Uma derrota com cara de seleção – ou vice-versa

Não sei bem por onde começar uma crítica à performance da Seleção Brasileira (que atualmente está sequestrada e mantida em cativeiro pel CBF) na partida contra o Paraguai e na Copa América. Tudo que eu possa dizer neste texto parecerá repetido, e por isso, perdão aos leitores. Mas mesmo já tendo visto seleções ruins e um odor de corrupção, soberba e mediocridade dentro da CBF, não me lembro de outra gestão que fosse tão incômoda quanto a de Mano Menezes.

Vamos começar pela parte esportiva: Mano Menezes está entregando absolutamente tudo que sua carreira prometia no comando da Seleção, haja visto sua lista de conquistas. A defesa que se faz de seu trabalho em boa parte da imprensa é muito, mas muitíssimo mais por conta dos relacionamentos pessoais que alguns jornalistas têm com ele do que pelo que ele mostrou em campo. Mano dá todos os sinais de não conseguir entender preceitos básicos de montagem de um time. Sem entender que a escalação de três atacantes, todos com características de mobilidade, um trequartista e dois laterais dedicados ao apoio, o Brasil de Mano não conseguiu controlar a bola a não ser na vitória sobre o esquálido Equador e no empate do Paraguai – mas porque a proposta paraguaia era a de deixar o Brasil jogar.

No capítulo das convocações, qualquer tentativa de justificar André Santos na faixa esquerda da defesa brasileira é inócua. Há pelo menos meia dúzia de laterais-esquerdos melhores do que o ex-corintiano jogando no Brasil. O atacante Jadson, então, não se coloca nem em discussão e a sensação de que a concentração brasileira é um balcão de negócios é cada vez mais nítida. Fred, Sandro, Jéferson e Elias são outros cujo gabarito não está à altura para defender o Brasil. Estão à altura da seleção de Mano, sem dúvida.

Mas o pior, o mais repulsivo, o mais enojante e irritante, é perceber como um grupo de jogadores com reputações infinitamente acima de suas qualidades técnicas, conseguiu absorver a empáfia arrogante da atual cúpula da CBF e sua comissão técnica. Mesmo no caso de jogadores indiscutivelmente dotados tecnicamente, como Ganso, Neymar, Lucas (o do São Paulo), é nítida a autopercepção deles como sendo gigantes sagrados do futebol mundial. A corte criada pela CBF, com seus cortesãos corruptos e aduladores, seus jornalistas vendidos remunerados com favores, entrevistas exclusivas e “offs” plantados pela assessoria de imprensa, incutiu mesmo nos bons jogadores um torpor de quem se esqueceu (ou não sabe) o que representa a Seleção Brasileira para o país. Para eles, a Seleção é só um adicional de exposição, bajulação, contratos e fama.

Durante a gestão Dunga, não tive pena de criticar o ex-capitão argumentando que ter sido uma figura importante na conquista de um Mundial não o habilitava para ser treinador. Mano Menezes não tem nem isso, nem mesmo a identificação que, gostando ou não, Dunga tinha com o ambiente. Hoje, a camisa da seleção está nas mãos de sequestradores. Ela está sendo usada para fins que não tem nada a ver com seu propósito inicial. Na realidade, o que acontece com a seleção é o reflexo da sensação de que está acontecendo com o Brasil: estamos sendo saqueados por piratas que irão barbarizar e depois fugir com a pilhagem. Diante de um quadro assim, perder nos pênaltis para o Paraguai nem parece assim tão trágico. Os anos que nos aguardam farão a eliminação com zero por cento de aproveitamento nos pênaltis parecer um sonho.

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26 Comments

  1. Kazuo Aoki

    “personalidade (não confundir com valentia de bêbado em boteco)”. hahahaha…essa foi a melhor. Bem, não vi Dunga treinando a seleção in loco uma vez sequer. Entretanto 101% dos brasileiros que não eram jornalistas cobrindo o Mundial o criticaram sem tal conhecimento empirico. Não faço parte desta leva, então fico com a estatistica. Digamos que ele fez o que eu faria num jogo de PES. Obs: logado no twitter consigo comentar sem nenhum empecilho. Abs!

