ronaldo, a Nike teria sugerido aos seus patrocinados que comemorassem seus gols com o gesto que o brasileiro faz com as mãos depois de balançar as redes.

– Final de temporada para Nicola Pozzi, do Empoli. O jogador, que marcou sete vezes na Série A, rompeu os ligamentos do joelho direito e fica seis meses parado.

– Balotelli, atacante-sensação interista, agradeceu mas recusou a convocação de Gana. Quer esperar a chamada da Itália, já que terá o passaporte em agosto, quando completa 18 anos.

– O brasileiro Amauri está a venda. Para o presidente do Palermo, ele vale €25 milhões.

– O clube recusou proposta do Chelsea de €15 milhões em janeiro.

– A lega Calcio pretende fazer a Série A com jogos todos em horários diferentes na próxima temporada para favorecer a TV – e a chiedeira dos torcedores é grande.

– Esta é a seleção Trivela da 23a rodada:

– Sereni (Torino); Falcone (Parma), Nesta (Milan) e Modesto (Reggina); Kuzmanovic (Fiorentina), Jarolim (Siena) Giovinco (Empoli) e Mutu (Fiorentina); Cassano (Sampdoria), Suazo (Inter) e Del Piero (Juventus)

A camisa 9 é “Azzurra”

Tá, o artilheiro do Italiano é o Francês David Trezeguet, da Juventus, e o vice-artilheiro é o sueco Ibrahimovic, da Inter. Mas a atual temporada confirma uma tendência positiva que já era notada no ano passado. Na frente, no lugar de quem faz os gols, os italianos não estão precisando de estrangeiros. Longe disso.

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Papel de vítima

O primeiro tempo foi morninho; chato até. Para frustração dos mais de 60 mil espectadores presentes ao San Paolo, ninguém marcou. Mas com menos de 60 segundos da etapa final, Del Piero recebe de Palladino e coloca a Juventus na frente num dérbi que é sempre aguardado pela torcida napolitana e tudo parece mais ou menos como antes: Juventus faz três pontos visitando o Napoli.

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Voltando do inferno

No dia da final da última Copa do Mundo, quando David Trezeguet mandou a bola por cima da trave de Buffon – seu companheiro de Juventus – na disputa de pênaltis, provavelmente já deveria pressentir que a sorte não lhe sorria. A temporada seguinte começaria marcada para ele e seria dura. Muito dura.

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Freio de mão puxado

É para comemorar: depois de vários anos de encrencas ligadas à maracutaias mais variadas – que vão de doping a compra de árbitros – o Italiano desta temporada começou sem nenhum problema extra-campo e ainda de quebra teve ótimas partidas, estádios cheios e candidatos ao título mostrando as suas armas.

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