Culto da personalidade

Li uma entrevista de Dunga na qual ele se deu um título. “Eu sou o anti-marketing”. Isso era algo que eu temia – que Dunga se visse como um poderoso personagem capaz de enfrentar inimigos e apto a abrir mão de jogadores talentosos. O autotítulo claramente denota uma injeção na arrogância do técnico, que agora se acha acima do bem e do mal. É o caminho de uma derrocada sua e provavelmente nossa – da Seleção, digo. Dunga segurou uma barra e de fato deu um padrão de jogo à Seleção, mas não é um titã. Ele, como a maioria dos brasileiros, acha que a Copa do Mundo é uma formalidade entre o Brasil e o hexa, por mais que seu discurso de humildade pregue “disciplina”. Dunga personificou em Ronaldinho Gaúcho o seu “inimigo” – a pressão da torcida e da imprensa por convocações. Ele dá todos os sinais de achar que não precisa de ninguém por ter vários jogadores “ao seu lado”. É um caminho perigoso. Não levar Ronaldinho gerará para Dunga uma fatura impagável em caso de derrota. Ele será execrado assim como Sebastião Lazaroni foi – ou talvez até mais. E descobrirá, do modo mais difícil, que sua competência é bem menor do que sua arrogância.

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14 Comments

  1. Cassiano Gobbet

    Vc está bem mais perto do van Basten do que o Dunga do Telê. Aliás, está quase colado no holandes, comparativamente

  2. Gilson

    Quando ainda era moleque, lá pelo meio de 1990, fui ver um jogo do Bragantino, uma sensação no fut brazuca naquela época, no então Marcelo Stéfani. E fiquei incrivelmente surpreso ao constatar que mesmo em casa a equipe jogava em uma deslavada retranca, apelando para a força do contra-ataque. Pois bem, 20 anos depois, vejo o Brasil do Dunga jogando mais ou menos de maneira igual.

    E, focando no Brasil atual, é claro que é possível melhorar o que temos visto mudando pouca coisa nesse elenco. Voltando ao passado, naquele mesmo ano (1990), acho que já no segundo semestre, um certo Telê Santana assumiu o comando técnico de um São Paulo desmoralizado pelo rebaixamento no Paulista.

    Com o mito mineiro no comando técnico, o clube do Morumbi, desacreditado por todos no início do Brasileirão/90, conseguiu chegar até a final da competição. Meio ano depois, no mesmíssimo Marcelo Stéfani, o tricolor empatou com o Bragantino, que, obrigado a atacar para conquistar o título, mostrou suas deficiências, e garantiu o título brasileiro de 91, dando a arrancada para um período sem igual na história do clube.

    É óbvio que a comparação entre Telê e Dunga não cabe – seria como comparar o meu futebol com o do Van Basten! -, mas se o atual treinador do Brasil gastasse mais sua energia para melhorar o jogo da equipe, seria incrivelmente interessante.

    Ele poderia começar ensinando aos comandados a como atacar o adversário de maneira ordenada, por exemplo. Talvez a Copa mostre que, quando a equipe do Dunga precisar atacar, existem mais semelhanças entre o atual Brasil e o Bragantino de 1990 que eu gostaria. Vamos ver se o fim não será o mesmo.

    O São Paulo de Telê é lembrado até hoje; o Bragantino caiu no esquecimento.

  3. Cassiano Gobbet

    Mesmo que vc seja corintiano, não há de argumentar que o time do Manchester United campeão europeu era pior do que o Corinthians de Batata, certo? A importância dos torneios se mede pela determinação com a qual os jogadores o disputam. O Man Utd passava os dias na praia do Rio e a Copa das Confederações foi no período de férias dos atletas. Relevância: zero. abs

  4. Cassiano Gobbet

    Alexandre, o Dunga não ganhou absolutamente nada de relevante na carreira. Falar em Copa das Confederações ou Copa América não é sério. Os outros que vc citou ficaram arrogantes ou intolerantes enchendo a bagagem de títulos. abs

  5. Alexandre Rodrigues Alves

    Muricy, Leão, Luxa e até mesmo Felipão; todos esses não são exemplo de boa educação em entrevistas. O Dunga é mais do que mau educado, ele é rancoroso ainda da Copa de 1990 e da comparação Copa de 94 x Copa de 82, ele claramente não engole essa duas coisas até hoje.

