Se o leitor der uma olhada na seleção TRIVELA da rodada, vai se dar conta que, entre os cinco atletas selecionados na retaguarda, nenhum pertence a um time grande. Não, não é coincidência. Esta edição do torneio, quase que seguramente, premiará aquelas equipes que sofrerem menos gols.

Um reflexo disso é a liderança da Juventus. Enquanto Inter, Milan e Roma se debatem com problemas de marcação e defesa, tomando gols aos borbotões, a Juventus concedeu um único tento, diante do hostil Palermo. Enquanto isso, Milan, Inter e Roma já sofreram, respectivamente, seis, dez e doze tentos. A Roma, aliás, tem a pior defesa da competição, junto com Lecce e Brescia.

Entre os pequenos, o excelente campeonato de alguns times de cidades menores também se baseia na defesa intransponível. Messina, Chievo, Palermo e Cagliari têm defesas iguais ou melhores do que a do Milan, a segunda melhor retaguarda entre as “grandes”. Poderíamos também mencionar o bom rendimento defensivo da Lazio, com 4 gols sofridos em cinco rodadas, dois deles diante do Milan.

Fabio Capello é sabidamente um “criador” de defesas impenetráveis. Sua Juventus não tem muito segredo. Tem o melhor goleiro do mundo (Buffon), uma zaga central que jogou vários anos junta no Parma (Cannavaro e Thuram), e um Emerson atentíssimo à fase de cobertura. Zebina (direita) e Zambrotta (esquerda) servem só como complemento na marcação.

O Milan sabe que a sua “candidatura” aos variados títulos do ano está ligada à resolução dos problemas na defesa (leia abaixo). Tanto é verdade que o Milan agregou ao seu elenco o argentino Coloccini, que passou os últimos anos no futebol espanhol.

Na Inter, o problema é mais antigo que o Velho Testamento. Depois de fazer bobagem de ceder Cannavaro e reforçar a Juventus, Roberto Mancini não sabe como montar uma linha defensiva consistente. À exceção de Córdoba, nenhum outro defensor interista parece em condições de atingir níveis de excelência. Burdisso jogou muito bem na sua estréia, mas contra a Roma esteve vacilante; Materazzi e Mihajlovic são lentíssimos; e nos flancos, Javier Zanetti, Pasquale e Favalli também não têm recursos para garantirem sozinhos uma boa defesa.

Capítulo Roma: à parte o problema da gestão dos egos, o novo técnico Del Neri terá de refazer um setor que perdeu Samuel e Emerson. O brasileiro não é zagueiro, mas é quem amarrava o miolo da zaga. Teoricamente a defesa titular é Panucci, Ferrari, Mexés e Cufré. Só que a linha não convence. Assim como a Inter, os ajustes do meio-campo terão de ser complexos para diminuir o vazamento.

A Juventus já é campeã porque tem a melhor defesa? Não, mas certamente sai em vantagem. O Milan é o único elenco que, aparentemente, pode montar uma defesa também intransponível. Roma e Inter dependem de um entrosamento maior com o meio-campo. Tudo vai depender de quanto juventinos e milanistas se distanciarem até que isso aconteça.

Os problemas de Ancelotti

Logo depois da vitória por 3 a 1 sobre a Reggina, Carlo Ancelotti não saiu comemorando. Na verdade, foi para a coletiva bastante irritado. “Vocês me perguntam mais uma vez sobre as falhas nas jogadas de bola parada, e isso me irrita, porque é exatamente o que mais temos treinado”, disse o técnico.

Carlo Ancelotti tem razão na sua bronca. Com Stam no estaleiro por causa de uma tendinite, a defesa se enfraquece consideravelmente. Isso porque Nesta e Maldini ainda estão longe de seu futebol. Cafu, como se sabe desde sempre, é quase um atacante, e na lateral esquerda, Kaladze está muito longe de mostrar ritmo de jogo.

Para resolver esse primeiro problema, Ancelotti tem de alinhar Nesta, Stam e Maldini em condições físicas otimais. E mesmo assim, a permanência de Cafu no time implica em uma sensível melhora sua na marcação, para que o meio-campo do time possa ter somente Gattuso como cursor de marcação. Com Cafu meia-boca, ou Ancelotti põe mais um defensor fixo na lateral, ou sacrifica um meio-campista de criação (Pirlo ou Seedorf) para a entrada de mais um marcador.

No que toca à parte ofensiva, a nítida impressão é a de que com a evolução do preparo físico, a máquina vai se azeitar. Kaká teve sensível melhora nas últimas duas semanas, assim como Inzaghi e Rui Costa; Pirlo e Crespo são os mais atrasados sob este ponto de vista, mas se isso é um problema agora, se tranformará numa vantagem na segunda parte do campeonato, quando os dois devem estar em plena evolução (assim como Coloccini e Dhorasoo).

