De uma maneira meio estranha, numa sexta-feira, sem jogar, a Juventus costurou o 28o ‘scudetto’ na sua divisa ‘bianconera’, consolidando um título que estava entregue praticamente desde a vitória juventina em San Siro. Com o empate do Milan diante do Palermo, Fabio Capello comemorou seu sétimo título nacional, seu primeiro coma Juve como atleta, logo no ano de estréia no banco do Delle Alpi.

Não dá para discutir os méritos da campanha juventina, assim como se o Milan fosse campeão, o troféu também estaria em boas mãos. Capello, um técnico que devora recordes, foi o grande arquiteto da conquista do time. Sua Juventus não brilhou, não empolgou em quase nenhum momento, mas certamente a Juve fez miséria com o que tinha ao seu dispor. Com um elenco menor numericamente, confiou na força da espinha dorsal Buffon-Cannavaro-Emerson-Ibrahimovic para ter um time com a cara da ‘Signora’: maquiavélico, aguerrido e inclemente.

Em Livorno, na costa da Toscana, a Juve não passou do empate contra o time da casa, num jogo sem grandes motivações esportivas. A aposentadoria do atacante Igor Protti, 38 anos, fazendo seu último jogo oficial no estádio, deu um clima de festa à partida. Agora, cabe à Juventus planejar a sua próxima temporada, onde vários “senadores” devem partir, como Montero, Ferrara, Birindelli e Tacchinardi, além dos que já foram, como Iuliano e Tudor. Esse tipo de “expurgo”, aliás, é uma característica de Capello.

O grande mistério do verão europeu diz respeito ao ataque juventino. Del Piero parecia ameaçado, como sempre, mas também como sempre, reagiu e conduziu a Juventus ao título num momento em que ela parecia não ter de onde tirar forças. Assim, o candidato mais provável para deixar Turim é David Trezeguet, cobiçado pelo Lyon. Além de Ibrahimovic e Del Piero, a Juve já tem Adrian Mutu (cuja suspensão acaba semana que vem) e tem uma opção sobre Shabani Nonda, atacante do Mônaco.

Falando em Ibrahimovic, o ex-atacante do Ajax já é alvo de mercado dos milionários de plantão (leia-se Real Madrid). O clube espanhol colocou na mesa de via Galileo Ferraris uma oferta de €100 milhões por Émerson e Ibrahimovic, mas a Juventus já recusou, mesmo com o brasileiro grunhindo um pouco.

…e a primeira rebaixada

…e a reação fantástica da Atalanta na parte final do campeonato não adiantou em nada. A derrota em Bérgamo para a Roma condenou os “orobici” à Série B, mas o apito final do jogo no Atleti Azzurri D’Italia teve um momento comovente: terminada a partida, a torcida bergamasca aplaudiu o time de pé durante dez minutos; o técnico Delio Rossi deixou o campo aos prantos, junto com alguns jogadores.

A Atalanta, mesmo caindo, teve um papel notável. Na 14a rodada, já era dada como rebaixada. Contudo, só entregou a rapadura uma rodada antes do fim do torneio, embolada com times mais caros como a Fiorentina, e certamente jogando um futebol melhor do que toda a parte de baixo da tabela.

Delio Rossi dificilmente fica em, Bérgamo para a Série B, e o clube deve faturar um bom dinheiro vendendo mais alguns nomes que Rossi fixou na equipe principal, como o goleiro Calderoni, os zagueiros Natali e Sala, os meio-campistas Marcolini e Bernardini e o atacante nigeriano Makinwa, o melhor amigo do interista Martins (e que deve jogar também na Inter).

Na luta de foice contra o rebaixamento, simplesmente ainda nove clubes entram na última rodada podendo cair para a Série B. De acordo com um cálculo feito pela Gazzetta Dello Sport, há 2.187 possibilidades para combinar os outros dois rebaixados. A Fiorentina, que gastou mais de €30 milhões, é a mais ameaçada, tendo de vencer e ainda rezar para poder se salvar.

O Siena é o segundo mais ameaçado. Como tem um confronto com o também ameaçado Brescia, a ‘Fiore’ depende praticamente de si mesmo, desde que um entre Parma, Siena e Bologna não vença. Lazio, Lecce e Reggina, ameaçados só de irem a um desempate, e mesmo perdendo, podem se salvar.

Presidente mala

Todo cartola é mala? Não há nenhuma pesquisa do Gallup sobre o assunto, mas se formos tirar por base o presidente do Palermo, então a categoria está em maus lençóis. Tendo chegado em sexto lugar na primeira temporada na Série A, qualquer um acharia sensacional. Mas o presidente do clube siciliano não só não ficou satisfeito, como já escalavrou o técnico Francesco Guidolin.