  2. Cassiano Gobbet

    Verdade, a diferença está aí. Não vejo no Mano (pelo menos ainda) um grande técnico e não vejo nos jogadores nenhum orgulho em, defender a Seleção e não dissocio a Seleção da CBF – mas acho que em certos períodos (como quando o Felipão assumiu), o Ricardo Teixeira se meteu menos no dia-a-dia da Seleção até porque estava sendo investigado pelo governo e perseguido pela Globo. Até concordo que o Dunga tentava reaver esse espírito, mas por mais que eu valorize isso, não tenho como argumentar que isso basta.

  3. Michel Carlos Magno Costa

    Creio que você encontrou os dois pontos de nossa discordância, Cassiano.

    No primeiro, acredito que Mano é o melhor nome para a tarefa, justamente porque não temos (e nem sei se tivemos um dia) alguém realmente indicado para esse trabalho. Se não é brilhante, pelo menos tem ideias mais claras quando comparados aos seus atuais pares.

    Em segundo lugar, se tem algo que eu faço questão é separar a Seleção da CBF. No caso da entidade, acho que nem preciso explicar o porquê, mas a Seleção ainda tem um lugar reservado no meu coração de torcedor. Para mim, o principal sentimento que move um jogador convocado é o orgulho. Orgulho de representar o povo, orgulho de ser um dos poucos a ter o privilégio de vestir a camisa pentacampeã e, por fim, orgulho de conquistar coisas importantes para seu selecionado e para si mesmo. Obviamente, ser jogador da Seleção também representa prestígio e possibilidade de assinar bons contratos, mas não vejo aquele espírito absolutamente mercenário como o de outrora (1990 é um bom exemplo). Talvez por isso, Mano tenha deixado Marcelo de fora. Talvez tenha notado que faltava vontade e interesse no lateral do Madrid.
    E, sei que você não vai concordar, mas o resgate desse espírito passa pelo período em que Dunga esteve no comando.

    Abs

  4. Cassiano Gobbet

    Kazuo, o Dunga é medíocre como treinador. Vi ele dando um treino em Teresópolis e era digno de pena. Assim, é fácil dizer que tudo que ele conseguiu na Seleção foi mérito de ter tentado forçar responsabilidade em seus jogadores. Não tinha como dar certo. Kaká, além de estar lesionado há mais de um ano, não é um líder. Ter um capitão como o Lúcio deixa muito claro como esse grupo é a prova de que personalidade (não confundir com valentia de bêbado em boteco) é tão necessário quanto talento num grupo vencedor. Abs

  5. Cassiano Gobbet

    Michel, concordo com o que você falou em relação à importância do título e do tempo de construção da Seleção. Meus pontos são dois.

    O primeiro é que eu não reconheço no Mano uma capacidade técnica comprovada de se montar esse time. Ele pode ser um gênio, mas não mostrou isso em lugar nenhum. Suas duas maiores conquistas – a promoção do Grêmio e a Copa do Brasil do Corinthians – se eternizaram por causa de um sentimento ufanista de uma conquista dramática (a do Grêmio) e de um carismático craque em seu canto do cisne que conduziu um time medíocre ao título (o do Corinthians). Fora isso, ele erra tanto quanto Joéis e Tites, com a diferença de gerenciar muito melhor a sua imagem.

    O segundo ponto é que ele pode até dizer que se propõe a essa revolução ideológica (que de fato seria sensacional), mas para mim, uma revolução dessas não acontece num grupo cuja gerência é visivelmente corrupta. É impossível causar coesão num grupo que não sente onde estão os seus próprios limites. E hoje, na Seleção, os jogadores, além de sentirem acima do bem e do mal, não têm noção da importância social que têm.