Del Neri assume o Império

Depois de uma semana onde a Roma perdeu o técnico, os jogadores ouviram muitos xingamentos, a torcida se iludiu com uma quase vitória da Roma em Madrid (que acabou numa derrota por 4 a 2), Luigi Del Neri, o homem que desenvolveu o “Fenômeno Chievo” foi contratado como o terceiro técnico da temporada romanista.

Del Neri tem uma missão duríssima, e outras menos complexas. A duríssima é a de fazer com que um grupo cheio de jogadores vaidosos e mal-acostumados adotem uma disciplina quase militar. Entre os principais alvos estão Cassano, o capitão Totti, os recém chegados Mexes e Mido.

Esta é a medida mais urgente. Cassano saiu substituído no jogo contra a Inter, e bateu boca com Del Neri, que, depois, no vestiário, deu-lhe uma comida de toco. A indisciplina já custou a Cassano a vaga entre os convocados de Lippi (veja abaixo). Se não “domar” o grupo, nenhuma mudança tática será eficiente.

Atleticamente, urge um preparo físico mais duro; bem mais duro. A Roma tem morrido no segundo tempo, e seus defensores têm tido o mesmo ‘sprint’ de uma simpática velhinha romana, e nunca conseguem se adiantar aos atacantes; a marcação no meio-campo é mole,

Taticamente, o time não sabe se ataca pelos flancos (com Mancini), ou se usa Perrotta e De Rossi como armadores. O ideal seria que Totti jogasse atrás dos atacantes, com um trio sólido (De Rossi, Perrotta e Dacourt) fazendo a guarnição da defesa. Mas isso implica em Mancini jogar como lateral-direito, e para tanto, o resto da defesa tem de estar uma beleza (o que não tem sido o caso).

Com um 4-3-1-2, Del neri poderia escalar Cassano e Montella na frente. Montella vem de duas temporadas patéticas, mas está em grande fase. E a dupla é totalmente propensa a jogar junta, com Cassano móvel e Montella entre os zagueiros. Mas até chegar aí, como o internauta leitor pode concluir, tem muito, mas muuuito chão…

Lippi veta Cassano. Por enquanto

Marcello Lippi fez a sua convocação para a seleção italiana, visando dois jogos encardidos contra Eslovênia e Bielorússia, pelas Eliminatórias da Copa de 2006. Não, não são jogos difíceis, mas por isso são encardidos. A obrigação de vencer é total, e isso às vezes cria a ansiedade que bloqueia um time.

Certezas: Buffon no gol; Nesta, Cannavaro e Zambrotta na defesa, e Totti no ataque. Todo o resto é dúvida. Lippi vai usar um 4-4-2 tradicional, provavelmente, mas não dá para saber qual a sua “configuração”. É provável que Camoranesi esteja na faixa direita, Gattuso e De Rossi no meio, e Fiore na esquerda, mas essa hipótese é tão provável quanto qualquer outra. Especialmente se Totti jogar como atacante.

Capítulo Cassano. O “Enfant térrible” da Roma perdeu a convocação pelo seu comportamento infantil nas últimas semanas. Lippi garantiu que o romanista faz parte de seus planos, mas sua ausência é um claro sinal. Lippi não vai tolerar presepadas de “prima donna”. Cassano é muito bom, mas deve ficar esperto.

Goleiros:
Buffon (Juventus), Pelizzoli (Roma)

Defensores:
Bonera (Parma), Cannavaro (Juventus), Materazzi (Inter), Nesta (Milan), Oddo (Lazio), Pancaro (Milan), Zaccardo (Palermo), Zambrotta (Juventus);

Meio-campistas:
Blasi (Juventus), Camoranesi (Juventus), De Rossi (Roma), Diana (Sampdoria), Esposito (Cagliari), Fiore (Valencia), Gattuso (Milan), Perrotta (Roma);

Atacantes:
Corradi (Valencia), Di Vaio (Valencia), Gilardino (Parma), Toni (Palermo), Totti (Roma).

Francesco Totti entrou na lista dos centenários entre os goleadores da história da Série A, anotando um golaço contra a Inter

Enquanto isso, a Samp ultrapassou os 2 mil gols na Série A, na vitória sobre o Livorno

Este é o pior início de temporada do Parma na sua história da Série A: cinco rodadas er ainda, nenhuma vitória

A Internazionale fez jus ao seu nome no empate contra a Roma

Entre os 11 titulares, somente Toldo era italiano, mostrando que o elenco interista é mesmo uma torre de Babel

E a seis minutos do final, Cristiano Zanetti, outro italiano, foi para o jogo

Esta é a seleção TRIVELA da 5ª rodada da Série A

De Sanctis (Udinese); Biava (Palermo), Falcone (Sampdoria), Parisi (Messina) e Grosso (Palermo); Amoroso (Bologna), De Rossi (Roma), Cambiasso (Inter); Totti (Roma); Di Napoli (Messina) e Shevchenko (Milan).