Fator Flamengo

Ontem, quando Jobson marcou o terceiro gol do Botafogo, a vizinhança que não torcia para o São Paulo ou que torcia para o Flamengo foi à janela para gritar e comemorar a derrocada tricolor. E era justo. Num Maracanã lotado, sem chuva e com um clima aceitável (e não o forno das 17h), não dava para imaginar que o rubronegro não conseguisse superar o pior time do returno. Só que não conseguiu. Sem tirar os méritos do Goiás, o empate foi todo (ou quase) responsabilidade do Fator Flamengo – a incapacidade do clube, torcida e imprensa de lidar com a pressão que coloca sobre si mesmo. Se, ao invés de conjecturar sobre onde levaria o time – líder – para se concentrar nesta semana, se não encanasse em planos para a Libertadores, se não deixasse seus jogadores em polvorosa com um título dado como certo, teria mais tempo e foco para superar o Goiás. Sorte do São Paulo.

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8 Comments

  1. Com certeza. O respeito sempre estará presente em nosso debate.
    Abs

  2. Cassiano Gobbet

    Tudo bem, Michel. Respeito sua opinião. Como sempre. abs

  3. Discordo de novo. Claro que o “se” não existe, Cassiano. Mas quero dizer que o que pegou agora não foi o oba-oba clássico que costuma se entranhar no Flamengo.
    Neste ponto de vista, encontrei ontem o post de André Rocha do Blog Futebol & Arte que retrata bem o que eu quero dizer:

    “Não foi o oba-oba.

    Maracanã lotado, torcida em êxtase e os olhos do país atentos ao desempenho do Flamengo. Mais uma vez, este foi o cenário de mais uma partida cercada de expectativas na qual o time rubro-negro decepcionou o seu torcedor.

    Mas se o frustrante empate sem gols com o Goiás teve muitas semelhanças com alguns vexames recentes, como as derrotas por 3 a 0 para América do México e Atlético-MG em 2008, desta vez o clima de euforia não foi o fator preponderante para o resultado negativo, embora o time tenha demorado a entrar no jogo no primeiro tempo, talvez inebriado pelo espetáculo da torcida em um mosaico gigantesco que arrepiou até quem não ama o vermelho e preto.

    O time esmeraldino jogou muito bem. Talvez motivado por “fatores externos”, como insinuou Ronaldo Angelim, ou pela enorme importância da partida para o campeonato, a equipe de Hélio dos Anjos foi aguerrida, organizada, atacou bem pelos lados do campo, trabalhou a posse de bola e deu trabalho a Bruno, como no chute de Léo Lima no final do primeiro tempo que o arqueiro foi buscar no ângulo esquerdo. Iarley e Fernandão depois Felipe, souberam prender a bola no ataque e cozinhar o jogo, especialmente nos momentos de pressão do adversário. E Leandro Euzébio foi o melhor em campo, com fibra e posicionamento perfeito para desarmar Adriano em lances capitais.

    Como já era esperado, Maldonado fez muita falta, pelo trabalho discreto que organizava o sistema defensivo e fazia com que o Fla marcasse de forma mais compacta e ficasse mais tempo com a bola nos pés. Aírton e Toró novamente não comprometeram, mas os espaços à frente da zaga proporcionaram algumas boas chances que o Goiás não teria com o chileno em campo.

    Zé Roberto é a principal opção de velocidade no ataque do Fla. Sua movimentação da esquerda para o centro, alternando com Petkovic, sempre confunde a defesa adversária. Quando ele não rende, o time perde força ofensiva. E Zé Roberto simplesmente não jogou, encaixotado pela boa marcação do Goiás e entregue a uma inexplicável apatia.

    Por fim, faltou a bola do jogo, aquela que muda o andamento da partida no primeiro tempo ou define na etapa final e faz todos os defeitos serem esquecidos. Podia ter sido a cobrança de falta de Petkovic no primeiro tempo que chegou a beliscar a trave direita de Harlei. Ou a conclusão de Adriano sem goleiro na segunda etapa. Ou ainda o chute de Angelim no final que o goleiro espalmou. Não entrou. Mas o time tentou.

    O título tão sonhado após 17 anos agora parece mais distante. Andrade acerta ao manter o foco no G-4, até pela aproximação do Internacional e as chances matemáticas de Palmeiras, Atlético-MG e Cruzeiro. Não é hora de esmorecer, até porque a equipe mostrou vontade e honrou o apoio da maioria esmagadora dos 83.489 presentes.

    Faltou alguma coisa, que não foi a seriedade desta vez.”

  4. Cassiano Gobbet

    Se o Petkovic tivesse acertado a falta e se as duas bolas do São Paulo na trave tivessem entrado, talvez o Wigan tivesse vencido o Tottenham, Michel. “Se” não existe. Petkovic, leo Moura, Ze Roberto, diretores, todo mundo no Fla passou a semana mandando recados que “se liderassem não saíam mais”. O próprio Bruno admitiu que a pressão pesou. O mais irônico é que a pressão é criada pelos próprios flamenguistas. Enquanto não se derem conta de que o Flamengo não é “maior” do que os outros grandes clubes ( a não ser, claro, no afeto do próprio torcedor), essa situação se repetirá.

  5. Raphael

    ridiculo foi o mala do Ronaldo Angelim, falando bobagem depois do jogo, reclamando de juiz, mala branca, papa, e afins, querendo justificar uma atuação não muito boa… eu abomino isso, e se fosse diretor de futebol multaria um jogador que falasse isso… discurso ridiculo

  6. Raphael

    na minha opinião o Flamengo não jogou mal, ele enfrentou um time que fez um bom jogo, bem posicionado em campo e que causou dificuldades ao Flamengo, fosse num outro momento do campeonato, seria algo “normal”, e obviamente que a torcida/imprensa/sei lá mais quem, achava que seria moleza, mas o time do Goiás, mesmo vindo de uma sequencia horrivel, não é ruim…

  7. Discordo em parte.
    O Flamengo entrou nervoso sim e os melhores jogadores não estavam em noite inspirada, mas se o Petkovic tivesse acertado aquela falta e/ou o Adriano tivesse chegado à tempo naquela oportunidade em que o gol estava vazio, esse post não faria sentido.
    No fundo, futebol é apenas resultado. O rubro negro criou as suas chances, mas a bola não entrou. Muito mais por nervosismo e infelicidade do que por oba-oba ou algo equivalente.

    Abraço.

  8. Alexandre

    “a incapacidade do clube, torcida e imprensa de lidar com a pressão que coloca sobre si mesmo.” Disse tudo, só lembrando o fiasco do ano passado em casa contra o América do México.

    Cabe agora ao SP manter a vantagem.

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