“Guidolin é um excelente técnico, mas jamais teve a cabeça em Palermo”, torrou Zamparini logo depois do empate com o Milan. “Toda a culpa pela nossa campanha é do técnico; nós deveríamos ter feito muito mais com o elenco que tempo”, disse Zamparini, que como poucos dirigentes merece tanto ser chamado de “cartola”.

Naturalmente a avaliação de Zamparini é tosca, para se dizer o mínimo. É verdade que o Palermo tem um elenco muito bom, mas imaginar que o clube da Sicília poderia, em seu ‘debut ‘na Série A, lutar por uma vaga na Liga dos Campeões, era quase um delírio. Possível, mas só numa daquelas temporadas em que dá tudo certo.

O Palermo tem uma excelente linha defensiva, com Zaccardo, Barzagli, Biava e Grosso, todos na órbita da ‘Nazionale’ italiana. Mas o bom rendimento defensivo do time é devido ao meio-campo, onde Barone, Mutarelli e Corini dão muita proteção. Guidolin costuma armar suas equipes com o “baricentro baixo”, ou seja, com os volantes colados na defesa, mantendo o adversário na própria intermediária, para sair no contra-ataque em velocidade. Na frente, Guidolin encarrega o bom Luca Toni de marcar gols, com seu estilo físico e de área.

Sem Guidolin, o Palermo teria chegado aonde? Certamente teria escapado do rebaixamento, mas não dá para fazer um prognóstico muito além disso. A solidez da defesa dos sicilianos é um mérito do treinador, já desde a Série B na temporada anterior. Zamparini fará uma boa burrada em deixar o técnico ir embora. Diz-se que Zdenek Zeman (Lecce) seria sua primeira escolha. O certo é que Guidolin não fica sem clube para o próximo torneio.

Novamente, a GEA

O leitor da Trivela já está familiarizado com a GEA. Se trata de uma empresa de ‘management’ de jogadores e treinadores que levanta muita polêmica na Itália por causa da influência que acaba tendo em certos clubes (Juventus à frente) devido aos laços familiares dos seus membros com dirigentes de certos clubes.

Neste ano, o que se diz é que a GEA tomou conta de Lazio e Roma. Os boatos dão conta de que a Lazio já tem um diretor de futebol (Gabrielle Martino) que é “do agrado” da empresa, e que o ex-diretor da Roma (Franco Baldini) acabou saindo por pressões da mesma. Depois de Roma, a nova meta da empresa seria Firenze.

A GEA vê na Fiorentina uma cliente especial para seus assistidos, e também uma praça que pode trazer muitos lucros. O primeiro passo da empresa seria o de colocar Francesco Guidolin (hoje, no Palermo) como técnico da equipe. Guidolin certamente tem cacife para comandar a ‘Fiore’ pela sua habilidade, mas é verdade também que uma pressãozinha da GEA não faria mal à suas chances.

O lucro da empresa se dá mesmo quando seus assistidos assinam gordos contratos. Parte dos seus salários vão para os cofres da GEA, bem como uma porcentagem das transações. Num clube que gastou €35 milhões em seu primeiro ano na Série A, as chances de bons negócios não são pequenas.

Há algo errado? Há. Não há nada ilegal, mas certamente é errado que parentes estejam dos dois lados de uma negociação. A GEA hoje já é a empresa mais poderosa de sua área na Itália, e pode desequilibrar a balança para este ou aquele time. Alguém vai fazer alguma coisa. Provavelmente, só se rolar um escândalo. Como sempre.

– O goleiro juventino Buffon completou 400 partidas como profissional.

– Vale lembrar que o ex-parmigiano tem somente 27 anos.

– Igor Protti, atacante do Livorno que encerra sua carreira na próxima rodada, é o único jogador a ter se sagrado artilheiro do campeonato italiano na Série A (Bari), Série B e Série C (Livorno).

– Até a 37a rodada, Protti tinha marcado 225 gols.

– Sobre a grande pergunta do verão futebolístico italiano, “Cassano vai para a Juventus”, pronunciou-se o diretor da Juve, Luciano Moggi.

– Segundo “Lucky” Luciano, Cassano não joga na Juventus em 2005.

– São cada vez mais fortes mesmo os sinais de que Zdenek Zeman e Palermo se unirão na próxima temporada.

– O técnico tcheco disse que conversa com o Palermo, até porque o seu atual clube (o Lecce) ainda não fez nenhuma proposta de renovação.

– A opção a Zeman deve ser Luigi Del Neri, que também é sondado pelo Genoa.

– Que por sua vez, deve perder Serse Cosmi para a Roma.

– Esta é a seleção Trivela da penúltima rodada do Italiano.

– Marchegiani (Chievo); Siviglia (Lazio), Mandelli (Chievo), Méxes (Roma) e Córdoba (Inter); Mancini (Roma), Brocchi (Milan), Cambiasso (Inter) e Serginho (Milan); Crespo (Milan) e Lucarelli (Livorno).