    O que é dramático, realmente dramático, é que essa gestão asquerosa da CBF está preocupada em faturar o quanto puder e dane-se a Copa. Só que a Copa – e somente essa Copa – é uma chance secular de resgate para uma tragédia arquetípica que está gravada no id do brasileiro, a derrota de 1950. Vencer essa Copa com uma Seleção que nos represente seria algo de significãncia histórica. Mas não. A CBF não está nem aí. Quer manipular tudo e todos, faturar o quanto der, beneficiando parceiros e clientes e só isso. Se o Brasil perder, dane-se. É nese sentido que eu vejo a gestão conivente, leniente e subserviente do Mano Menezes como sendo trágica, nociva. Estamos perdendo a chance de nos livrar de um trauma, uma chance como a qual não teremos em 100 anos. E tudo isso por conta da tirania criminosa do futebol no Brasil.

    Quanto a falar que é melhor perder jogando bem do que ganhar jogando mal, claro que é balela. Mas uma coisa eu posso te garantir: a Seleção dos meus sonhos é a de 1982, mesmo tendo perdido, tTinha ideais, princípios, homens lutando como homens e gente com vergonha na cara. Chorei quando ela perdeu, é verdade, mas não pela derrota – chorei porque ela definitivamente me representava. Essa Seleção de hoje – corrupta, arrogante, supervalorizada, mediática – não tem absolutamente nada a ver comigo.

    E eu é que agradeço! 🙂 abs

  6. Kazuo Aoki

    Estou um pouco atrasado mas td bem. Acho que chegamos a um ponto bizarro em que para analisar uma seleção de futebol é necessario enquadra-la na ‘cultura de celebridade’ conceito que roubo do jornalista Sergio Augusto e que vi expresso pela primeira vez no livro ‘As Penas do Oficio’ (Agir). Não é apenas essa seleção da CBF. É a seleção francesa barraco do Mundial de 2010, é o English Team do ‘capitão John Terry’ que rachou no mundial mesmo. Mais além e voltando a ‘era Dunga’ versão treinador, creio ter sido o unico cidadão brasileiro que não o criticou. Não era um gênio, mas percebia que era necessario um camisa 5 classico como Gilberto Silva postado a frente da defesa num time em que laterais avançam desmedidamente. Dunga era iniciante mas obteve 1 Copa América, 1 Copa das confederações e chegou as quartas de final de um Mundial. Sem Romário, sem Rivaldo, sem Ronaldinho e com um Kaká meia boca. Até que ele foi longe, não?? Abs…

  7. Michel Carlos Magno Costa

    Sem dúvida o título de 94 é a maior alegria que o futebol me deu. Poucos se dão conta de como aquela conquista foi importante para o País, sobretudo para a autoestima do brasileiro. No entanto, o que eu já ouvi de críticas àquele time não é brincadeira. Cheguei a ouvir, inclusive, que é melhor perder como em 82 do que ganhar como em 94. Balela! Ninguém saiu às ruas para festejar a eliminação para a Itália de Paolo Rossi. E, infelizmente, aquela fantástica Seleção (no ambito ofensivo apenas) é lembrada com tristeza, um suspiro daquilo que poderia ser mas não foi.
    Quando Mano participou do “Bem Amigos” logo após sua contratação, deixou claro que sua intenção era montar uma equipe capaz de propor o jogo e não apenas jogar no erro do adversário. Me lembro bem do “graças a Deus” que o Alberto Helena Jr. soltou naquele dia. Tempos depois, após a vitória por 2×0 sobre os EUA, quando o Brasil atuou bem, parecia que era aquilo o que todos esperavam há tempos.
    Porém, o que a maioria não enxerga é que uma Seleção forte não se constrói de uma hora para a outra. Não é com uma conversa de vestiário que o melhor futebol vai fluir. É preciso tempo, treino, ajustes e até mesmo derrotas que exponham as falhas. E não tenha dúvida, meu caro, o Barcelona só é aplaudido porque vence. Se um dia a fase áurea acabar, esteja certo que não faltarão aqueles que apontarão defeitos aqui e ali. Porque no fundo só o que se quer são as vitórias.

