“Nella gioia e nel dolore, Adriano imperatore”. Estes eram os dizeres de uma faixa no campo de treinamentos da Pinetina, quando cerca de mil torcedores aguardavam Adriano voltar do Rio de Janeiro, onde fora acompanhar o enterro de seu pai. O centroavante já tinha conquistado a ‘tifoseria nerazzurra’, e de lá para cá, só fez crescer a idolatria, muito parecida com a que teve Ronaldo em seu primeiro ano de Inter.

Meio Vampeta. Este é o valor que o Flamengo recebeu, há três anos, para liberar o atacante Adriano para a Inter de Milão. Na época, Adriano era somente uma promessa, mas uma promessa que chamava a atenção de quem tem olhos mais atentos. Já tinha nas costas uma convocação para a Seleção de Emerson Leão, e só não era titular no Flamengo porque foi sendo substituído por Roma. O técnico? Claro, o velho Zagallo…

E explosão da temporada passada e desta não é nada surpreendente. Adriano vem num crescendo muito regular, só interrompido por uma contusão na coxa, no final de 2003. Desde que chegou à Itália, tudo o que fez foi ficar mais forte fisicamente, aprendeu a jogar mais para o time e aperfeiçoou fundamentos.

A torcida já o venera. Se antes a dúvida era se ele poderia jogar com Vieri, agora a dúvida é se existe espaço para Vieri. Pelo menos na cabeça do torcedor, que ficou alucinado com seu segundo gol contra a Udinese, uma progressão de mais de metade do campo, uma união de força, técnica e velocidade.

A abundância de atacantes na Seleção Brasileira e a presença de Ronaldo, ainda um jogador fora de série, deixam Adriano no banco. Mas na Inter, com Vieri em uma abstinência de gols, seu lugar está garantido. O matador do time de Roberto Mancini será o brasileiro, salvo contusão ou venda.

E qual a característica mais forte do jogador? Antes, era possível dizer que era a força física. Hoje, embora tenha crescido fisicamente, é difícil dizer. Adriano é um centroavante completo, mesmo muito jovem. Chuta com os dois pés, cabeceia e cobra faltas e pênaltis com a mesma eficiência. Não é um jogador da versatilidade de um Shevchenko, ou da criatividade de Ronaldo Assis, mas como homem de conclusão está, hoje, entre os cinco melhores do mundo. O mesmo Adriano que a crítica brasileira ironizou nas primeiras convocações.

Parceiro ideal na Inter? Teoricamente, o uruguaio Álvaro Recoba, um “quase-meio-campista”, que se move e abre espaços para a força física do carioca. Na prática, quem mostrou mais serviço até aqui foi o nigeriano Obafemi Martins, mais rápido e forte do que Recoba, mas menos experiente e sem uma técnica tão apurada. Mancini já deixou claro que Martins é o nome que mais o agrada no momento, para jogar com Adriano. O vastidão do império de Adriano é tão grande hoje que, dá para afirmar que a Inter é ele e mais dez.

O campeão se acerta nos boxes

Partida vacilante, uma vitória em três jogos em San Siro (contra nove pontos em três jogos como visitante), um Stam sofrendo com uma tendinite, um Gattuso cansado de férias entremeadas pela Euro e a falta de hábito com o ‘pressing’ na marcação. Eis o retrato de um Milan que entortou o sorriso dos milanistas, e que Carlo Ancelotti começou a trabalhar na vitória sobre o áspero Cagliari.

O técnico do Milan sabe que não tem Cafu, Kaladze, Stam e nem Maldini nas suas melhores condições físicas. Além disso, suporta o preço de ter iniciado uma preparação física depois dos concorrentes, uma manobra para ter mais fôlego na reta final.

O Milan que perdeu para o Messina e empatou com o Livorno foi um time flácido na defesa. Tomou dois gols de bola parada (contra o Livorno), e dois no contra-ataque, contra o Messina. Ancelotti se irritou nos dois jogos porque a defesa não se dispunha adequadamente, e gol de bola parada para um discípulo de Arrigo Sacchi (que é o caso de Ancelotti) é praticamente um gol contra.

O ‘pressing’ na defesa é um elemento que Fatih Terim, ainda em 2001, na sua curta passagem pelo Milan, já queria implementar. “Pressing, no fallo” (“aperta sem falta”, numa tradução livre), dizia o técnico turco nos treinamentos, quando era bastante contestado pela imprensa. Três anos depois, e já com três títulos conquistados, Ancelotti agora exige que seu time sufoque o adversário na saída de bola, de Shevchenko em diante. O espinhoso é que o esquema exige um preparo físico e dedicação bem maiores.

