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Internazionale: o perfil da campeã

A Inter de Milão é um clube de muitos paradoxos. Imensa em sua história, vivencia episódios dignos de time de várzea na sua gestão; gigante na torcida, não raro vê os problemas vindos da arquibancada; cheia de craques, acaba sendo salva por jogadores comuns com uma periodicidade maior do que a previsível.

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IbrahimovInter

Dificilmente um jogador é bom o suficiente para decidir um jogo sozinho. Quando usamos a expressão “fulano acabou com o jogo”, em grande parte das vezes estamos exagerando, na tentativa de fazer um elogio à performance de um determinado atleta. Mas neste domingo, não foi este o caso.

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Sete times e 90 minutos

Era uma vez um campeonato que, durante todo o ano, teve altos e baixos (mais baixos do que altos). Mas na sua última rodada, não. Tudo mudou. Sete entre seus vinte times entrariam em campo nos últimos 90 minutos precisando vencer para garantir alguma coisa. Até o título sairia de um jogo do líder contra um time que tinha que ganhar para não cair, além de torcer para o vice-líder bater outro ameaçado numa outra partida.

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O dérbi dos dérbis

Um dérbi sempre pára uma cidade. Mesmo se são dois clubes de níveis muito diferentes (como Bayern Munique x Munique 1860, Fulham x Chelsea, Barcelona x Espanyol), as cidades são tomadas por uma energia diferente. Mas nos dérbis entre grandes clubes, como o de Milão, isso transcende.

O “Dérbi da Madonnina” é o único encontro entre clubes da mesma cidade que já venceram a Copa dos Campeões. Juntos, os dois times têm 9 Copas dos Campeões, 32 ‘scudetti’, 10 Copas Itália, duas Recopas, três Copas Uefa (todas da Inter) e 7 Mundiais. Apesar de não haver nenhum ódio irracional entre as duas torcidas, certamente é uma partida que movimenta a cidade em qualquer circunstância. Mas o desta semana será especial.

O que faz o jogo de domingo assim tão especial é que jamais nenhum dos dois times se sagrou campeão vencendo o rival. A Inter garante o terceiro título consecutivo se bater o Milan; se ganhar, o Milan aumenta suas chances de ir para a Liga dos Campeões e mantém vivo o sonho da Roma de surrupiar um título impossível.

Milão já está tensa. Provocações – saudáveis – de parte a parte estão diariamente nos jornais e o presidente da Inter, Massimo Moratti, declarou que quer o título na partida com o rival. O atual campeão mundial rebate dizendo que o jogo não define nada, porque a Inter está com uma mão na taça e o Milan está muito longe na tabela.

Sob a ótica do ‘scudetto’, a Inter tem muito pouco com que se preocupar. Mesmo perdendo, ainda tem dois jogos para conquistar os três pontos necessários, contra Siena (fora) e Parma. Ou seja: o sucesso do Milan teria, de qualquer forma, só um gostinho de rivalidade, ainda que pudesse deixar a rival a uma derrota de perder o troféu.

Certamente é o Milan que tem mais motivações para o jogo: pode adiar o título em uma semana, precisa desesperadamente dos pontos para ir à Liga dos Campeões e vem reencontrando a sua forma num momento decisivo. Além disso, não vence desde 2006, quando Kaladze fez o gol da vitória.

Só que a Inter, mesmo sem a forma das últimas partidas do Milan, é a favorita. Liderou o torneio de ponta a ponta e apesar de várias intempéries, nunca foi realmente ameaçada. Ibrahimovic não deve fazer falta, especialmente com a boa fase dos meio-campistas e do injustiçado Júlio Cruz.

Clássicos têm uma aura diferente. Os jogos não se decidem só por qualidade técnica, mas por aquele time que sabe segurar os nervos. Este Milan x Inter (que já está com os 81 mil ingressos vendidos) tem tudo para ser épico, um jogaço. Mesmo sem uma disputa direta entre os dois, tem tudo em jogo. Os dois times sabem disso e deixam isso claro.

Estádio novo, bolso cheio

E o estádio da Juventus vai sair mesmo. E acredite ou não, a Juve ficará ainda mais rica com a construção. Mesmo sendo um time que tem um dos maiores orçamentos do futebol europeu (cerca de €200 milhões), um documento publicado na semana passada pelo clube anuncia que a expectativa é que a obra aumente a arrecadação em 15%.

O clube agora estuda propostas de empresas interessadas em dar nome ao estádio. Inicialmente esperava-se que a Fiat fosse participar da operação, mas a concorrência está aberta a interessados. Naturalmente, outras marcas automobilísticas estão descartadas. O contrato deve ter a duração de 12 anos.