    Concordo que os bons resultados amenizam a pressão que poderia ser maior, mas se havia dúvida em relação à pessoa e a forma do Romário, penso que existe sim uma dúvida em relação ao RGaúcho na questão dele nunca ter brilhado indiscutivelmente na Seleção e como você mesmo já disse ele ainda não ser decisivo nos grandes jogos e jogando ainda metade do que jogou no Barcelona, ou seja, não há tb uma unanimidade na convocação dele. O que há é a visão de que esse time do Dunga joga feio e que é previsível, mas justiça seja feita, ele hj tem um time, diferente do catadão de 2006 (na tv apenas a ESPN Brasil não embarcou na onda do pífio quarteto mágico). Um abraço!

  6. Diogo Terra

    Boni, eu falo de toda a Europa. Ninguém falou muito. E o time da Itália se enroscou com o Egito. Isso desmoraliza qualquer um, né (Inglaterra incluída)?

  7. Raphael

    ele tá jogando sobre os seus ombros uma pressão enorme, não pelo fato de convocar ou não o Ronaldinho Gaúcho, mas pelo seu temperamento e personalidade… ele vai precisar desesperadamente ser campeão, porque em caso de um vice que seja, as criticas, xingamentos e etc. sobre ele serão algo incomensurável.

  8. Cassiano Gobbet

    O Dunga está sendo é mal educado. Ele acha que esta acima do bem e do mal. Escrevo sobre isso amanhã.

    A pressão “ainda” não é maior pq o Brasil está indo bem. Uma derrota mudará tudo. E o Romário dividia as opiniões. Hoje é difícil encontrar alguém que não levaria o Gaúcho. abs

  9. Alexandre Rodrigues Alves

    Culto à personalidade todos os técnicos top fizeram, isso não é novidade. Justiça seja feita, Dunga é um cara que tem convicções e uma delas é a lei que a maioria da própria imprensa fez depois do fiasco da Copa de 2006: Para jogar na Seleção precisa de raça e amor à camisa.

    Agora o Dunga meio que pergunta à imprensa: “Ué,não era isso que vocês queriam?” Mesmo levando jogadores de qualidade mediana como Julio Batista, Elano entre outros, ele está sendo coerente com o que cobraram a 4 anos atrás.

    Não acho que a pressão para convocar o RGaúcho seja maior da que fizeram em 2002 para levar o Romário. O RGaúcho é um jogador e um personagem que não comove tanto qto o Baixinho a meu ver.

  10. Cassiano Gobbet

    Boni, vale lembrar que antes da Copa de 2006, o Brasil era chamado de “time dos sonhos” e que o próprio Parreira previa uma “hegemonia” do Brasil, pq ao vencer a Copa de 2006, teria duas “copas em casa”, uma vez que na África, teria a torcida local ao seu lado. Deu no que deu.

  11. Cassiano Gobbet

    Boni, vale lembrar que antes da Copa de 2006, o Brasil era chamado de “time dos sonhos” e que o próprio Parreira previa uma “hegemonia” do Brasil, pq ao vencer a Copa de 2006, teria duas “copas em casa”, uma vez que na África, teria a torcida local ao seu lado. Deu no que deu.

  12. Boni dos Santos

    a cabeça baixa dos jogadores italianos após os 4 a 1 não me deu a impressão de “os europeus não ligam pra Copa das Confederações”…

  13. Diogo Terra

    Como não esnobar a Copa das Confederações? Um caça-níquel descarado que ninguém na Europa dá a mínima importância. É que nem estadual: só engana. De resto, o cartel do Dunga, concordo, é realmente notável – mais por sorte que por competência, que fique claro.

  14. Boni dos Santos

    Só discordo de um trechinho.

    O Brasil é uma titã sim. Itália e Argentina foram arrasadas (Italia duas vezes! e Argentina tres vezes tomando de três!) nesta era-Dunga e a seleção ganhou tudo (tudo mesmo!) nesta fase. E nem pensem em esnobar a Copa das Confederações, pois o Egito bateu a Itália (Amunike havia previsto isso antes do jogo) e a Espanha (completa!) caiu pros EUA..
    Eu acho essa seleção usada por ‘gente suja’, é um grupo de jogadores de carisma zero (talvez a seleção menos carismatica que vi..) mas deve-se reconhecer que os caras estão atropelando!

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