Não havia dúvida quando Marcello Lippi foi nomeado técnico da Itália. Era p mais indicado sob todos os aspectos. E também é certo de que o viareggino não deixou de ser um grande treinador da noite para o dia. Se há alguém com condições de levar a Itália a algum destaque, esse alguém é o ex-técnico da Juventus.

A dúvida se faz quando vem à tona a seguinte questão: qual é a Itália de LIppi. No último final de semana, contra a Eslovênia, Lippi montou seu time mais uma vez com um esquema diverso. O quarto em quatro partidas. Tudo bem, um treinador novo ainda tem tempo para dúvidas. O que aflige é descobrir ou não se ele tem certezas.

Pelo menos algumas, Lippi dá sinais de que tem. A primeira delas é que seu goleiro titular é mesmo Buffon. Toldo é excelente, mas é seis anos mais velho que “Gigi”, e, no máximo, é tão bom quanto. Buffon é goleiro para pelo menos mais duas copas do mundo. Uma aposta acertada.

Outra certeza do treinador é que sua defesa terá quatro jogadores. E sem problemas de escalação (como contusão e suspensão), até se pode dar nome aos bois. Da direita para a esquerda, Bonera, Nesta, Cannavaro e Zambrotta. A linha defensiva é teoricamente excelente, e tem a preferência do CT porque é segura, e ainda pode dar um apoio ao ataque, com as descidas de Zambrotta.

Do meio campo em diante, é que a coisa fica difícil. Se Lippi pudesse, usaria um 4-4-2 tradicional, com dois volantes e dois alas. Mas o sistema se provou ineficaz ofensivamente, além de obrigar a escalação de Totti no ataque (e não atrás dos atacantes, como o romanista prefere jogar). Três volantes mais Totti e dois atacantes (4-3-1-2) também não foram suficientes, e nem um 4-3-2-1 testado contra Moldova, que foi o pior dos quatro.

Usando Gattuso e De Rossi no meio, como interditores, Lippi pensa em poder dar liberdade a três armadores mais um atacante. Mais: dois desses três armadores (os laterais), se transformam em pontas quando no ataque. A questão é determinar seus nomes.

À parte Totti (o armador central), todos os outros medalhões estão sob suspeita. Vieri (má fase na Inter), Inzaghi (voltando de contusão), Cassano (encrencado com seu gênio ruim), Del Piero (machucado). As possibilidades recaem então sobre nomes menos badalados, como Corradi (Valencia), Toni (Palermo), Espósito (Cagliari), Miccoli (Fiorentina) e Gilardino (Parma). Entre todos esses, só o parmigiano soa crível como alternativa válida. Toni e Corradi são aceitáveis como alternativas de substituição, pois são bons no jogo aéreo.

Sem fazer drama, Lippi deveria partir do uso de dois bons volantes que dispõe (Gattuso e De Rossi), e se adequar. Por exemplo: escalando Pirlo como terceiro volante, Totti como ‘trequartista’ e um ataque Gilardino Del Piero. Ou no lugar de Pirlo, um outro jogador de criatividade, como Fiore. Mesmo assim, permanece o problema da dupla de ataque, tantas são as alternativas não-disponíveis.

Todo time começa se acertando pela defesa. Caso a Itália consiga isso até o fim deste ano, pode se acertar nos próximos dois anos para compor um meio-campo suficientemente inteligente, amadurecer promessas como Cassano e Gilardino (taticamente, uma dupla de ataque ideal), e ver quem, entre os “medalhões”, chega inteiro até 2006. Se fosse uma previsão meteorológica, seria a de “tempo instável, com tendência à melhora”.

Cassano-De Rossi-Roma: divórcio à vista

A hereditariedade de Totti na Roma, como símbolo e capitão ‘giallorosso’ parecia fadada a restar sobre o colo de dois outros ídolos da Curva Sul do Olímpico. O atacante Antonio Cassano e o meio-campista Daniele De Rossi. Mesmo que Cassano não seja prata-da-casa, a torcida o adotou pela sua habilidade e pelo seu temperamento passional.

Mas nas últimas duas semanas, uma série de entreveros fez com que o cenário mudasse radicalmente. O primeiro foi a interminável série de atritos que Cassano tem com Deus e o mundo. De Capello a Del Néri, passando por Prandelli e Völler, Cassano bateu boca com todos os seus treinadores. Isso para não falar nos cartões vermelhos. Agora, a renovação de seu contrato que acaba em 2006, surgiu como elemento mais incendiário.