    Abraços e obrigado por essa ótima resenha 🙂

  8. Cassiano Gobbet

    Michel, posso te garantir que o que as pessoas querem é SÓ a vitória. Você mesmo escreveu que sua maior alegria foi a vitória da Seleção na Copa de 1994 (e digo isso sem condenação, porque eu também festejei muito, mesmo então detestando aquele time do Parreira). Para os jogadores e técnicos, o “extra” que eles ganham quando vencem jogando como fez o Barcelona é muito menor do que o risco que eles correm de perder jogando assim. Como disse o Muricy numa entrevista: “Quando meu time marca um gol, não sinto alegria. Sinto alívio”. É triste, mas é um sintoma de como a pressão da mídia e do business transformou o futebol. Por isso, viva o Barcelona. A diferença entre um título comum e um título como o do Barça é que este último muda a alma das pessoas. Visca!

  9. Michel Carlos Magno Costa

    Só pra finalizar, explico melhor o que quero dizer com “Dunga com currículo”:
    Muricy, assim como Dunga, é um zebu. Se frequentou uma escola, não aprendeu muita coisa lá. Além disso, sua capacidade teórica é questionável, sem falar no desprezo que ele demonstra pelo futebol bem jogado. “Quer ver espetáculo? Vá ao teatro”, ele diz. Pra mim, ele é a antítese do que as pessoas esperam da Seleção Brasileira. A não ser que eu esteja certo e que as pessoas só querem mesmo é a vitória. Abs

  10. Cassiano Gobbet

    Michel, concordo com sua posiçao filosofica quanto ao Muricy, mas qualquer comparacao com Dunga é igual a zero. CV td mundo tem – ate Joel Santana e Whaldhyr Espynozhah. O Muricy tem mais que isso.

    O discurso do Mano eu tb acho legal, mas raramente ele passa disso. Na verdade, quase nunca ele encontra soluçoes que tenham a ver com o discurso. Abs.

  11. Michel Carlos Magno Costa

    Caro,
    Quando escrevo que Muricy é um “Dunga com currículo” ou um “Capello brasileiro” deixo implícito que não faltam conquistas em sua carreira. A comparação tem como base o desprezo total a chamada escola brasileira de jogar futebol a cada dia mais moribunda. Muricy é um excelente treinador, mas não se importa nem um pouco com o resgate do estilo brasileiro de jogar futebol, algo que se pedia após a queda do Brasil diante da Holanda. Não por acaso, a referência do técnico do Santos é Rubens Minelli e não Telê.
    Além disso, é preciso lembrar que Muricy recusou a Seleção há um ano. Acredito que terá outras chances de assumir o cargo, mas não creio que será agora, uma vez que Mano seguirá com o trabalho.
    Falando no atual treinador do Brasil, não vejo um discurso vazio em Mano. Pelo contrário. Poucas vezes vi um técnico da Seleção tão ciente dos erros e acertos de sua equipe. Abs

  12. Cassiano Gobbet

    Greg, não chega a tanto. O Brasil tem proporções continentais, uma cultura diversa, etc. Temos tudo em nossas mãos. O que o brasileiro precisa mesmo é passar a ver os outros povos e culturas de uma maneira igual, sem se achar superior ou vitimizado por um mundo injusto. Nada muda sem o povo exigir. Enquanto cada um só exigir o seu, os corruptos fazem a festa.

  13. Cassiano Gobbet

    A safra é limitada mesmo, mas isso é normal. O problema do futebol brasileiro é a CBF.

  14. Cassiano Gobbet

    Michel, vc tem total direito de discordar aqui. Isso é bom.

