Até algumas temporadas atrás, o Campeonato Italiano primava pela estabilidade. Um torneio duro e equilibrado exigia isso. O clube que se desfizesse do treinador prematuramente aumentava em muito as chances de ser rebaixada, porque o entrosamento era condição indispensável para evitar a queda para a segunda divisão.

Tudo mudou. O futebol italiano despencou de qualidade, a Juventus não joga na Série A, Luciano Moggi passou de herói a vilão, a Inter é campeã antecipada e o Catania passeia perto da Liga dos Campeões. E assim se foi a estabilidade que tinham os “professores”. Nas primeiras 25 rodadas, o Italiano já fez nove vítimas. É uma média risível, que reflete o caos completo do lamentável ‘calcio’ de hoje.

Neste final de semana, Cagliari e Torino protagonizaram episódios significativos. Os dois clubes mandaram os técnicos embora – ambos pela segunda vez na temporada. O curioso é que os dois chamaram de volta os mesmos treinadores que tinham mandado embora.

O Torino tinha mandado Gianni De Biasi embora na véspera da primeira rodada. Por conta disso, o ‘Toro’ teve uma largada hesitante que acabou por liquidar o trabalho de Alberto Zaccheroni – demitido ontem. Em Cagliari, Marco Giampaolo tinha sido demitido porque o Cagliari estava em 13o lugar. Neste domingo, Franco Colomba deixou a Sardenha com o clube na 14a posição.

Em anos passados, dava para dizer que os times que tinham demitido treinador eram favoritos para o rebaixamento. Naturalmente, fica difícil apontar nove favoritos para cair com somente três vagas para o rebaixamento. Dos nove últimos colocados, somente a Reggina não trocou de treinador. Não por acaso, certamente é o time que apresenta mais condições de não cair, mesmo tendo sido punida por causa de irregularidades no começo do campeonato.

Interrogações na líder

Certamente a Inter é um clube único. Durante vários anos, o clube trocava uma crise pela outra, quando estava completamente distante de qualquer conquista importante. Com a mudança de status – passando de eterna promessa a líder absoluta – supunha-se que a Inter encontraria a paz de espírito que tanto procurara. Mas não é o que está acontecendo.

A Inter está com a temporada ganha. Mesmo o resultado incerto da Liga dos Campeões, ligada ao resultado do embate com o Valencia nesta semana, não pode fazer com que os resultados do ano não sejam positivos. Ainda assim, os interistas seguem mergulhados numa eterna aflição.

Nas últimas semanas, os rumores de que Roberto Mancini não vai renovar com a Inter. O clube estaria mantendo contatos com José Mourinho, do Chelsea, para substituí-lo. A gerência – ou melhor, a má gerência – do relacionamento de Adriano com o clube seria a causa do descontentamento.

A Inter não é um time bom o suficiente para vencer a Liga dos Campeões com autoridade (embora nada impeça – vide Liverpool em 2005). Os adversários domésticos estão francamente abaixo dos últimos anos. De qualquer maneira, falar em crise soa até ridículo. O time vai conquistar o Italiano mais “garantido” da história e jogando um bom futebol e isso, de algum modo, tem de ser mérito do treinador (por pior que seja a concorrência).

O que parte da imprensa sustenta é que Adriano está de malas prontas, depois de mais um episódio de indisciplina. Uma saída também do técnico Mancini, com quem o atacante não tem um bom relacionamento, não soa muito coerente, embora uma coisa não exclua obrigatoriamente a outra.

Todo os carnaval de tensões em torno da Inter vai influir no resultado desta temporada? Não. O problema para os ‘nerazzurri’ de Appiano Gentile é que o mal-estar crônico pode atrapalhar na temporada seguinte do time, que certamente será muitíssimo mais dura do que a atual.

– Nesta anunciou que não volta à Lazio.

– O zagueiro, fazendo tratamento médico nos Estados Unidos, afirmou que renovará com o Milan e que quer encerrar a carreira na Lombardia.

– Esta é a seleção Trivela da 25a rodada:

– Campagnolo (Reggina); Balleri (Livorno), Mexés (Roma), e Lucarelli (Reggina); Bresciano (Palermo), Ambrosini (Milan), Pizarro (Roma), Mutarelli (Lazio); Julio Cruz (Inter), Di Natale (Udinese) e Rocchi (Lazio).