Na abertura do Italiano, sob uma chuva torrencial, o Milan teve de se contentar com um miserável empate contra o recém-promovido Ascoli. Aceitável. Num campo alagado, até mesmo o vice-campeão europeu pode empatar contra um time que se preparava para jogar a segunda divisão. Jogadores e dirigentes fizeram cara feia, mas conformaram-se.

Diante do Fenerbahce, pela LC, uma partida mais dura do que se imaginava. Mesmo com o time turco apresentando um futebol de primeira, esperava-se mais de um clube com o elenco estelar como o Milan. Graças a uma invenção de Kaká, o time italiano conseguiu seus três pontos. E o mal-estar disfarçado continuou.

No último domingo, contra a Sampdoria, o clube ‘rossonero’ teve de assumir de vez que algo não vai bem. Não, ainda não é uma crise. O Milan da última temporada se encontrava, depois da terceira rodada, com cinco pontos a menos da líder Juventus. Porém, ficou claro que Carlo Ancelotti terá de fazer alguma mudança para manter a coisa nos trilhos.

Sob suspeita, desta vez, encontra-se a defesa. Sim, a mesma defesa que arrancava suspiros de treinadores do mundo inteiro, com gigantes como Cafu, Stam, Nesta e o lendário Maldini, está fazendo água. E um detalhe: mesmo que o meio-campo não esteja fornecendo a cobertura merecida, os gols que o Milan tem tomado são puro erro de posicionamento. No melhor estilo Fabão.

Os gols sofridos contra Ascoli, Siena e Sampdoria foram todos falhas de uma zaga desacostumada a errar assim tolamente. Stam e Nesta são frequentemente superados numericamente pela chegada de um outro zagueiro – fato que se não é só culpa dos dois, até outro dia não era problema.

Dois aspectos táticos ajudam a entender o fenômeno. O primeiro é uma certa flacidez na marcação feita por Seedorf e Gattuso. O meio-campo milanista não é mais implacável como outrora, e razões não faltam (leia abaixo). Mesmo Pirlo e Kaká não têm se aplicado como deveriam na marcação, o que acaba sempre liberando a chegada de um jogador da retaguarda adversária.

O segundo é a menor pressão ofensiva colocada pelo Milan nos inimigos. Cafu não tem apertado como deveria e tem voltado ainda menos para marcar; Kaká e Shevchenko fazem chover em lances individuais, mas não têm sido regulares. Por fim, Gilardino e Vieri ainda não despertaram. Dessa forma, o Milan deixa de usar uma de suas armas prediletas – a preocupação do rival em se fechar.

Lembranças do Bósforo

O verão milanista ao foi cheio de sorrisos e abraços como os de dois anos antes. A derrota para o Liverpool na final da LC deixou suas marcas foi possível ver isso em vários episódios. A discussão de Sheva com Ancelotti na concentração, o desabafo de Gattuso que disse ter pensado em deixar o clube, o mal-estar entre Gattuso, Seedorf e Cafu sobre a necessidade de mais doação para o time, e até mesmo o humor de Jaap Stam, ainda mais acabrunhado com as cobranças que o time tem sofrido.

Some-se ao mal-estar, também quedas de produção mais ou menos vertiginosas. Maldini está jogando com dores no joelho; Dida mostra que é capaz de fazer milagres, desde que esteja com uma defesa sólida à sua frente (caso contrário, é um goleiro comum); Seedorf parece sem entusiasmo e os rumores de uma saída de Shevchenko são cada vez mais concretos.

É inegável que a derrota de Istambul abriu um buraco no grupo. Se o Milan quiser se recuperar, terá de fazê-lo rapidamente, assumindo o problema e resolvendo pequenos problemas internos. Ancelotti tem, obrigatoriamente, de fazer um reajuste tático no time para diminuir os espaços e antes de jogar um futebol vistoso, o Milan precisa de tranqüilidade. Jogadores não faltam ao elenco. É necessário ver se não falta vontade.

Ninguém dá a mínima para Julio Cruz

Quando se fala no ataque interista, há uma fila de nomes aguardando as luzes da ribalta. O primeiro é o do imperador Adriano, inegavelmente um ‘top class’, capaz de furar as defesas como se fosse atravessar um muro de concreto. Mas não é só ele. Também há o nigeriano Martins e suas piruetas comemorativas que lhe custam boas dores no joelho. Até o intermitente Recoba tem seus fãs, pela sua capacidade incrível de fazer golaços contra o Como e desaparecer contra a Juventus. Mas de Julio Cruz ninguém fala um ‘a’.

Quando chegou ao Bologna, cinco temporadas atrás, o argentino foi visto com suspeita, depois com desdém. Mesmo a torcida do Renato Dall’Ara não confiava no atacante. Quando o clube recusou uma oferta do Torino pelo seu passe, ainda em sua primeira temporada, a torcida quase matou a diretoria. Nos anos seguintes, Julio Cruz passou a ser o talismã do Bologna, e durante três anos,o clube não perdeu nenhuma vez quando ele marcou um gol.

Cedido à Inter, também foi tratado como um gandula de luxo. Quase foi desligado do elenco por Roberto Mancini depois que reclamou que todos tinham espaço, exceto ele. Com uma fila de atacantes diante de si, Cruz aguardou até que pudesse se fazer engolir por Mancini.

Hoje, mesmo sem ‘status’ de estrela, Julio Cruz não é menos eficiente para o time da Inter do que Adriano ou Martins. O que não cativa a torcida em seu futebol é o seu estilo ‘operário’, correndo muito para pegar a bola no meio-campo e iniciar o combate na frente. Mas os técnicos – agora com o interista Mancini incluso – se derretem pela sua eficiência.

Julio Cruz não tem uma técnica fantástica, mas certamente é o jogador com que todos os atacantes gostam de jogar. Em seu estilo, prefere a assistência à conclusão, deixando frequentemente seus colegas diante do gol. Incansável, ajuda muito o meio-campo e aparentemente não cria problemas dentro do grupo. Adriano e Martins fariam muito bem se dessem um pouco mais de luz ao coadjuvante argentino.

– Roberto Baggio anunciou que quer voltar ao futebol, possivelmente guiando um time de divisão de base.

– A Inter de Milão já ofereceu uma vaga ao ‘Codino’.

– O ‘El Pais’ , diário espanhol, comparou, numa matéria desta segunda-feira, o fiorentino Luca Toni ao lendário Marco van Basten!

– Palmas para Toni, claro, mas…não é um pouco de exagero, não?

– No próximo domingo, Paolo Maldini pode se tornar o jogador com maior número de jogos pela Série A em todos os tempos.

– Contra a Samp, o capitão milanista igualou o recorde do goleiro Dino Zoff, com incríveis 570 partidas.

– Maldini também completou 800 jogos oficiais com a camisa milanista.

– Esta é a seleção Trivela da terceira rodada do Italiano.

– Amelia (Livorno); Zaccardo (Palermo), Terlizzi (Palermo) e Castellini (Sampdoria); Figo (Inter), Cambiasso (Inter), Fiore (Fiorentina) e Tonetto (Sampdoria); Di Canio (Lazio), Toni (Fiorentina) e Del Piero (Juventus).