    Mas de fato, discordamos. Não acho que o Mano seja um completo incompetente, mas não tem bagagem para ser treinador da Seleção. Entre ele e o Muricy, vai um abismo. Por maios que eu não goste do Luxemburgo sob o ponto de vista pessoal, por exem,plo, não tinha como negar que quando ele chegou à Seleção, era o cara indicado. O Muricy venceu cinco Brasileiros (sim, 5, porque o que ele perdeu com o Inter para mim é um título “tapetado” do Corinthians), uma Libertadores (ainda que com uma participação menos central) e revelou incontáveis jogadores. E pra lá, tudo bem você não gostar do Muricy, mas dizer que ele é igual ao Dunga? Ok, nos modos, a comparação é pertinente, mas um já venceu quase tudo e o outro nunca trabalhou. não é exagero seu?

    O currículo do Mano pode vir a ser excelente, mas hoje, é somali. Ele chegou à Seleção pela proximidade com o Andres Sanches e isso diz muito sobre todos os envolvidos. Convoca mal, é permissivo com agentes (especialmente com o dele próprio) e não compreende a importância da reputação que o técnico da Seleção tem de ter.

    Você pode achar que não faz diferença a estatura moral e a sensação de ordem dentro do ambiente, mas eu acho que faz. Os jogadores sabem que estão lá porque têm agentes fortes, contatos certos e prestígio. Por exemplo: o Neymar (que certamente foi um dos menos culpados nessa campanha ridícula) sabe que pode vomitar na cabeça do Mano e nada acontecerá. E cá entre nós, mesmo que o Andre Santos e o Jadson sejam caras 100%, os colegas sabem que eles não estão lá porque estnao comendo a bola na Europa.

    Até concordo com o diagnóstico do Muricy como sendo o mal necessário, o remédio amargo, mas é inegável que ele seja competentíssimo. já provou isso várias vezes. Isso, o Mano ainda não fez. Se tem gente que acredita nisso, é porque quer acreditar no circo midiático dele.

    abs

  15. Acho que uma questão interessante, é que depois da Copa, muitos falaram que o Brasil tinha que jogar “a brasileira”, com um esquema ofensivo e etc. O Mano vai e escala 3 atacantes, só que claramente se observa que o time não tem nenhum padrão tático para jogar em tal esquema.

    Nesse último jogo, o Brasil jogou melhor, porque o Paraguai jogou com os 11 atrás e porque mesmo jogando mal, nós temos uma seleção melhor que a deles. O que mais irrita as pessoas, é sem dúvida alguma a questão da motivação, já que em nenhum momento você vê os jogadores lutando, correndo, suando para vencer a qualquer custo, como vimos com os próprios paraguaios, que se defenderam como puderam, mas mostrando vontade em garantir o resultado que lhes interessava.

    Sobre o ambiente da CBF, é algo tão nefasto que sinto pena dos profissionais sérios, jogadores/jornalistas/comissão técnica, que tentam exercer sua função.

    Quando você vê o seu próprio país “comemorando” e rindo da desgraça de sua seleção, é que algo está muito errado.

  16. Anônimo

    quanto aos bastidores da CBF, nisso eu concordo com tudo. É uma podridão sem fim.

  17. Anônimo

    O Brasil foi melhor no jogo.
    Valeu pra Ganso e Neymar ganharem experiência. O Brasil estará na reta final da Copa-14. É ilusão achar que estamos abaixo da fábrica de fracassos que é o English Team, ou de seleções cuja galeria de troféus é uma piada como a Holanda.

  18. Anônimo

    O problema é a safra, que é fraca. E o que vem por aí não promete muito.

    E concordo em parte quanto ao esquema tático. Jogando com três atacantes de mobilidade no ataque, Mano cobra de Ganso uma capacidade de chegar ao ataque que só vi Kaká aprsentar em seus primeiros anos de Milan.

    O atual santista, para render seu melhor, precisa de parceiros no meio-campo com características bem definidas. E não existia ninguém com elas no grupo do Brasil na Copa América. Não é por nada que digo que o cara que investir € 50 milhões nele ou já conta com jogadores como Wesley e Danilo no elenco ou então irá jogar (muito) dinheiro fora.