A linha defensiva foi treinada à exaustão. Mas não só. Agora, além do incansável cabeça-de-área, os outros meio-campistas têm de meter a mão na lama, e até Shevchenko tem de recuar para a própria intermediária quando perde a bola, posicionando-se como primeiro volante. Em Cagliari, a entrada de um Costacurta em forma na lateral-direita tampou a defesa. E pela primeira vez, Dida assistiu o jogo quase lixando as unhas.

Conforme o time pegar fôlego (especialmente o trio Ambrosini-Brocchi-Gattuso, responsável pelo trabalho “sujo”), a tendência é que a eficiência defensiva melhore. Cafu, Stam e Maldini devem ganhar embalo perto da virada do ano (de acordo com os cálculos do staff milanista), e fazer a diferença. Usualmente, o time com a melhor defesa vence o ‘scudetto’. Ancelotti sabe disso, e por isso que praticamente parou tudo para fechar o buraco no casco ‘rossonero’.

O boom do futebol do “Mezzogiorno”

Nem a líder Juventus conseguiu vencer o Palermo. Nada demais. O time siciliano é sério candidato a uma vaga UEFA, e tem um ótimo elenco, um time entrosado e um treinador (Francesco Guidolin) que tem uma filosofia de jogo muito clara – e elementos para implementá-la.

Mas o excelente Palermo sucumbiu no Via Del Mare, diante do Lecce atrevido de Zeman. Contra o 4-4-2 clássico dos palermitanos, Zeman impostou seu 4-3-3 e ], claro, correu riscos, diante de um meio-campo sólido, comandado pelo experiente Corini. Desta vez, o herói do jogo não foi Bojinov, mas o sérvio Vucinic, que entrou e decidiu. O Via Del Mare é o alçapão da temporada.

E nem precisamos mencionar as campanhas de Cagliari e Messina para continuar a celebração do futebol do sul da Itália. Neste domingo, o Napoli ficou num magro empate num outro derby meridional, contra o Avellino (curiosamente, a ex-equipe de Zeman, e o time que iniciou a peregrinação do Napoli rumo à série C).

A curiosidade fica por conta do público. Para um jogo de terceira divisão, simplesmente 70 mil pessoas presentes ao estádio San Paolo. Um recorde histórico. A torcida napolitana está com uma fé tão grande para esta temporada que os públicos têm girado na casa das 40 mil pessoas. O clube está enterrado, e nem assim a torcida o abandona. Futebol é isso. Ou você entende, ou não entende.

Com o gol marcado sobre a Udinese, Vieri chegou a 119 na Série A, e é o maior artilheiro em atividade no campeonato italiano

Montella é o segundo, com 118 (já contando o seu tento sobre o Livorno)

“Bobo” não anotava desde 4 de abril, quando fez um gol de pênalti, sobre a Juventus

Contra o Chievo, Paolo Di Canio fez sua partida de número 200 pela Série A, e sua 59ª com a Lazio

Dionigi (Reggina) e Giacomazzi (Lecce), alcançaram a centésima partida

Milan e Parma confirmaram que negociam o atacante Alberto Gilardino

O próprio “Gila” não desmente, e diz que seria uma boa destinação

Seria possível até mesmo uma transferência ainda em janeiro

Os rumores vão de encontro ao que alguns tablóide ingleses publicaram na semana passada, dando conta de que o Milan teria avisado o Chelsea que Crespo retornaria à Inglaterra na reabertura do mercado

Rumores estes, negados pelos dois clubes e pelo jogador

Crespo, aliás, está até no grupo de convocados para o jogo contra o Barcelona, pela Liga dos Campeões

Eis a seleção Trivela da 6ª. Rodada do campeonato

Sicignano (Lecce); Cannavaro (Juventus), Costacurta (Milan) e Ujfalusi (Fiorentina); Brighi (Chievo), Amoroso (Bologna), Pirlo (Milan) e Nedved (Juventus); Adriano (Inter), Caracciolo (Brescia) e Montella (Roma)

Respondendo à pergunta de dois internautas, a seleção Trivela é escolhida com base num “mix” entre as notas dadas pela “Gazzetta Dello Sport” na rodada, à observação deste colunista, e à repercussão da rodada na mídia italiana.