É para comemorar: depois de vários anos de encrencas ligadas à maracutaias mais variadas – que vão de doping a compra de árbitros – o Italiano desta temporada começou sem nenhum problema extra-campo e ainda de quebra teve ótimas partidas, estádios cheios e candidatos ao título mostrando as suas armas.

Se fosse necessário apontar um problema comum a todas as equipes, seria a falta de fôlego – que é absolutamente normal nesse ponto do campeonato. Não é coincidência que todas as equipes tiraram o pé do acelerador no segundo tempo, com exceção feita à Juventus, que foi agraciada jogando à noite.

No geral, foram poucos os clubes que não demonstraram ter armas para fazer um bom papel na temporada, com destaque natural ao retorno da Juventus à primeira divisão, diante de um estádio Olímpico de Turim lotado. Com uma ‘tripletta’, David Trezeguet deixou claro ao técnico da seleção francesa que terá trabalho em não chamá-lo para os ‘Bleus’. Nota negativa para o chute na bunda que Silvio Baldini, técnico do Catania, deu em Domenico Di Carlo, comandante do Parma. Um episódio digno do futebol italiano que se espera tenha sido enterrado com “Moggiopoli”.

Bons começos

A primeira re-estréia juventina na Série A não poderia ter sido melhor. Ok, foi em casa, contra um rival de menor porte e à noite – sem o calor de 30°C que massacrou os outros times. Mesmo assim, a performance determinada da ‘Vecchia Signora’ foi um sinal inequívoco de que as falhas que o time ainda possa ter (falta e entrosamento na zaga, menor inserção de Salihamdzic e imaturidade de Nocerino) são mais do que contornáveis.

O campeão europeu Milan teve um início bem mais hostil, indo a Genova sem torcida (por receio de represálias pela morte de um genoano 12 anos atrás – e não por falta de adequação do estádio às normas Uefa, como erradamente informou um comentarista brasileiro). O time cansou no segundo tempo, mas no primeiro, Kaká, Ambrosini e companhia estavam ligados no 220V. Exceção feita a Gilardino – claramente o elo fraco, especialmente se joga como único atacante – o time foi muito bem e deve crescer ao longo dos meses com o melhor preparo físico.

Em Empoli, no dérbi toscano, a Fiorentina também esclareceu que quer mais do que a Copa Uefa. Sem sentir a menor falta de Luca Toni, o trio ofensivo proposto por Cesare Prandelli (com Pazzini pelo meio) liquidou o bom Empoli. Com um meio-campo que tem o único marcador mais à direita (Donadel, como Gattuso no Milan), a Fiorentina conseguiu armar uma excelente defesa e alternar os armadores entre meias (Montolivo, Liverani) e atacantes (Mutu, Santana).

Ainda entre os que começaram acelerando, a Roma foi a Palermo e não tomou conhecimento do time do Renzo Barbera – ainda que este não tenha sido ruim. Luciano Spaletti manteve o aspecto tático do ano anterior e teve bons resultados testando Giuly e Cicinho pelas laterais do ataque. A referência ainda é Totti (que, sem substitutos, pode ser o problema crônico do time), mas as alternativas agradaram. Vucinic, Giuly, Cicinho, Aquilani são todos eles nomes que agregam alguma coisa ao banco ‘curto’ que Spaletti tinha no ano anterior.

Patinando

A campeã Inter, ao contrário, foi uma das que não partiram com a força esperada. Pode-se ‘culpar’ a expulsão justa de Júlio César pelo empate da Udinese, mas uma carência grande na direita do time. Surpreendentemente, Roberto Mancini concordou que se perde Maicon, fica com o time penso, já que Stankovic tende a jogar mais pelo meio. Diante da Udinese, o time esteve longe de ser brilhante e o gol de empate dos friulanos foi uma bobeada feia de toda a defesa – especialmente do excelente Córdoba.

Quem também rateou foi a Lazio que, em casa, não superou um valente Torino. O jogo foi excelente, só que o time da casa repetiu a exibição vacilante do jogo da LC contra o Dínamo Bucareste: só depois que Rosina abriu o placar é que a Lazio pensou em reagir. Para piorar, o técnico Delio Rossi perdeu o defensor Diakhité, com uma fratura. O potencial está ali, mas a Lazio precisa se aplicar na concentração e no preparo físico.

Já assustando

No setor “pode ser terror”, o Napoli vem em primeiro lugar, ao lado do Livorno, com a diferença que jogou em casa e contra um rival à altura – mas mesmo assim perdeu. O Cagliari não é exatamente um Real Madrid e perdeu vários de seus melhores jogadores (como Suazo e Esposito). As contratações tardias de Zalayeta e Blasi devem dar ao time uma dimensão diferente, assim como as inserções de Lavezzi, Hamsik e Contini. Mas é preciso ficar esperto: esta temporada não tem nenhum bobo na Série A e desperdiçar pontos agora é arriscado. O alarme já deu resultado e o técnico Reja já anunciou mudanças para a partida desta quarta-feira na Copa Itália.

No caso do Livorno, a derrota para a Juve em Turim poderia até ser normal, não fosse pela diferença de quatro gols. Ok, Tavano é um bom atacante, assim como Rossini e o meio-campo robusto montado por Fernando Orsi tem tudo para atravessar incólume a temporada, mas certamente precisa de maior coesão entre defesa e meio-campo. Com o retorno de Giannichedda, é possível que Orsi opte por dar maior liberdade aos alas e jogue só com um atacante. Ainda assim, é pouco. Sem o capitão Lucarelli, que foi para a Ucrânia, agora não há mais nenhum salvador.

CURTAS

– Silvio Baldini, pela bica que deu no técnico do Parma, tomou um gancho de mais de um mês e só volta em 30 de setembro.

– Resposta de Adriano Galliani, vice-presidente do Milan, à possibilidade de contratar Adriano, o atacante da Inter: “Um sonho”.

– Simone Inzaghi, irmão de Pippo, vai à Atalanta tentar retomar a sua carreira, já que na Lazio tinha chance zero.

– O goleador Série B do Messina, Christian Riganó, seguiu para a Espanha, destinação Levante.

– Se algo vai mal na Juventus é o inserimento de Tiago, o volante português contratado ao Lyon.

– Ranieri acha Tiago muito parecido com Almirón e prefere o argentino. Como Nocerino é opção certa, Tiago foi para o banco e não está feliz.

– Doni (Roma); Oddo (Milan), Nesta (Milan), Criscito (Juventus) e Rossi (Parma); Montolivo (Fiorentina), Aquilani (Roma), Ambrosini (Milan); Kaká (Milan); Trezeguet (Juventus) e Pazzini (Fiorentina).