  19. Alexandre Rodrigues Alves

    Brasil e Argentina ainda estão montando seus times e tem isso como “desculpa” para a eliminação precoce, mas penso que o que sobra em Uruguai e Paraguai falta nos 2 “gigantes” sul-americanos, que é a vontade de vencer, a abnegação tática e a disciplina, mesmo de seus jogadores mais conhecidos. No caso da Argentina ainda tem o fato da pressão psicológica de muito tempo sem título e no caso do Brasil, alguns erros dentro de campo (tirar Neymar e Ganso ao mesmo tempo na prorrogação, deixar Lucas Leiva e André Santos no time) e fora dele (livre acesso de presidentes de clubes e empresários por exemplo) fazem com que nem sempre a “amarelinha” jogue sozinha em campo. Sobre o Chile a defesa fraca e o bom time da Venezuela fizeram uma meia supresa, sendo que para mim a maior foi a eliminação da Colômbia, que mandou duas bolas na trave, perdeu um penalti e viu seu goleiro falhar nos 2 gols do Peru.

    Apesar do medo das surpresas (principalmente em Paraguai x Venezuela), aposto em Uruguai x Paraguai na final.

  20. Eu concordo que o caminho é negativo, é descendente, só mudará se mudar a direção central, RT fora!

    Quanto ao mano ele é um luxa piorado!, contrata jogadores de empresário!

    Não torço mais pela seleção desde 2006 quando tinha 20 anos, pois desde lá percebo que não representa minha nação, e sim a corja comandada por Ricardo Teixeira.

    Mas por incrível q pareça eu acho q vamos ganhar 2014, a coisa vai a apertar e RT contratará um bombeiro com carta branca para convocar jogadores que quiser sem vínculo com empresário x ou y, como o felipão em 2002, muricy seria um bom bombeiro.

    depois disso só ladeira a baixo

    vai acontecer conosco o que aconteceu com o uruguai depois do título de 1950, vamos caindo caindo até virar um mediano time sulamericano

  21. Anônimo

    O trabalho de Mano Menezes como técnico da seleção tem vários defeitos. Conseguiu a façanha de montar uma seleção brasileira pior do que a de Dunga, teve um aproveitamento ridículo na Copa América e o número de gols marcados sob seu comando é digno de um ataque subnutrido.

    Porém, o maior defeito dele não é técnico, nem mesmo tático, é permitir que a seleção receba visitas de empresários e convocar jogadores “indicados” por outras pessoas.

    A verdade é que, apesar de ainda termos uma das melhores seleções do mundo, a safra atual não é boa. O êxodo de jovens jogadores para a Europa está matando o futebol brasileiro. Vários jogadores promissores sumiram no leste europeu ou em equipes médias de outros lugares da Europa.

  22. Michel Carlos Magno Costa

    Mais uma vez discordamos sobre um tema, Cassiano.

    Para mim, o fato da CBF ser um ninho de ratos, pouco ou em nada afeta o desempenho da Seleção. Jogadores sempre viveram num mundo paralelo onde o que só importa são as condições mínimas para que entrem em campo. E isso a CBF dá.
    Em minha opinião, o maior problema está na absoluta falta de continuidade no trabalho dos técnicos. Toda a vez em que há uma eliminação em Copas há a constatação de que todo o trabalho realizado era um lixo e que deve recomeçar do zero. O time formado por Mano é diferente na estrutura, nas funções e, sobretudo, em proposta de jogo. Somando isso à renovação imposta pela cúpula, temos um time se formando em torno de garotos sem a devida rodagem. Como há muito talento, pode dar certo, mas será preciso paciência, uma virtude que a maioria dos brasileiros certamente não tem.

