Nem sempre é possível comemorar uma grande fase com a ênfase que ela deveria ser celebrada. Para alguns jogadores, a melhor fase ou o jogo da vida vêm numa Copa do Mundo ou em outro torneio de relevo, como os italianos Grosso e Schilacci em 2006 e 1990. É um modo de imortalizar com maior destaque um momento no qual o jogador está tirando o melhor de si.

O sueco Zlatan Ibrahimovic está vivendo uma experiência oposta. O atacante está na melhor fase técnica de sua carreira e certamente é o melhor estrangeiro jogando na Itália hoje, ao lado de Kaká. Toda a Itália já se rendeu à sua condição de ‘craque’ da virtual campeã Internazionale. Mas para azar de ‘Ibra’, este Italiano ‘manco’ não dimensiona o tanto que ele está jogando.

Ibrahimovic tem futebol para jogar em qualquer time ou seleção do mundo – Brasil incluso. Alem de uma técnica fenomenal, o jogador tem uma versatilidade impressionante, que lembra o melhor Shevchenko. Sabe atuar na área com o instinto do goleador ou jogar como assistente com a mesma performance.

É um pouco cruel com o atleta que a sua supremacia nesta temporada possa ser questionada por causa da extraordinária condição da Série A neste ano. Se tudo estivesse normal, com Juventus, Milan e Fiorentina partindo sem penalizações, ainda assim é pouco provável que alguém pudesse jogar nos níveis ‘ibrescos’.

É verdade que a forma espetacular foi ajudada pelo marasmo do futebol de Adriano. Entretanto, mesmo que o melhor Adriano estivesse disponível, dificilmente obscureceria Ibrahimovic. Na verdade, os dois jogando juntos – no seu melhor – poderiam proporcionar uma das melhores duplas de ataque do futebol italiano recente.

Com este campeonato ganho, o que Mancini pode fazer de melhor pela Inter é trabalhar para que o sueco chegue à próxima temporada embalado. O sueco certamente almeja o prêmio de melhor jogador do mundo dado pela revista France Football, mas isso depende de seus resultados na Europa. Se vencer só um Italiano para o qual muitos torcem o nariz, seu futebol não será premiado à altura. Felizmente, com somente 25 anos, ainda há muito tempo para ele ter essa consagração – merecida.

O problema era com Zaccheroni

A vitória do Torino na re-estréia do técnico Gianni De Biasi, na quarta-feira, diante do Cagliari deixou uma coisa bem clara: ainda que o problema que vinha afligindo o time não fosse o ex-técnico Alberto Zaccheroni, ficou claro que era com ele. O ‘Toro’ de De Biasi foi completamente diferente do de seu antecessor em termos de determinação.

De Biasi investiu imediatamente em uma defesa mais sólida e experiente, de quem esperava um retorno pela confiança e deu certo. O Cagliari não merecia perder, mas o Torino mostrou-se mais aguerrido do que nos jogos anteriores, como deve ser um time que não quer cair. Será que essa será a marca do time daqui para frente? É muito provável.

O sucesso de De Biasi passa pela recuperação completa de três nomes: os meias Rosina e Lazetic e o atacante Konan. O primeiro é indiscutivelmente a grande promessa do clube e estava indisposto com Zaccheroni. Rosina pode ser o nome em torno do qual o Torino pode se consolidar, mas têm de ser domado. ‘Zac’ já tinha perdido a aposta.

Lazetic, um meio-campista ágil e que pode combinar mobilidade no ataque e ocupação de espaços no meio-campo. Sua irregularidade significava um mau aproveitamento das jogadas de linha de fundo, que são essenciais para o titular do jogo contra o Cagliari (Abbruscato) ou para Konan, jogador que no Lecce já deixou claro ter potencial.

No final de semana, o ‘Toro’ tomou uma paulada feia, mas o 5 a 1 do Artemio Franchi foi mais uma prova fiorentina de como seu time poderia estar lutando pelo titulo se nao fosse a punição do começo da temporada do que um demérito do Torino. Não resta dúvida quanto à limitação do elenco piemontês, mas o placar foi justo na partida, não no campeonato.

Diante da tabela, dá para concluir que o Torino está em uma situação quase desesperadora. Contudo, com mais de dez rodadas ainda por disputar, um bom elenco e um treinador acostumado a apagar incêndios, a torcida ‘granata’ pode manter a esperança de que ano que vem possa ver o clássico com a Juventus no Filadélfia. Claro, se a Juve subir, como tudo indica.

