A última vez que Milan e Inter se enfrentaram pelo Campeonato Italiano e ninguém fez nenhum gol foi na temporada 1989/90, quando os interistas levantaram seu último ‘scudetto’. Toda a expectativa gerada nas últimas semanas para o derby (que teve 79.775 pagantes, para mais de € 1,5 milhões de bilheteria) acabou frustrada. Não foi uma partida horrorosa, mas esteve longe de ser o espetáculo que todos queriam.

O Milan foi mais concreto do que a Inter, e Kaká foi seu melhor jogador, forçando 4 cartões amarelos em seus marcadores. A ausência inesperada de Stam foi sentida no aspecto de que Gattuso teve de dar cobertura à marcação de Nesta sobre Adriano (marcação esta que beirou a perfeição). Seedorf e Crespo estiveram abaixo de seu potencial (mas vale lembrar que Crespo ainda está sem ritmo de jogo).

A Inter teve duas chances claras no início, desperdiçadas por Vieri, que também esteve marcado de perto por Maldini. Seu melhor jogador foi o veterano goleiro Fontana. Nenhum dos meio-campistas interistas esteve particularmente vivaz, e o capitão Javier Zanetti não passou de “esforçado” na defesa.

Sorrisos de todas as formas, só mesmo em Turim, entre os jogadores da Juventus, que abriram cinco pontos de Milan e Lecce (outro vice-líder), e nove da Inter. É notório que Fabio Capello gosta de programar seus campeonatos abrindo uma folga no início para depois administrar, e até aqui, tudo corre bem para os ‘bianconeri’. Mas cabe lembrar que o time de Del Piero (destaque do time contra o Siena) tem pela frente partidas dificílimas, contra Inter e Milan, além de Roma e Lazio, enquanto os atuais campeões só têm a Juventus e Roma como “grandes” a serem enfrentadas no primeiro turno.

O resumo da ópera é que só a Juventus ganhou neste final de semana perfeito, em que recuperou Del Piero (autor de dois gols e uma assistência), novamente não tomou gols, e aumentou a vantagem. Boa definição a de Silvio Berlusconi, premiê italiano, depois do derby: “nós e a Inter fomos roubados em dois pontos”, disse o milanista de quatro costados.

Os confrontos diretos restantes entre os três times passam a ser determinantes. Ancelotti tem de recuperar Stam de uma vez para poder montar o time ofensivo que tem em mente; Mancini deve ter descoberto que não pode depender de Adriano, sem pensa em título. Quanto a Capello, bem, à parte a contusão de Trezeguet, é difícil imaginar um cenário mais favorável para a sua Juventus.

Um técnico que merecia cair….

Caiu o primeiro técnico do Italiano. Emiliano Mondonico não comanda mais a Fiorentina, que agora pensa em Luigi Di Canio e Dino Zoff, além de dois outros “ex”: Alberto Malesani e Fatih Terim. Mas não seria uma surpresa se a Fiorentina fosse na direção de Alberto Zaccheroni ou Cesare Prandelli, certamente o nome predileto, mas também o mais difícil, em vista de uma duríssima situação familiar.

Esta coluna dificilmente vê positivamente a demissão de um treinador, mas “Mondo” não era um nome à altura do elenco que comandava. O erro da Fiorentina foi o de não ter trocado o técnico antes da temporada começar, mas sabe-se lá quantos outros interesses além do estritamente técnico que estão ligados a essas decisões.

Pode-se dizer que, no papel. Somente quatro ou cinco times são superiores ao time de Firenze. Com contratações como as de Jorgensen, Miccoli, Ujfalusi, Maresca, Nakata, Obodo, Guigou e Dainelli, a diretoria deu a Mondonico um grupo para mirar uma vaga na Copa UEFA, com uma certa folga. Mas até aqui o time viola não demonstrou nada além de tentar não cair.

Entre os treinadores citados como possibilidades, Zoff e Malesani não são apostas que animam. Certo, têm experiência, mas suas últimas passagens como treinadores mostraram profissionais burocráticos e sem criatividade para poder surpreender. Luigi Di Canio é capaz, mas ainda não conseguiu mostrar isso a longo prazo, indo bem quando é chamado para apagar incêndios e mal quando começa trabalhos do início.

Terim, Zaccheroni e Prandelli têm perfis totalmente diferentes. O turco Terim é o que têm a “cara” de Firenze. Explosivo, rebelde e passional, Terim teve uma curta mas excelente passagem pelo clube, sendo demitido por brigar com o presidente, que, à época, exigia a escalação do brasileiro Leandro (ex-Portuguesa, São Paulo, Palmeiras e Grêmio). Tanto pode fazer um time surpreendente quanto fracassar fragorosamente.

Zaccheroni, como Zoff, teve passagens obscuras, nas suas duas últimas aventuras, com Lazio e Inter. Mas tem um cartão de visitas interessante. Com a Udinese, em 1998, fez uma campanha excepcional, não indo à Liga dos Campeões por muito pouco. ‘Zac’ já disse mais de uma vez que prefere trabalhar em equipes menores, onde as pressões impostas são suportáveis, e é possível planejar algo para o futuro.

Cesare Prandelli é o mais promissor entre os candidatos, sob o aspecto técnico. Já provou que sabe lidar com elencos limitados, sabe fazer crescer jovens talentos, conhece muito de tática e não tem problemas de relacionamento. A questão é que Prandelli deixou a Roma (que praticamente não assumiu) para ficar ao lado da esposa doente. Não faria sentido aceitar uma proposta da Fiorentina, a menos que a saúde da esposa melhorasse.

