Este parecia ser o ano em que Adriano finalmente iria estourar. Procurada pelos maiores clubes da Europa, a Inter disse ‘não’ e manteve o brasileiro em Milão. Com uma Inter um ano mais entrosada, se esperava que o brasileiro não precisasse ser o único a salvar a pátria interista a cada vez que as coisas não andassem às mil maravilhas.

Só que primeiro, Adriano teve problemas com sua namorada e entrou em crise. Depois, se machucou. E seja qual a razão, o fato é que o “Imperador” ainda não engrenou. E agora, com o campeonato a sete rodadas do final, a velha pressão interista precisando de culpados em mais um ano aparentemente sem títulos voltou a dar as caras. Alvo? Se precisa ser o ‘Imperador’, que seja.

Uma coisa é verdade. Se Adriano começou o ano turbinado (cinco gols nas duas primeiras partidas da Série A), também é verdade que ele não anota nenhum gol pelo campeonato desde 14 de janeiro, quando marcou em San Siro contra o Cagliari. Somente um gol no segundo turno não é uma marca digna de quem se esperava de 25 a 30 gols.

Outra coisa é inegável: ninguém vai poder falar que Adriano não teve o apoio do técnico Roberto Mancini. Mesmo estando sob processo por parte da diretoria e da torcida, Mancini manteve Adriano sabendo de sua capacidade. E também porque sabe que o elenco de atacantes interista não é o máximo. Nenhum entre Julio Cruz, Martins e Recoba se equipara ao brasileiro.

Sob uma ótica interista, o atual campeonato já está comprometido. Uma Inter vencedora da Liga dos Campeões é tão improvável quanto era o Liverpool no ano passado – o que sugere que é possível. Mas na Série A, é um abraço. E naturalmente – outra prática interista – já se comentam dezenas de nomes para o setor, que chegariam em junho, de Agüero até Henry.

A culpa da má fase de Adriano não é dele. Ao contrário de Carlo Ancelotti ou Fabio Capello, que podem descansar seus jogadores mandando a campo outros igualmente bons, a Inter tem Adriano, e eventualmente desfruta das boas fases dede um ou outro atacante, mas quando depende de Recoba, por exemplo, fica a ver navios.

Mas sob uma ótica mais importante para o brasileiro – aquela da seleção – a crise de Adriano pode ter impacto significante. Teoricamente, o interista fará com o ex-interista Ronaldo a dupla de ataque na Copa. Mas como fará Parreira para dar uma vaga de titular a um jogador que marcou um gol nos últimos sessenta dias? O real perigo para o Brasil é de que Adriano se deprima com a má fase no clube e chegue na Copa inseguro.

Que Milan!

Você já parou para ver os números do segundo turno milanista? Pois dê uma olhada: foram 30 pontos em 36 possíveis, 27 gols marcados e somente três sofridos. O ataque de média 2,25 por jogo só é superado pela Roma. Mas o grande diferencial é na defesa. A Roma, segunda melhor, tomou oito gols; a Juve, dez. Isso, com Dida num momento ruim, como ele mesmo admitiu.

O curioso de se anotar é que a defesa melhorou no momento em que Maldini, Cafu e Stam precisaram ir ao departamento médico. O paleozóico Costacurta tem jogado bem, mas é a dupla central Kaladze-Nesta que transformou a gelatinosa defesa milanista do primeiro turno num bunker impenetrável.

Se Nesta não surpreende ninguém, Kaladze é uma revelação. O georgiano é hoje o melhor central na Itália, e a tendência é a de que o setor melhore daqui para o fim da temporada. O elenco está em franca ascensão física, e a Dida tende a voltar ao seu melhor nível quando joga com uma zaga sólida – fora, o retorno gradual de outro ‘nonno’, Paolo Maldini.

Série A? Se diz na Itália que o Milan quer sim o título italiano, mas que há um pacto para não se tocar no assunto. Primeiro, para não estimular a Juventus e segundo por superstição. Oito pontos em sete rodadas são impossíveis de serem revertidos? A história recente diz que não.

Em 1999, o Milan tirou sete pontos de diferença da Lazio em sete rodadas e foi campeão; em 2000, a Lazio tirou nove em oito rodadas e ganhou o título; e em 2002, a Juve tirou seis pontos da Inter em cinco rodadas e fez Ronaldo chorar no banco de reservas do Olímpico. Campeonato ainda sob controle da Juventus, mas com a preocupação LC, o Milan pode sonhar.

Trocando de técnico: sim ou não?

Na Série A, mandar o treinador embora tem um preço. Alto. Se o time está na zona de rebaixamento, a demissão de um e contratação de outro usualmente acaba com o substituto afundando junto. Se não, o clube que demite tende a se arrepender. Não se trata de uma verdade absoluta. Basta ver o Palermo, que depois da saída de Luigi Del Neri, melhorou sua performance. Mas no caso do Livorno, a regra valeu. E como.

A derrota por 2 a 1 em Empoli foi a quarta seguida do Livorno depois de ter demitido Roberto Donadoni, que tinha a equipe numa incrível sexta posição. Pela primeira vez desde o começo do campeonato, o Livorno deixou a zona Uefa e os sinais não são muito animadores.

Por outro lado, em Palermo, a saída de Del Neri não trouxe mágoas. O clube ‘rosanero’ está a dois pontos da zona Uefa que o Livorno deixou para lá, e foi eliminado na semana retrasada na Copa Uefa com um gol do Schalke 04 nos últimos minutos da partida.

– E, quem diria, Billy Costacurta pode ir para a Copa de 2006 com a seleção italiana.

– Antes que você pense que este colunista ou Marcello Lippi estão variando, cabe a informação: Lippi quer Costacurta para seu assistente, junto com Ciro Ferrara.

– A filha de Lippi é amicíssima da esposa de Costacurta e parece que há uma relação próxima entre as
famílias.

– O jornal espanhol Marca garante que Carlo Ancelotti é o treinador do Real Madrid a partir de junho.

– Na Itália, o Milan desmente, e Ancelotti ganhou até uma renovação até 2008.

– “Tudo jogo de cena”, afirma o Marca.

– Depois do final da campanha do Milan na LC, ficaremos sabendo.

– Esta é a seleção Trivela da 31ª rodada da Série A:

– Bucci (Parma); Costacurta (Milan), A. Lucarelli (Reggina), Mexes (Roma) e Oddo (Lazio); Amauri (Chievo), Obodo (Udinese), Emerson (Juventus); Kaká (Milan); Tavano (Empoli) e Makinwa (Palermo)