    No que tange Mano Menezes também discordo. Após a recusa de Muricy (de quem falo mais abaixo) o único nome possível para o cargo era o de Mano. Todos os outros treinadores que ficam pulando de clube em clube no Brasil estão abaixo do gaúcho. Exceto, é claro, Felipão, que não seria louco de colocar seu prestígio em risco assumindo a bomba que é comandar o Brasil em 2014.
    Sobre o currículo dele, sou mais compreensivo. Seu currículo é curto porque sua carreira também é. Mano percorreu equipes menores até 2005, quando assumiu o Grêmio na 2ª divisão. Ganhou a série B, fez um ótimo brasileiro em 2006 e levou o tricolor gaúcho a uma impensável final de Libertadores no ano seguinte. Em 2008 tirou o Corinthians do inferno e no ano seguinte ganhou Paulista e Copa do Brasil. E, como sabemos, quem ganha a copa costuma se arrastar no campeonato. Falhou na Libertadores de 2010, é verdade, mas o Corinthians foi melhor do que o Flamengo no confronto que eliminou o time paulista. Se essa não é uma trajetória dos sonhos, pelo menos é ascendente.

    Agora, Mano terá alguns desafios bem duros pela frente. Não sei se foi estrategicamente correto marcar amistosos com Argentina (2 vezes), Espanha, Itália e Alemanha para este ano. Para mim, não era a hora. Tudo o que Mano não precisa agora é testar seu time em formação contra os melhores de uma só vez. Sem bons resultados ele estará mais exposto do que nunca. O ideal seria marcar apenas um ou dois jogos contra os grandes e os outros contra os médios, deixando os desafios mais pesados para o decorrer da preparação.

    Quanto a Muricy, minha opinião não mudou. Para mim, ele é o remédio amargo. Aquele que você toma quando vê que nada mais vai dar certo. Costumo chamá-lo de Capello brasileiro ou Dunga com currículo. Muricy não está nem um pouco preocupado com o futebol bem jogado – clamor das pessoas após a eliminação da Seleção de Dunga. Na Libertadores, ele não teve pudor nenhum antes de entregar a iniciativa de jogo para o medíocre Cerro Porteño e deixar tudo nas costas de Neymar. Se contratá-lo daqui a algum tempo, Teixeira estará atestando que nenhum técnico é capaz de resgatar a escola brasileira. E essa sim, seria nossa maior derrota.

    Abraço.

  23. Cassiano Gobbet

    Greg, com todo respeito, o Sandro tem potencial para chegar a merecer a selecao, mas jogar bem no Brasileiro nao coroa isso. Ele foi para um clube no qual sulamericanos sofrem para aparecer ou se desenvolver. Ouvi de um colega britanico que Ele sai do Tottenham se houver uma proposta que bata o que o Colorado recebeu ou até 20% menos. So que ninguem quer pagar. Abs

  24. Cassiano Gobbet

    Discordo, tuiuan. O Andre Santos teve sua “grande” temporada na Serie B e na Copa do Brasil. Se ele tivesse jogado exatamente a mesma coisa pelo Botafogo ou atletico-pr, jamais teria sido convocado. Ele é nota 6.5 em seus melhores momentos. Juan, Junior Cesar, Alex Sandro e os laterais de 50% dos “grandes” brasileiros jogam o mesmo que ele. Nao sao chamados pq nao tem padrinho. Abs

  25. Gregório Reis

    Acho que Sandro não deveria entrar nesse grupo Cassiano. Não vejo um jogador melhor para a reserva de Lucas Leiva.

  26. Muito boa análise, mas permita-me discordar de alguns pequenos pontos:

    Não há muitos laterais melhores que André Santos, apenas Marcelo. O erro de Mano está aí, principalmente pelo fato de que é muito difícil engolir os motivos para a não convocação do Madridista (suspeitíssimos se considerarmos o nome do empresário de André Santos), mas André ao menos é um reserva razoável. No campeonato brasileiro não há nenhum melhor que ele, muito mais por ele ter um olho em uma terra de cegos.

    Sandro, coitado, é um bom reserva. Fez uma temporada decente no Tottenham, se firmando da metade pra frente da temporada. Jéfferson é um terceiro goleiro, terceiros goleiros nunca são gênios.

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