O recorde pára em 17, mas…

A Inter não jogou uma partida excepcional contra a Udinese em San Siro. Mais: não teria sido um resultado totalmente injusto se o belo gol de Obodo tivesse dado três pontos ao clube de Udine. E assim, a seqüência de vitórias interista se interrompeu. Sabe o que isso quer dizer? Nada.

O único time que pode tirar algum proveito – psicológico – da interrupção da série é a Udinese. De fato, sob o comando de Alberto Malesani o time teve melhoras consistentes, especialmente na evolução de Obodo e Muntari, que representam a força do meio-campo. Mas para a Inter, não há efeito negativo nenhum.

A supremacia interista é tamanha que é normal que os jogadores comecem a economizar forças para a Liga dos Campeões, onde terão de bater um difícil Valencia na Espanha. Todo o time jogou num ritmo abaixo do normal.

Mais sério do que o fim da seqüência de vitórias são as contusões que afligem a líder. Jogando com somente Dacourt na marcação, a Inter perde muito de sua força. Vieira e Cambiasso certamente representam a solidez que deu a supremacia à equipe nesta temporada. Adriano, que sofreu uma lesão muscular, também fica à mercê de uma possível nova contusão caso seja aproveitado em Valencia.

Bianchi, a segunda alegria da Reggina

A Reggina começou o campeonato rebaixada. Os onze pontos de penalização fizeram do time ‘amaranto’ o favorito para a queda. Só que uma campanha brilhante até aqui deram chances reais ao clube de Reggio Calábria de ficar na divisão máxima assim mesmo. Se conseguir a proeza, não obstante a punição, deve ser a conquista mais festejada do clube e de sua torcida.

Uma outra conquista pode ser celebrada pela torcida da Reggina – e desde já. É a fase do atacante Rolando Bianchi, 14 gols em 24 jogos e muito provavelmente o melhor atacante italiano no campeonato.

Bianchi, hoje com 24 anos, era considerado uma grande promessa quando apareceu nos juvenis da Atalanta, o eterno celeiro de craques da Itália. Em Bérgamo, sua chance não apareceu e em três temporadas como profissional, fez 20 jogos e não marcou nenhuma vez (fez 10 gols em 32 jogos pelo ‘expressinho’ da Atalanta).

Vendido ao Cagliari, foi tratado com um descaso similar. Passou um ano na Sardenha, marcando meros dois gols em 25 jogos, foi esculhambado pelo presidente do clube e rifado para a Reggina, quando já era dado como um mico. Uma contuão não facilitou sua vida e atrapalhou sua primeira etapa no estádio Oreste Granillo, quando só fez nove jogos e marcou uma vez.

Neste ano, finalmente desabrochou. Bianchi é a alma do ataque ‘amaranto’. Com 1m78, Bianchi é bastante leve (67 kg) mas forte o suficiente para suportar a marcação adversária. Seu companheiro de ataque, o ex-juventino Nicola Amoruso, faz mais o papel de se bater com a defesa rival.

Bianchi dificilmente fica na Reggina na próxima temporada. Na última janela de transferências, quase acabou no Palermo e só não foi vendido porque o clube calabrês sabe que cedê-lo praticamente significa o rebaixamento. Seu espaço na seleção italiana está amadurecendo.

– Desde o início da temporada, não houve uma semana na qual a servil imprensa espanhola não noticiasse que Kaká já estaria acertado com o Real Madrid.

– A última lorota diz que o acordo envolve Cannavaro, Diarra e mais €30 milhões.

– Aliás, falando no zagueiro é curiosa a situação dele e de Emerson no Real Madrid.

– Mesmo sem jogar mal, os dois pagam o preço de terem sido chamados por Fabio Capello, técnico para o qual a torcida torce o nariz.

– Os dois, mais o atacante Cassano, têm grandes chances de jogar na Itália na próxima temporada. De verdade.

– Cada vez menores as chances de Dida continuar no Milan na próxima temporada.

– A Fiorentina venderá ao menos um atacante na próxima temporada.

– Especula-se que um titular e um reserva devem deixar o clube em definitivo.

– Isso porque Bojinov volta à base depois de seu ano na Juventus.

– Luca Toni seria o nome a ser vendido, juntamente com Reginaldo.

– Pazzini, Mutu, Lupoli e Bojinov seriam os quatro nomes do setor Fiorentino em 2007/08.

– Esta é a seleção Trivela da 27a rodada:

– Pantanelli (Catania); Oddo (Milan), Bonera (Milan), Gamberini (Fiorentina) e Zauri (Lazio); Alvarez Reyes (Messina), Soncin (Ascoli) e Foggia (Reggina); Toni (Fiorentina), Bianchi (Reggina) e Ibrahimovic (Inter).