Finalmente, depois de anos de escândalos, desgraças, rebaixamentos, tapetões e baixarias, começa no sábado um Italiano sem nenhum atraso além do previsto e sem ninguém chiando. Um verdadeiro milagre que só faz a felicidade de quem está com saudade do ‘Calcio’.

A temporada começou oficialmente com o encontro entre Inter e Roma em Milão. Num jogo mediano, o time da casa entregou os pontos para os ‘giallorossi’, mas o resultado ainda não pode ser visto como um termômetro para o campeonato. Visivelmente fora de forma física, os dois clubes sofreram para jogar e o gol saiu num pênalti bisonho de Burdisso.

Apesar da Inter ter se mostrado mais tônica – com um meio-campo estelar com Vieira, Dacourt, Cambiasso e afins, a Roma traz da temporada anterior um entrosamento que seus concorrentes não têm – pelo menos no que exibiram até agora.

Entre as estréias dos dois times, Chivu, Suazo e Giuly tiveram performances diferentes. Chivu não decepcionou inserindo-se rapidamente, mas Suazo e Giuly ainda patinam em seus novos clubes. O hondurenho teve poucas chances de explorar a sua velocidade típica e o francês errou demais nos arremates.

A Supercopa vale alguma coisa? Não, não vale. Raramente o sucesso no troféu se reflete em uma dominação na Série A. Apesar disso, a Roma pôde se perceber em condições de enfrentar a Inter – pelo menos no começo da temporada. Depois, como no ano passado, o banco de reservas mais curto pode se fazer sentir.

Guia da Série A – Final

Nesta semana, a Trivela finalmente completa a sua apresentação da temporada com os últimos cinco clubes – exatamente os que acabaram a temporada anterior nas primeiras posições. Inter, Roma, Lazio, Milan e Palermo, salvo surpresas, devem ser os clubes em condições de lutar por objetivos mais altos no torneio.

Inter de Milão

Nome do Clube: Football Club Internazionale Milano SpA
Estádio: Giuseppe Meazza “San Siro” (85.700 pessoas)
Principal jogador: Zlatan Ibrahimovic (atacante).
Fique de olho: Ivan Fatic (meio-campista).
Competição continental que disputa:
Contratações: Cesar (defensor, Livorno), Chivu (defensor, Roma), Rivas (defensor, River Plate – ARG), Jimenez (meio-campista, Lazio), Fatic (meio-campista, Chievo), Suazo (atacante, Cagliari).
Quem saiu: Carini (goleiro, Murcia – ESP), Andreolli (defensor, Roma), Grosso (defensor, Lyon – FRA), Gonzalez (meio-campista, Porto – POR), Choutos (atacante).
Técnico: Roberto Mancini.
Objetivo na temporada: Título da Série A e da Liga dos Campeões.

A (bi)campeã italiana entrou naquela que deve ser a sua temporada mais difícil. Detentora de um título ganhado no campo (e outro no tribunal), o clube de Milão precisará mostrar que conquistou os seus prêmios por méritos próprios e não pelos problemas enfrentados pela concorrência.

Com um time basicamente intacto, a Inter só adicionou o romeno Chivu à sua linha defensiva, o que deve dar ainda mais solidez a um setor que já se comportara bem no último ano. Fosse necessário apontar as incógnitas, é preciso saber se Maicon poderá ter a liberdade que gosta para descer ao ataque com um torneio mais duro. O cerne do jogo interista continua sendo o formado por Vieira-Stankovic-Ibrahimovic, notoriamente um dos melhores do mundo no papel.

Os desafios da Inter são três: o primeiro, enfrentar um campeonato onde os concorrentes têm força total; o segundo, provar que tem capacidade e equilíbrio psicológico sem ter vantagens ocasionadas por punições aos rivais; o terceiro é o de jogar campeonato e LC determinada a buscar o primeiro lugar. Se vencer em 2008, ninguém poderá argumentar que a Inter ganhou um ‘scudetto’ de papel, como ocorreu em 2007.

