O verão romanista já não tinha sido um sonho. O time tinha perdido Fabio Capello, Zebina e Emerson para a Juventus, Samuel para o Real Madrid, e não tinha conseguido contratar nenhum craque de nível “world-class”. A única nota positiva tinha sido a permanência de Totti, ainda que este continuasse resmungando que queria um time melhor.

Outra notícia boa tinha sido a contratação do técnico Cesare Prandelli para o posto de Capello. Prandelli faz milagres com jovens, e a Roma tem vários em seu elenco que prometem muito, como os recém-contratados Mexes e Ferrari, além de De Rossi, D’Agostino, Cassano e Aquilani. Mas a coisa começou a degringolar quando Prandelli teve de pedir demissão por causa de uma doença em sua esposa, a quem decidiu dedicar todo o tempo possível.

A Roma apelou para um velho ídolo – o ex-atacante Rudi Vöeller. O treinador alemão é casado com uma romana, chegou empolgadíssimo, e parecia ter sido bem recebido pelo elenco. Quanto á torcida, não havia dúvida. Vöeller prometeu moldar um novo time, e até demitir-se, caso Prandelli pudesse voltar ao seu cargo.

Neste final de semana, depois da derrota para o Bologna, o teutônico Vöeller pediu a toalha, depois de somente 25 dias em Trigoria. Motivos? “O time não me obedece, e percebi que há uma falta de disciplina no clube maior do que a adequada para se fazer um grande time”. Espetadas à granel. Desde Capello, até Totti, todos ficaram com a carapuça na cabeça.

O jovem e promissor De Rossi foi um dos poucos que desceu a bota no time. “O mister (Vöeller) tem culpa zero. Quem entra em campo somos nós. Uns correm e outros acham que basta a sua técnica”. De Rossi demonstrou uma maturidade que nem mesmo o capitão Totti teve para segurar a onda.

E quem golpeou o general alemão?

Vöeller foi “traído” pelo time? Não chega a tanto, mas certamente ficou nítido que nem todo mundo gostou de ter o disciplinador alemão dando as cartas (o francês Candela foi o único a, abertamente, se dizer aliviado com a saída do alemão) Especialmente as “prima-donnas” do time, Totti e Cassano. O primeiro não escondeu que não gostava de jogar como atacante; o segundo, foi expulso no primeiro jogo, tentou chiar e levou um “cala-boca” com mais 40% do salário de multa.

O episódio sugere que Capello, com seu ar disciplinador, era muito mais leniente com o elenco do que se imaginava. Alguns jornalistas italianos já saíram em defesa do treinador da Juve, como Ítalo Cucci, do Guerin Sportivo, mas o fato é que a sensação é que a falta de comando dentro do vestiário não começou nesta temporada.

Certamente outro problema foi o de que alguns dos reforços, que realmente pareciam adequados, estão rendendo muito abaixo das expectativas. A dupla de zaga Ferrari-Méxes deveria ser uma parede; é uma peneira. Perrotta é um jogador absolutamente comum na Roma, até agora; e Mido, disputado há anos por vários grandes clubes, ainda é um fantasma (embora, num começo de temporada, render pouco seja até esperado).

O maior golpe que a Roma sofreu mesmo foi a saída de Prandelli. O ex-técnico do Parma tinha montado o elenco, imaginando carências e virtudes, promoveu uma baciada de jovens (Aquilani, Briotti, Cerci, Corvia, Curci, De Martino, Pipolo, Scurto, Sella e Virga), já tendo em mente o trajeto que percorreu no Parma, com a vantagem de que teria alguns nomes fortes em torno do qual poderia montar o time. O nome provável para assumir o comando é o disciplinador Luigi Del Néri, que neste verão europeu deixou o Chievo e assumiu o campeão europeu, Porto, sendo demitido em poucos dias. Ele consegue salvar a Roma? Depende do que o leitor entenda por salvar. Em relação ao título, só com uma façanha hercúlea. Vaga na próxima Copa dos Campeões? Seria um título. Uma vaga na Copa UEFA já não seria tão má, dadas as circunstâncias.

Milan soluçando

O início de temporada milanista tem causado algum estupor entre torcedores, comentaristas menos informados e fãs da Série A. Há motivos para tanto. Um ponto em dois jogos em San Siro, um grande sacrifício para bater o (bom) Shakhtar Donetsk e uma falta de ‘timing’ em quase todo o elenco. E aí?