Restam ainda…todas as outras opções. O argentino Hector Cúper é um nome de peso, mas ganha um salário nababesco da Inter (que o demitiu ano passado), e poderia ter problemas em Firenze, uma vez que não é adepto de um jogo extremamente vistoso. Enfim, antes da próxima segunda, é quase certo que esta coluna já possa comentar o destino que aguarda a Curva Fiesole.

Cassano x Roma: divórcio à vista

Quando jogadores talentosos e em ascendência começam a boquejar insatisfeitos, há duas alternativas: ou eles jogam na Juventus, ou são vendidos “forçadamente” pelo clube, com o comprador já em vista ou em acordo com o atleta. A exceção feita à Juventus é porque o clube de Turim parece ser o único no mundo que não se dobra a exigências de atletas ainda sob contrato.

O atacante Antonio Cassano não joga na Juventus, logo, enquadra-se no segundo tipo de jogadores. O curioso é que a Juve pode muito bem vir a ser o próximo clube do irascível atleta, caso a Roma não consiga mesmo renovar seu contrato (que vence em 2006), e tenha de vende-lo no fim desta temporada.

Indícios? Muitos. Cassano sempre foi encrenqueiro e semi-dcesequilibrado, num comportamente muito semelhante a Edmundo, quando ainda era um atleta de ponta. Briga por qualquer coisa, arruma problemas do nada, tem paciência zero e crises de estrelismo que não acabam mais. Um comentarista da TV italiana (não exatamente um que odeie o sensacionalismo) chegou a dizer que se não fosse o futebol, Cassano “estaria na penitenciária”. Premido pelo departamento jurídico da Roma, o jornalista se retratou dizendo que havia sido “mal-interpretado”.

Com um veio criminal ou não, o fato é que Cassano quer €5 milhões por ano para ficar na Roma até 2010, o mesmo salário de Totti. Mas junto com a estelar exigência, o atacante não pára de brigar, ser expulso, abandonar treinos e afins. Ou seja, um comportamento um tanto quanto estranho para quem quer uma gordíssima renovação de contrato.

Quer dizer, estranho se não levantarmos a hipótese de que algum clube com cacife para lhe dar este salário esteja mexendo os pauzinhos para deixa-lo “irrequieto”. E é notório que Milan, Juve e Inter desembolsariam um bom dinheiro para adquirir Cassano. Milan e Juve já admitiram isso, inclusive, publicamente (especialmente a Juventus).

Como a Roma não está nadando em dinheiro, dificilmente se classificará para a próxima Liga dos Campeões, e como Cassano dificilmente vai mudar seu caráter, sua saída da Roma já está esboçada, em linhas gerais. É impossível que ele permaneça em Trigoria? Não. Mas coisas têm de acontecer para alterar o seu destino. O decorrer da temporada dirá mais do que qualquer palpite.

Doping-Juve: momentos decisivos

“Isso não vai dar em nada”. Pois é, pode até ser que não dê. Mas somente o fato de um clube tão rico, poderoso e cheio de influências em todas as áreas, como a Juventus, estar sendo acuado no caso do processo contra doping, já é um ponto para a Justiça Italiana.

A Promotoria pediu sentenças pesadas para o médico do clube, Ricardo Agricola, e para o dirigente Antonio Giraudo. Para o primeiro, 38 meses de detenção, sob a acusação de ter violado os seus deveres de médico; para o dirigente, 24 meses, mais o abandono de qualquer função no clube que lhe outorgue poder de representação.

Agricola é acusado de ter ministrado medicamentos que, nas doses prescritas, poderiam ter causado danos aos atletas, conscientemente; Giradu acaba sendo acusado da mesma coisa, só que a sua responsabilidade é administrativa: tinha noção da questão, mas não teria feito os alertas necessários.

Como já dissemos nesta coluna, mais de uma vez: é difícil imaginar um dirigente ‘bianconero’ atrás das grades (embora isso não seja impossível), mas a Juve está sendo submetida a uma humilhação pública que jamais alguém supôs ser possível. E tudo começou com uma denúncia de Zdenek Zeman, treinador do Lecce vice-líder, compreensivelmente odiado pela Juventus. É mais um ingrediente para o encontro dos dois times ficar ainda mais espetacular.

O técnico do Palermo, Francesco Guidolin, completou 500 partidas oficiais como treinador profissional, no jogo contra a Roma

A vitória do Livorno sobre o Bologna foi a primeira em 55 anos, na Série A

O empate sem gols entre os times de Milão marcou a primeira rodada para ‘rossoneri’ e ‘nerazzurri

O último 0 x 0 entre os dois times foi em 1989, quando a Inter de Matthaeus e Trapattoni levantou o último título italiano do clube

A cidade de Lecce está “Zemaníaca”, com a campanha do time comandado pelo tcheco

É o melhor ataque da Série A, com 18 gols (e 9 sofridos)

Que ninguém se assuste se Davids voltar ao Barcelona em janeiro

O holandês tem sido preterido pelo técnico Roberto Mancini, em favor de Estebán Cambiasso, e sabe-se que o humor e a paciência do mastim holandês não são muito grandes

Some-se a isso uma declaração do presidente do Barcelona, que disse que mantém “estreitos contatos” com o jogador

Esta é a seleção Trivela da 7ª rodada do campeonato

Castelazzi (Brescia); Zebina (Juventus), Stovini (Lecce) e Falcone (Sampdoria); Montolivo (Atalanta), Corini (Chievo), Giacomazzi (Lecce) e Kaká (Milan); Miccoli (Fiorentina), Bjelanovic (Lecce) e Babú (Lecce)