Roma

Nome do Clube: Azienda Sportiva Roma SpA.
Estádio: Olímpico (82.922 pessoas).
Principal jogador: Francesco Totti (meio-campista).
Fique de olho: Marco Andreolli (defensor).
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões.
Contratações: Juan (defensor, Leverkusen – ALE), Kuffour (defensor, Livorno), Andreolli (d, Inter), Alvarez (meio-campista, Messina), Brighi (meio-campista, Chievo,), Pit (meio-campista, Bellinzona – SUI), Barusso (meio-campista, Rimini), Giuly (meio-campista, Barcelona – ESP), Esposito (atacante, Cagliari).
Quem saiu: Chivu (defensor, Inter), Faty (meio-campista, Leverkusen – ALE), Wilhelmsson (meio-campista, Bolton – ING.); Tavano (atacante, Livorno), Okaka (atacante, Modena).
Técnico: Luciano Spaletti.
Objetivo na temporada: Lutar pelo título.

A exemplo da Inter, a vencedora da última Copa Itália também contratou mais para fazer grupo e manteve o time titular quase intacto (sai Chivu, entra Juan). No mais, o esforço agora é para fazer com que a Roma consiga manter o pique quando perde jogadores importantes e em especial, Francesco Totti.

Com De Rossi e Pizarro fechando a entrada da área, a Roma ganha muito em qualidade técnica, tendo um jogo que começa bem desde seu início. Taddei, Perrota e Mancini são os suportes que Totti usa para poder jogar como sabe melhor: sem ter a obrigação de voltar para marcar.

Entre os reforços, a Roma tem algumas incógnitas como o romeno Pit e o ganês Barusso – que vêm bem recomendados, mas podem sentir o peso do torneio. Giuly, ex-Barcelona e Monaco, é o único que pode conquistar seu espaço no time titular às custas de algum dos brasileiros. Atenção também para o bom Andreolli, que no decorrer do torneio, tem boas chances de se firmar.

Lazio

Nome do Clube: Societá Sportiva Lazio SpA
Estádio: Olímpico (82.922 pessoas)
Principal jogador: Tommaso Rocchi (atacante).
Fique de olho: Kolarov (meio-campista).
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões.
Contratações: Kolarov (meio-campista, Ofk Belgrado – SER); Scaloni (defensor, Racing Santander – ESP), Quadri (meio-campista, Spezia), Correa (meio-campista, Lucchese), Del Nero (atacante, Brescia), Meghni (meio-campista, Bologna).
Quem saiu: Peruzzi (goleiro, fim de carreira), Bonetto (defensor, Bologna), Sereni (goleiro, Lazio), Jimenez (meio-campista, Inter), Foggia (meio-campista, Cagliari).
Técnico: Delio Rossi.
Objetivo na temporada: Vaga na Liga dos Campeões.

Sem ofensas, a Lazio entra na temporada sabendo que a pedreira será bem mais difícil. A luta pela vaga tem mais concorrentes (Palermo e Juve, pelo menos) e outros clubes como Sampdoria e Genoa podem ser difíceis de superar. Isso sem falar que a própria vaga na LC está em risco depois do empate em casa contra o Dinamo Bucareste, da Romênia.

A Lazio manteve – também – a base de seu último campeonato, mais por falta de cacife para levar craques para o Olímpico do que por ‘filosofia de mercado’. Exceção feita ao defensor argentino Scaloni (contratado para o lugar do ex-capitão Oddo), nenhum dos novos nomes tem pinta de titular, embora haja boas promessas.

Delio Rossi continua apostando na fórmula de três volantes técnicos (Mutarelli, Mudingayi e Ledesma) apoiando o ‘trequartista’ Mauri. Na frente, Pandev e Rocchi são um perigo para os adversários, mas a exemplo do ano anterior, não há substitutos que dêem muita confiança (Makinwa e Simone Inzaghi não jogam bem há tempos). O técnico, se quiser novamente acertar na mosca, terá de tirar um coelho da cartola, fazendo jovens como Meghni, Del Nero ou De Silvestri jogarem bola.

