Quase três anos depois de ter recusado uma proposta do Chelsea em um valor altíssimo, mas em pé com as transações do futebol europeu (35 milhões de euros), a saída de Neymar é anunciada de modo mais ou menos oficial (estas linhas estão sendo escritas num momento em que o Santos ainda não aceitou oficialmente a proposta). Ao permanecer três anos a mais no Santos, Neymar certamente ganhou um bom dinheiro (embora menos do que ganharia tendo ido para a Europa) e teve uma vida de popstar. Tirando a Rede Globo, que fez de Neymar o seu principal ‘asset’ nas transmissões do Brasileiro e Seleção, todos os outros envolvidos – Santos, Seleção e a carreira de Neymar – perderam com o negócio. Aplaudir a decisão de renovação do contrato do santista em 2010 é negar que o rei estava nu. E ele jamais esteve de outra forma.
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Sem hecatombes, a Juve já é bicampeã
Hoje , a combalida Gazzetta Dello Sport traz uma nota que diz: de Moratti a Petkovic, ninguém segura esta Juve. É uma análise seca e clara do atual italiano. Esta Juventus recuperou o seu DNA e, não fosse pela enésima pisada de bola em proteger com unhas e dentes um cara envolvido em mais um escândalo (o ótimo técnico Conte), mereceria mais destaques. Esta Juve joga mais do que pode, como a Juventus sempre fez (aliás, como um alvinegro de outro país também costuma fazer). Não serão uma Lazio e uma Roma em construção (em ótimo caminho, mas em construção) nem duas milanistas decadentes, ou um Napoli Cavani-dependente que poderão estancar a sangria que ela deixa. Este Italiano só sai de Turim por motivos de força maior. Continue reading
Começamos a desfazer a derrota de 2014
Mano caiu. Caiu tarde porque nunca deveria ter sido treinador da Seleção. Com seu currículo digno de outros grandes
nomes do futebol brasileiro como Geninho, Antonio Lopes, Candinho e Joel Santana, conseguiu, desde herdar o cargo na puxada de tapete teixeiriana em Dunga, convocar um sem-número de jogadores medíocres, que foram coroados com a presença do zagueiro Durval na Seleção (Durval será, para sempre, o Leomar de Mano). Mas o maior feito de Mano Menezes foi na insistência obediente em convocar Neymar o máximo que pudesse, sem conseguir fazer o santista jogar o que se espera dele. Também não conseguiu montar uma defesa minimamente decente, mesmo tendo dois dos melhores zagueiros do mundo (Thiago Silva e David Luiz), um lateral esquerdo extremamente eficiente (Marcelo) e uma leva de volantes que, se não tem nenhum gênio, tem jogadores de sobra para montar qualquer esquema com segurança. Ainda que a demissão de Mano venha pelas mãos da caricata figura do senil José Maria Marin, governador biônico da ditadura e papagaio de pirata do poder nos anos de chumbo, ela é bem-vinda. Mano representa tudo que há de mais abjeto, ultrapassado, anacrônico e obscuro no futebol brasileiro, inclusos (e principalmente) seus dois mentores, Ricardo Teixeira e Andres Sanches. O Brasil agora pode voltar a ter chance de vencer a Copa em 2014 e exorcizar o fantasma de 195o, algo que com o antro cebeéfico da Seleção em sua gestão, não seria possível. Pena que limpar o resto não seja tão fácil quanto demitir um nome não à altura do cargo. Mano, muita sorte para você, desde que em outro lugar.

Mais Ibra. E Fred.
Apesar do último post que eu fiz malhar um pouco o Ibrahimovic, acho ele um craque. Um monstro. Se não fosse tão arrogante e topasse jogar num time onde ele não é a primadonna, já teria vencido uma Liga dos Campeões. Basta ver seu início de temporada na França, com oito gols em oito jogos. Seu problema é que ele queria ser melhor que Messi. Aliás, ele e outro cracaço, Cristiano Ronaldo. Se não vivessem na mesma época de Messi, teriam o destaque que queriam ter. Mas não terão, a menos que Messi (Deus nos livre) se machuque.
Mas esta rápida postagem é para falar desse post do Esporte Interativo sobre quem é melhor: Ibrahimovic ou…Fred! Ele sintetiza para mim o autoengano do brasileiro em relação ao seu próprio futebol. A comparação esclarece muito sobre como a mídia joga para a torcida. Fred voltou para o Brasil porque não tinha mais mercado em clubes que não fossem de segunda linha. Daí, aqui, se destaca, porque compete com Luan, Zequinha e Tião Capadócia. E aí, conclui-se, como ele é muito acima da média (daqui), que deve jogar tanto quanto o sueco. O atacante tricolor é o melhor no Brasil hoje, mas não limpa o cravo da chuteira do sueco.
O realmente intrigante é imaginar quais os meandros que a negação percorre na cabeça dos que acreditam que os repatriados são mesmo “craques”. Ronaldo voltou ao Brasil com 100 kg porque não conseguia tirar a vaga nem de Gilardino. Aqui, fazia chover. Ronaldinho Gaúcho não parava em pé e provocava verginha alheia num elenco do Milan que já era mais modesto. Aqui, faz chover. Fred volta enxotado do Lyon e não consegue jogar em nenhum outro clube maior que Bordeaux ou Catania. Volta, e aqui faz chover. Isso é mais que torcida. Isso é fé, uma fé fanática igual às das seitas mais doentes. Credo!