Daniele De Rossi ganhou subitamente espaço no time com a saída de Emerson para a Juventus. E a mudança de status fez com que o promissor meio-campista exigisse do clube um reconhecimento financeiro à altura. De Rossi ganha € 40 mil anuais, mais ou menos o que Zidane ganha em cinco ou seis dias. Assim como Cassano, as conversações entre o seu agente e a Roma começaram bastante ríspidas. E De Rossi já deu uma entrevista dizendo que aceitaria sim, jogar na Juve ou Milan. Foi até multado pelo clube por isso.

O que leva a crer que os dois não terão uma longa vida vestindo as cores da Roma é que o clube não tem caixa para oferecer a ambos os salários que jogadores de seu calibre ganham no mercado. É quase uma unanimidade na imprensa italiana que Cassano deixa a Roma em junho (só não se sabe se pelo exterior ou não); De Rossi, que ganha um salário ínfimo (em comparação aos colegas), não deve se sacrificar pelo clube, até porque isso é história da Carochinha.

O mafuá dos dois jovens no clube leva a pensar também no futuro de Totti. O capitão da Roma sabe que na capital, definitivamente não conseguirá alcançar os títulos que gostaria; e a Roma sabe que não tem bala na agulha para manter seu capitão no elenco com salários estratosféricos. A menos que surja mais um Abramovich no mercado futebolístico, o clube da capital tende a seguir o mesmo caminho dos “primos” da Lazio, e apostar numa reformulação total, apostando em novos e desconhecidos jogadores com salários baixos.

Quem se lembra de Coco?

Na temporada 1997/1998, o Vicenza teve uma ótima temporada, na qual se destacaram dois jovens jogadores, que pertenciam ao Milan, mas jogaram emprestados. Um era o volante Massimo Ambrosini, que na temporada seguinte, fez a proeza de desbancar o mito Zvonimir Boban no meio-campo milanista que se sagrou campeão. Boban acabou sendo também titular, depois de meia dúzia de jogos no banco, mas jogando como ‘trequartista’, e sendo o pivô da sensacional performance do Milan no segundo turno.

O outro destaque do Vicenza era o lateral Francesco Coco. Coco também seguiu para o Milan com Ambrosini, e chegou até a ser o ala esquerdo de Alberto Zaccheroni na temporada do ‘scudetto’, até que uma lesão no joelho abrisse espaço para Guly, até ali, usado como atacante.

A vida de Coco no Milan foi tão complicada pelas contusões que, apesar de ele ser uma das esperanças italianas para a “herança” de Paolo Maldini na seleção, ele jamais se firmou. Em 2001, foi cedido ao Barcelona, por empréstimo, onde foi titular por boa parte da temporada; findo o empréstimo, foi trocado com a Inter, sob grossas vaias de torcedores e até de colegas de elenco como Costacurta, que disse “ter sido o maior erro do Milan nos últimos dez anos”.

A futurologia de Costacurta se demonstrou tão lamentável quanto sua capacidade de bater pênaltis. Coco foi para a rival Inter de Milão, trocado por Clarence Seedorf. O holandês se transformou num dos principais jogadores do Milan, fundamental nos dois últimos anos de conquistas, e hoje é, certamente, o meio-campista mais importante para o esquema tático do time.

Quanto a Coco, seu maior feito foi aparecer ao lado das modelos mais belas da Europa, como a italiana Manoela Arcore e até com a brasileira Gisele Bündchen. E se gozava de companhias estonteantes, em campo, Coco foi desaparecendo até que uma hérnia de disco o tirou definitivamente de ação em novembro do ano passado. E agora, quase um ano depois de seu último jogo oficial, ele volta à disposição do elenco interista.

Coco pede uma chance para o técnico Roberto Mancini, na posição que é “maldita” desde a saída do brasileiro Roberto Carlos para o Real Madrid. Por ali, já passaram dezenas de nomes que não deixaram marca (como Pistone, Gresko, West, etc). O que será do lateral? Não se sabe. Será que suas condições físicas ainda permitem futebol de alto nível? O que é certo é que Coco era o titular absoluto da lateral-esquerda da Itália, e hoje, tenta arrancar a vaga de Favalli e Pasquale. Alguma coisa definitivamente não vai bem.

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