Milan

Nome do Clube: Associazione Calcio Milan SpA
Estádio: Giuseppe Meazza “San Siro” (85.700 pessoas)
Principal jogador: Kaká (meio-campista)
Fique de olho: Alexandre Pato (atacante).
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões.
Contratações: Ba (meio-campista, Djurgarden – SUE), Digao (defensor, Rimini), Pato (atacante, Internacional – BRA).
Quem saiu: Storari (goleiro, Levante – ESP), Costacurta (defensor, fim de carreira), Grimi (defensor, Siena), R. Oliveira (atacante, Zaragoza – ESP), Borriello (atacante, Genoa).
Técnico: Carlo Ancelotti.
Objetivo na temporada: Título da Série A e da Liga dos Campeões.

Campeão europeu, o Milan até agora parece ter se deitado sobre os louros da vitória e certamente fez a campanha de contratações mais modesta da Itália. Além do excelente Alexandre Pato – uma aposta para o futuro – somente Digão, irmão de Kaká e o “ex-jogador em atividade” Ba foram incorporados ao elenco. Fora isso, só o esloveno Novinic, de 16 anos, que foi para o time juvenil.

Ou seja: o time milanista é exatamente o mesmo titular do ano passado, com Dida no gol, Cafu, Maldini, Nesta e Jankulovski (ou Kaladze); Ambrosini, Gattuso, Pirlo, Seedorf e Kaká; Ronaldo. A única variação possível é a adição de mais um atacante no lugar de um volante. E ponto.

É o suficiente? Não. No dia da conquista da última Liga dos Campeões, o presidente do Milan, Silvio Berlusconi, prometeu um reforço de peso para esta temporada. Ronaldinho? Emerson? Júlio Baptista? Não se sabe. Tudo pode acontecer até o fechamento do mercado. Até mesmo não acontecer nada – o que seria um risco muito grande para um time que tem medo do assédio dos rivais a Kaká.

Palermo

Nome do Clube: Unione Sportiva Cittá di Palermo SpA.
Estádio: Renzo Barbera “La Favorita” (36.980 pessoas)
Principal jogador: Amauri (atacante).
Fique de olho: Jankovic (meio-campista).
Competição continental que disputa: Copa Uefa.
Contratações: Conteh (defensor, Atalanta), Bovo (defensor, Torino), Rinaudo (defensor, Siena), Migliaccio (meio-campista, Atalanta), Ujkani (goleiro, Anderlecht – BEL), Matteini (atacante, Empoli), Jankovic (meio-campista, Mallorca – ESP), Miccoli (atacante, Juventus).
Quem saiu: Corini (meio-campista, Torino), Caracciolo (atacante, Sampdoria), Parravicini (meio-campista, Parma), Di Michele (atacante, Torino), Bovo (defensor, Genoa), Ciaramitaro (meio-campista, Chievo).
Técnico: Stefano Colantuono.
Objetivo na temporada: vaga na Liga dos Campeões.

Um técnico promissor, com propostas ofensivas, algumas boas contratações e certamente pressão. A receita do Palermo não deu certo nas últimas temporadas, mas o clube siciliano mais uma vez pode ser colocado entre as forças do campeonato pela sua força financeira e bom elenco.

Stefano Colantuno normalmente usa um 4-4-2 com flexibilidade para atuar com quatro homens em linha ou três volantes, ou o que ele precisar. Além da linha defensiva toda italiana (Fontana, Zaccardo, Barzagli, Rinaudo e Pisano), o Palermo certamente usará bastante Fabio Simplício como organizador defensivo e precisará que os neo-contratados Jankovic e Miccoli rendam aquilo que se espera deles.

Na frente, o brasileiro Amauri também cria expectativa: ele foi muito bem no começo do campeonato passado, mas sofreu uma lesão séria e não se sabe como voltará. Se ele retornar no nível que parou no ano passado, o Palermo estará definitivamente na luta pela vaga na LC; sem ele, Colantuono provavelmente terá vida curta, já que o presidente do clube, Maurizio Zamparini, adora demitir treinadores.