Nem céu, nem a Terra. Carlo Ancelotti, o técnico do Milan certamente tem alguns problemas para resolver. Seedorf, Tomasson, Gattuso e Pirlo estão visivelmente cansados depois do verão com a Euro (os dois) e Olimpíadas (Pirlo). Ademais, todo o time ainda está fisicamente limitado.

Mas por que razão está limitado? Como um clube como o Milan dá uma “Bobeira” dessas? Não se trata de bobeira. O Milan se prepara para atingir seu auge físico na época das semifinais e finais da Liga dos Campeões. Por isso, começou a pré-temporada quase um mês depois da Juventus, por exemplo, que teve de enfrentar, ainda em agosto, o Djurgarden, na fase eliminatória da LC. O que isso significa? Se nada der errado, na hora do “vamos ver”, o Milan vai ter mais fôlego.

Outro problema é que vários jogadores têm de ter preparação física “especial”. Os veteranos Maldini e Cafu, Stam (que se recupera de uma tendinite), Inzaghi (que ficou 5 messe parado), Kaladze (que quase não jogou na temporada passada), além dos “Euro-desgastados” já citados.

Taticamente, Ancelotti também introduziu uma novidade que é um contínuo “pressing”, que exige mais do time, e dá para ver que o grupo ainda não se acostumou. Às vezes joga à memória, às vezes entra em pane, vivendo de lampejos de seus craques, como Shevchenko fez contra a Lazio.

“Então o Milan ainda está no páreo”? E como. Claro, Ancelotti não tem todo o tempo do mundo para acertar seu time. Precisa adequar Cafu e Stam na direita da defesa, recuperar o insubstituível Gattuso (peça-chave no esquema), e afiar o taco de Crespo e Inzaghi. Tudo isso sem deixar a Juventus abrir vantagem. É duro, mas um time como o Milan precisa esperar coisas assim…

Del Piero, sempre Del Piero

Alguns jogadores têm de provar a cada domingo que são dignos da camisa que vestem. Todos podem errar de vez em quando, mas esses jogadores não. Se jogam mal meia dúzia de jogos, estão acabados, são enganações, são supervalorizados ou coisas afins.

Na Juventus, o peso cai sobre Alex Del Piero. A Juve é líder do campeonato e tem a melhor defesa do torneio. Mas Del Piero é “acusado” de não estar à altura dos atacantes Trezeguet e ibrahimovic, a dupla que mais marcou gols até o momento. Argumentos? O capitão juventino é muito lento e previsível, e não joga com a vontade necessária.

Diante das exageradas críticas, o técnico Capello e o goleiro Buffon saíram em defesa de “Ale”. “Del Piero não merece este tipo de perseguição”, disse Capello, na coletiva da Juve desta manhã de segunda. Para o goleiro, seus críticos são os que vão aplaudi-lo em breve.

À parte a camaradagem dos dois, Del Piero não está na sua melhor fase, é verdade. Mas é também verdade que, nos últimos anos, a Juventus só esteve na ponta dos cascos quando Del Piero estava disponível (sem tirar o mérito de tantos craques, de Zidane a Nedved).

Sua importância? Além da psicológica, Del Piero é hábil, tem visão de jogo e prende a atenção dos adversários, criando espaços. É tão habilidoso quanto Zidane? Não. É tão aguerrido quanto Nedved? Não. É tão goleador quanto Trezeguet? Não. Mas tem um mix de qualidades destes três jogadores, coisa que nenhum deles têm. Pode atuar atrás,dos atacantes, como centroavante ou segundo atacante. E por isso é tão difícil de marcar.

Seu maior problema é psicológico. Deixa-se abater com uma facilidade atípica para um atleta de seu porte. Mas é nele que a Juventus deve apostar se quiser um time consistente. Se perdê-lo (seja para outro time, seja para uma má fase), corre o risco de se mediocrizar.

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Esta é a seleção Trivela da 4ª rodada do Italiano

Pagliuca (Bologna); Conte (Messina), Petruzzi (Brescia), Nesta (Milan) e Zaccardo (Bologna); Nervo (Bologna), Zagorakis (Bologna), Amoroso (Bologna); Meghni; Shevchenko (Milan) e Martins (Inter)