Na semana passada, falamos nesta coluna de como os times menores estão tendo bons desempenhos na Série A. A abordagem global era necessária porque mais de um clube tinha uma performance elogiável e até o Catania, um dos favoritos para o rebaixamento, aparecia bem na tabela.

Só que nesta semana, o pequeno time da Sicília conseguiu uma proeza que já teria valido todo este campeonato. Com um elenco modestíssimo e sem um suporte financeiro de peso, o Catania simplesmente está hoje num quarto posto que lhe valeria uma vaga na Liga dos Campeões.

“Ah, mas o Catania não vai conseguir uma vaga na LC”. Não, é bem provável que não, mas quando um time deste porte consegue chegar à 15ª rodada do torneio em quarto lugar, é preciso parar e pensar, porque dá para se tirar mais de uma conclusão.

A primeira delas, o leitor da Trivela já leu na semana passada: o nível do torneio deste ano caiu. O funeral juventino e o nocaute milanista deram uma abaixada forte na competitividade da Série A e isso vai se refletir na posição italiana (hoje, a Itália é a segunda colocada, a frente da Inglaterra).

Uma outra conclusão é a de que um técnico competente com tempo de montar um time é uma garantia maior de sucesso do que a contratação de medalhões. O time siciliano é um exemplo claro disso. Pasquale Marino, o treinador do clube, está cotado para receber o prêmio de melhor técnico da temporada e caso isso aconteça, terá merecido plenamente. Montou um time como um treinador tem de fazer: sem “dibre”, “virilidade” nem nenhuma outra bobagem que técnico ruim costuma berrar para atleta.

Outra coisa são as contratações. Você já tinha ouvido falar do atacante Corona, que jogava no ínfimo Catanzaro? E de Morimoto, japonês de 18 anos que era do Tokyo Verdy? Pois é. O Catania foi buscar os caras e fez um elenco que está aí, dando trabalho para muita gente rica. Além de ficarem na Série A, provavelmente vão fazer um dinheiro vendendo jogadores comprados a custo zero.

A realidade é que dificilmente assistiremos Real Madrid pelejando contra o Catania no Santiago Bernabeu. Contudo, a fábula do Catania – que lembra a do Chievo de algumas temporadas atrás – é uma boa lição para dirigentes como os do Real Madrid, que vomitam dinheiro na construção de seus times com interesses que não têm nada a ver com futebol. Se porventura o Catania jogar em Madrid, esta coluna certamente já saberia para quem torcer.

A Lazio lava a égua no Olímpico

Todo mundo estava endeusando Totti como a oitava maravilha do mundo. O atacante romanista se dirigiu ao derby romano como se fosse o executor indo à forca. Lá, encontraria uma pobre Lazio no papel de vítima, exterminaria-a, e iria para a curva Sul do estádio ser ovacionado pelos torcedores ‘giallorossi’.

Mas não foi assim. Foi bem diferente. Muito. A Lazio aplicou um 3 a 0 na Roma que foi absolutamente merecido. “Derby histórico para a Lazio. Roma triturada”. Com o seu modesto elenco de Ledesma, Mutarelli e Rocchi, a Lazio atropelou uma Roma que é muito mais decantada do que devia – em grande parte pela presença de seu capitão, Totti, que tem uma idolatria midiática avassaladora.

Exatamente Ledesma e Mutarelli, ao lado de Mudingayi, foram a alma da Lazio no encontro. O time de Delio Rossi foi a campo muito mais disposto a jogar do que a Roma, que acreditava em uma partida liquidada. Siviglia, marcador de Totti no jogo, também foi bem, mas o brilho mesmo fica com os meio-campistas.

A vitória da Lazio não deixa de ser uma confirmação da “festa da pivetada”, onde Davi dá piaba em Golias. Com menos dinheiro é possível fazer times competitivos. Ainda neste time da Lazio, vale muita atenção pata Mauri, ala que está jogando muito bem adaptado à posição de ‘trequartista’.

Sem pernas

A comissão técnica do Milan diz que já sabe qual é a razão do campeonato estar sendo tão ingrato com o time: falta de preparo físico. Carlo Ancelotti parece resignado a manter a atual forma periclitante até dezembro, quando uma pequena ‘pré-temporada’ a ser realizada em Malta.

O preparador físico do time, Daniele Tognaccini, já tinha avisado a direção que, com o início antecipado da Liga dos Campeões, o time pagaria a conta antes do Natal. Dito e feito. O elenco do Milan precisa de treino que priorize força e resistência. No popular, falta ‘caixa’ para o Milan conseguir manter o nível técnico de outros anos. Supostamente, depois das férias natalinas, a preparação vai deixar o elenco de novo em pé.

Além disso, o Milan tem problemas igualmente sérios para superar. Nesta, Dida, Costacurta e Serginho ficam fora por pelo menos dois meses. Costacurta não é um problema, mas Nesta e Dida sim. Muito provavelmente jogadores em suas posições chegarão em janeiro.

Além disso, o Milan precisa fazer Kaká descansar um pouco. O brasileiro vem de uma Copa do Mundo e de um ano extenuante. As dores que o meio-campista vem sentindo nas últimas semanas têm um componente que nasce daí. Se Kaká também sucumbir, esta temporada estará definitivamente perdida.

– Shevchenko vai ou não ao Milan?

– Pode até ir, mas seria incrivelmente difícil entender um clube pagar €43 milhões num jogador e deixá-lo voltar ao seu clube por empréstimo.

– Adriano, da Inter, deu uma entrevista nesta semana falando em “paz” com o técnico Mancini.

– Visivelmente perdeu o braço-de-ferro.

– Seleção Trivela da 15ª rodada:

– Pantanelli (Catania); Fernando Couto (Parma), Maldini (Milan) e Siviglia (Lazio); Bombardini (Atalanta), Ledesma (Lazio), Doni (Atalanta), Montolivo (Fiorentina) e Stankovic (Inter); Mutu (Fiorentina) e Spinesi (Catania)