O novo estádio da Juventus terá 41 mil lugares (com capacidade de ampliação), o que é mais do que suficiente para a média de público da Juventus (em torno de 21 mil pessoas por jogo), ficando pronto para a temporada 2011/12. A empresa que fará o estádio, a Sportfive, terá direito de vender o nome até 2023, metade da arrecadação com shows e a gestão da tribuna VIP. O custo previsto é de €100 milhões.

Leffe super, Bologna K.O.

A exemplo do que aconteceu no ano passado, a sorte parece não estar sorrindo para o Bologna. Depois de fazer uma Série B excelente, o time emiliano começa a por a língua para fora. E neste final de semana, uma derrota para o Albinoleffe pode ter sido o divisor de águas para o clube do Renato Dall’Ara.

“Albinoquem?”. Albinoleffe, para quem não conhece, é o segundo time de Bérgamo e o maior rival da Atalanta. Coser; Foglio, Gervasoni, Serafini, Peluso; Garlini, Del Prato, Carobbio e Cristiano; Cellini; Rupolo. O time que entrou em campo contra o Bologna certamente não é um “All Stars”, mas mesmo assim corre o “risco” de conseguir a vaga na Série A sem precisar de ‘playoff’.

O ponto é que o Bologna é um time sem fôlego. Está visivelmente extenuado e com a preparação física em queda. Contra o Albinoleffe, mesmo jogando em Bérgamo, teria condição de bater fácil o adversário. Exemplo: em todo o primeiro turno, o time tomou só nove gols, mas nas últimas seis teve a meta de Antonioli violada (a última vez que saiu sem tomar gol foi contra o Treviso, em 18 de março).

O ‘Leffe’ foi, junto com o Lecce, o único dos concorrentes à promoção que venceu na rodada. Brescia, Pisa e Chievo empataram – também porque já demonstram também um certo cansaço. Pode ser um bom sinal para o clube bergamasco que, a cinco rodadas, estaria classificado diretamente hoje.

Curtas

– Entre os 10 jogadores que podem deixar o Milan no próximo mercado, a média de presenças e gols deixa claro o “porquê” de suas possíveis saídas.

– Dida, Cafu, Digão, Simic, Serginho, Ba, Emerson, Gourcuff, Gilardino e Ronaldo jogaram, em média, 10 jogos e fizeram 1,2 gols cada um na temporada.

– Sem Gilardino, a média de partidas dos nove jogadores é de oito cada um durante todo o ano.

– O dérbi de Milão se chama “da Madonnina” em homenagem a uma estátua de Giuseppe Perego, finalizada em 1774, que fica em cima do Duomo de Milão, um dos símbolos da cidade.

– A Inter faz gol em partidas da Série A quando joga em casa há 56 rodadas.

– O recorde é do Torino: 76 partidas, na década de 50.

– Seleção Trivela, 35a rodada:

– Manninger (Siena); Santacroce (Napoli), Kaladze (Milan), Chiellini (Juventus) e Chivu (Inter); Camoranesi (Juventus), Pizarro (Roma) e Seedorf (Milan); Julio Cruz (Inter), Inzaghi (Milan) e Mutu (Fiorentina).

Sinal amarelo

No clima pesado da entrevista coletiva depois da eliminação da Inter de Milão na Liga dos Campeões na última terça-feira, o técnico Roberto Mancini entrou de cara fechada. Era de se esperar. O que caiu como uma bomba foi o anúncio do técnico de Jesi que sairia do clube ao final a temporada. “Creio que estes sejam meus últimos dois meses e meio na Inter”, disse Mancini, antes de se retirar e deixar a imprensa em polvorosa.

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Vexame Nacional

Sob uma chuva torrencial, o Milan conseguia um empate no Celtic Park que, numa Liga dos Campeões, não estava saindo mal. Dentro de casa, o time escocês é sempre um adversário tinhoso e na Europa, um pontinho fora nunca é ruim. Foi quando o zagueiro Caldwell bateu na bola, especulativamente, em direção ao gol do Milan. Com o terreno molhado, Dida concedeu o rebote e este caiu nos pés do australiano Scott McDonald. Daí não teve jeito: gol do Celtic e frenesi dos ‘Bhoys’.

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Voltando do inferno

No dia da final da última Copa do Mundo, quando David Trezeguet mandou a bola por cima da trave de Buffon – seu companheiro de Juventus – na disputa de pênaltis, provavelmente já deveria pressentir que a sorte não lhe sorria. A temporada seguinte começaria marcada para ele e seria dura. Muito dura.

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Fio da navalha

Até algumas temporadas atrás, o Campeonato Italiano primava pela estabilidade. Um torneio duro e equilibrado exigia isso. O clube que se desfizesse do treinador prematuramente aumentava em muito as chances de ser rebaixada, porque o entrosamento era condição indispensável para evitar a queda para a segunda divisão.

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