Com apenas 12 rodadas do Italiano, já deu para ver que o ‘scudetto’ desta temporada, salvo uma surpresa incomum, vai ficar com Juventus ou Milan. Entre a Juve e a terceira colocada Udinese já são 12 pontos de diferença, ou seja: o time de Fabio Capello está abrindo uma média de um ponto por rodada até aqui, e somente o Milan de Carlo Ancelotti é que está mantendo a líder na alça de mira.

Eu disse de Ancelotti? Bem, na verdade, deveria dizer de Andriy Shevchenko. O time do Milan, na verdade, ainda não decolou, e tem várias razões para tanto. Mas enquanto os atuais campeões não engrenam, o ucraniano vai resolvendo e arrastando ‘i rossoneri’ sozinho, ou quase.

Nas duas últimas partidas que Sheva não jogou, o Milan não conseguiu vencer. Um Crespo esforçado, mas fora de ritmo, não conseguia segurar a onda de um time que não é tão seguro na defesa, é opaco na criação e contenção do meio-campo, e não consegue verticalizar as ações por 90 minutos, dando chances para os adversários reverterem a vantagem.

O time se ressente da ausência de Stam (que mal jogou e já é indispensável), do cansaço nítido de Gattuso, de uma fase técnica insuficiente de Kaká e Seedorf, e da agonia de não saber quando volta o verdadeiro Inzaghi (capaz de levar o time nas costas quando Shevchenko atravessou uma má faz)… Mesmo com tudo isso, o número 7 do Milan ainda consegue deixar o Milan perto da Juve.

A Juve? Sim, tem jogado um futebol mecânico, burocrático e físico, sem nenhuma de suas estrelas brilhando, mas compensa isso com uma concretude assombrosa. Não toma gols (4 em 12 jogos), marca com constância (23 em 12 partidas) e é de um cinismo típico de Capello.

E dá para falar de um duelo de verdade de um time contra um jogador? O fato é que tudo indica que o Milan ainda vai encontrar seu melhor futebol, provavelmente depois que Crespo pegar ritmo, Kaká e Seedorf se ajeitarem e Stam voltar para a defesa. Mas a Juve também tem garrafas para vender: Trezeguet está contundido, Del Piero ainda não jogou o que pode e Nedved também não.

O que esse panorama sugere é que, de fato, Milan e Juventus são os times que lutarão pelo título, que aumentarão a vantagem em relação aos demais, e que podem ter um segundo turno melhor do que o primeiro, caso todos os jogadores atinjam seus auges. Caso a Juventus não abra uma folga, é possível que a primavera européia mostre um duelo de arrepiar. Inclusive na Liga dos Campeões.

Moratti dá um aviso a Mancini

A Internazionale é um clube que, se fosse um paciente, teria seu quadro diagnosticado como sendo de um maníaco depressivo. Uma vitória sobre o Livorno é capaz de fazer a Inter pensar em ‘scudetto’; uma derrota para o Real Madrid, joga o time de Via Durini em crise. Nesse cenário ‘paradisíaco’, o técnico Roberto Mancini está começando a entender o que fez Christian Vieri dizer, há três anos, que “jogar na Inter é um verdadeiro inferno”. Vieri se retratou, mas o ato falho foi muito claro, e, de fato, o jejum de títulos tornou a pressão insuportável.

Depois do décimo empate em doze rodadas, o presidente do clube, Massimo Moratti, declarou que “o cargo de Mancini não está em discussão”, e que a Inter que empatou em Cagliari era “horrenda”, nas palavras do cartola. “É inadmissível que o Cagliari tenha feito três gols em três chutes, e a Inter tenha feito a mesma coisa em 21 tentativas”, disse Moratti á Gazzetta Dello Sport.

Mas o que Moratti quis dizer: que a Inter tem a defesa ruim ou o ataque ruim? Ele quis dizer que Mancini que se cuide, isso sim. Todos os elogios feitos ao time nos últimos meses podem ser jogador no lixo, caso o time miliardário montado para esta temporada não seja capaz de exibir um jogo convincente. É possível que Mancini consiga terminar a temporada no cargo sem ser campeão, mas se tiver um desempenho medíocre, terminará o campeonato é sem emprego.

O treinador Mancini tem de tirar um coelho da cartola. Por que? Porque precisa fechar uma defesa sem ter zagueiros para tanto. Além disso, precisa fazer a Inter jogar bonito, sem ter de encher o meio-campo de marcadores, pois não poderia ir contra o seu credo futebolístico.

No papel, Mancini tem nomes para fazer um excelente meio-campo. Se escalar Davids e Verón na faixa central, pode usar Stankovic e van der Meyde como alas, montando um setor fortíssimo tanto física, quanto tecnicamente. Na frente, tem opções de sobra. O pepino mesmo é na retaguarda, onde, mesmo comprando avidamente, a Inter é carente. A menos que se considere Mihajlovic e Materazzi uma zaga segura.

Parece que foi ontem, mas o goleiro juventino Gigi Buffon completou, contra o Lecce, 150 jogos vestindo a camisa do clube

Shevchenko entrou para o seleto grupo dos artilheiros com mais de 100 gols pela Série A italiana

Exceção feita à temporada 2002/2003, quando não jogou boa parte do torneio, contundido, em suas outras quatro temporadas, o ucraniano marcou mais de dez gols

Neste ano, já tem nove gols; ao todo, Sheva já disputou 162 jogos pela máxima divisão italiana, fazendo uma média de 0,59 gols por partida

Se a Inter empatar mais dois jogos nesta temporada, baterá seu recorde de empates num mesmo torneio, que remonta ao longínquo ano de 1949, ano em que o Torino tetracampeão consecutivo perdeu todo o seu time no desastre de Superga

Falando na Inter, adivinhe: o time de Appiano Gentile quer contratar!

O novo nome na mesa de Massimo Moratti é o de Sol Campbell, zagueiro do Arsenal, e o meio-campista Stefano Fiore, atualmente no Valencia

São seis os debutantes na ‘Azzurra’ de Marcello Lippi que enfrenta a Finlândia, num amistoso a ser disputado em Messina

São eles: o goleiro Roma, os zagueiros Barzagli, Parisi e Chiellini, o meia Mauri e o atacante Caracciolo

Goleiros: Pelizzoli (Roma), Roma (Monaco – FRA)
Defensores: Barzagli (Palermo), Bonera (Parma), Chiellini (Fiorentina), Materazzi (Inter), Parisi (Messina), Zaccardo (Palermo).
Meio-campistas: Barone (Palermo), Blasi (Juventus), De Rossi (Roma), Diana (Sampdoria), Esposito (Cagliari), Mauri (Udinese).
Atacantes: Caracciolo (Brescia), Miccoli (Fiorentina), Montella (Roma), Toni (Palermo).

Esta é a seleção Trivela da 12a rodada do Italiano

Eleftheropoulos (Messina); Biava (Palermo), Cannavaro (Juventus), Martinez Vidal (Brescia) e Pessotto (Juventus); Camoranesi (Juventus), Corini (Palermo), Emerson (Juventus) e Jorgensen (Fiorentina); Langella (Cagliari) e Shevchenko (Milan)