Mesmo com o resultado official dos inquéritos da Federcalcio ainda por sair, parece poruco provável que a Juventus consiga escaper só com uma multinha ou com uma penalização em pontos para a próxima temporada. O rebaixamento é uma possibilidade cada vez mais próxima e não faltam indícios.

O primeiro é o acerto entre Fabio Capello e o Real Madrid, que parece ser, a esta altura, muito mais concreto do que simples boato de jornal. Capello definitivamente se encontrou com os dois candidatos à presidência do clube – fato – e estaria acertado com Villar Mir, não por acaso, o nome que deve lever a eleição.

Outro é o fato também confirmado de que a Juventus se encontrou com Didier Deschamps para assumir o time. O diretor esportivo da Juve, Alessio Secco, admitiu que conversou com Deschamps para saber de seus planos, deixando pouca margem para dúvidas em relação ao assunto.

Só que o sinal mais claro de que deve vir uma bomba por aí é o Mercado de jogadores. Vrtualmente nenhum time italiano fez uma quantidade relevante de negócios, com a Juventus na primeira fila. Motivo? Todo mundo está esperando para se aproveitar de um possível rebaixamento da Juve para se reforçar – e os próprios piemonteses também têm de aguardar a decisão, uma vez que um time para a Série B precisa ser muito mais barato do que um para a primeira divisão.

Quando se souber o destino da Juventus, os jogadores do clube decidirão se ficam ou não em Turim. A maioria deles deve partir, com Ibrahimovic, Emerson, Buffon, Vieira, Zambrotta, Nedved e Trezeguet na lista de espera. O Milan, por exemplo, estaria só na espreita para afanar Emerson, Zambrotta e Buffon por um custo razoável.

Mas é possível imaginar a Juventus na Série B? Esta é a pergunta que todos se fazem. Juve e Inter são os únicos clubes que jamais estiveram na Série B e a família Agnelli – dona da Juventus – é provavelmente a mais poderosa do país. Rebaixar a Juventus é a mesma coisa que reescrever a história.

Mais uma última chance para Cassano

Depois de seis meses do mais puro fracasso em Madrid, Antonio Cassano se prepara para voltar à Itália. É difícil que ele prefira ficar no ninho de cobras que é o vestiário do Real Madrid hoje. Na Itália, ele teria sua última chance num clube grande.

Qual clube grande? Bem, supondo-se que Cassano não deva custar o que se pedia nele há um ano, o destino provável do atacante deve ser Milão. Com a Juventus rebaixada, somente Inter e Milan poderiam se dar ao luxo de pagar um salário na casa dos €4 milhões anuais.

O Milan parece o destino óbvio. Acabou de perder Shevchenko e certamente não pode ficar com Inzaghi, Amoroso e Gilardino, mesmo que a Juve não esteja na parada. Para o jogador, seria a melhor opção, uma vez que Milanello é um ambiente que protege os seus atletas e além disso, Cassano encontraria disciplina suficiente para ele ter a sua última chance.

Mas será que seria a última mesmo? Cassano é um Edmundo escrito. Talentosíssimo e desequilibrado em proporções iguais, o atacante de Bari Vecchia já teve ‘últimas chances’ aos borbotões.

A outra opção de Cassano, a Inter, soa como uma sepultura para o jogador, que vive uma vida desregrada em Madrid, segundo a imprensa local. Cassano precisa agora de autoridade forte e de um grupo que tenha lideranças para tirá-lo dos refletores. A Inter não tem nem uma coisa nem a outra.

– Estivéssemos num boteco, eu arriscaria dizer que a ‘Azzurra’ saiu da balada e foi direto para o jogo contra Gana, tal era a incapacidade dos italianos de fazer arrancadas ou permanecer correndo.

– Jogadores como Toni, Gilardino e Zaccardo pareciam pregados ao chão.

– Um fator irrefutável era o calor de Kaiserslautern – e certamente nenhum jogador italiano arriscaria ir para balada nenhuma antes de nenhum jogo.

– O que pareceu mais foi uma complacência inaceitável.

– Pode parecer incrível, mas a Fiorentina continua comprando, mesmo depois do mercado ‘ignorante’ do ano passado (ignorante em termos de quantidade, bem entendido).

– Avramov (Vicenza), Santana (Palermo) e Liverani (Lazio) já acertaram com o clube.

– A Inter também compra freneticamente – mas isso não é mais nenhuma novidade.

– Os laterais-esquerdos Maxwell (Empoli) e Grosso (Palermo), o lateral-direito Maicon (Monaco) e o volante Dacourt (Roma) já estão treinando na Pinetina.

– Maicon chegou na Inter a custo zero, numa operação que foi um gesto inteligente do clube.

– Outros destaques: Marchionni e C. Zanetti (Juventus), Fabio Simplicio (Palermo), Faty e Cassetti (Roma).