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Passo maior que a perna

Napoli e Genoa esquecem que voltaram da segunda divisão e tiram o sossego de seus treinadores

Se houvesse um “Manual para Times Recém-Promovidos”, no capítulo “Objetivos da primeira temporada na divisão máxima”, leríamos o seguinte: “Jamais um clube recém-promovido deverá almejar as primeiras colocações da tabela na sua primeira temporada, sob a penalidade de estremecer o ambiente no elenco, acabar demitindo o técnico e até mesmo correr risco de rebaixamento. Esta regra só não vale para clubes gigantes como Juventus e Milan”.

Essa regra é meio universal. A menos que seja um clube incrivelmente rico e que possa refazer o elenco de uma temporada para a outra, a troca de divisão representa uma impossibilidade de lutar por posições na ponta. O desnível entre as divisões normalmente é muito alto e a troca de quatro ou cinco atletas – por melhores que eles sejam – não é o bastante para fazer com que um time da Série B se equipare aos melhores da Série A.

Dois clubes italianos, Genoa e Napoli, estão ignorando esse capítulo do “Manual”. O primeiro não faz carnaval, mas em mais de uma ocasião, após uma derrota, o presidente do clube, Enrico Preziosi, deu entrevistas criticando seu técnico, Gian Paolo Gasperini. No dia seguinte, Preziosi se recompunha e prestigiava-o. Até renovou seu contrato, mas basta um mau resultado para começarem os resmungos.

Mas o Napoli parece estar cada vez mais arredio. Ainda que numa honrosas 10ª colocação, o clube partenopeu e seus dirigentes (em especial o presidente Aurelio De Laurentiis) ameaçam o técnico Edy Reja depois de maus resultados. No último fim de semana, o ‘mau resultado’ foi um empate em casa com a Lazio, clube que estava na Liga dos Campeões até semanas atrás.

Ainda no domingo, rumores de que Reja teria sido demitido começaram a circular. Os mesmos rumores tinham circulado durante a semana. Na segunda, De Laurentiis os demsentiu e reafirmou sua “confiança e amizade” a Edy Reja. Mas, convenhamos, não é muito reconfortante.

Reja não é um Rinus Michels. Longe disso. Seu Napoli joga bem mas tem problemas defensivos sérios, especialmente contra times que jogam com atacantes rápidos e capazes de encostar nas laterais. O 3-5-2 do treinador proporciona futebol bonito, mas nem sempre se acautela adequadamente.

Daí a exigir dele algo muito além de um 10º lugar é uma completa bobagem. Exceção ao excelente Hamsik, contratado junto ao Brescia, as maiores contratações do Napoli foram Lavezzi e Zalayeta – não por acaso no setor do time que menos precisa de reforços.

Tanto Napoli quanto Genoa ainda perdem partidas pela ingenuidade de seus elencos (que carecem de nomes de maior expressão e experiência). Contudo, os dois times conseguem eventualmente apresentar um futebol espetacular e ainda assim, não dão mostras de que estarão perto da zona do rebaixamento no final do torneio. Sinceramente: dá para exigir algo além disso de um recém-promovido? Se o torcedor acha que porque o time já foi campeão, não precisa seguir o ‘Manual’, deve tomar cuidado. Ou então pode ter de comprar outro título da mesma coleção: “Como evitar a Depressão Após o Rebaixamento”.

Pau que nasce torto

Não é mais novidade. Semana sim, semana não, a Itália volta às manchetes com algum tipo de problema ligado às torcidas organizadas. Nem a morte de um policial nem a suspensão de uma rodada inteira foram suficientes para que o país desse um jeito na questão. E na 19a rodada, a toada foi a mesma.

Marginais, travestidos de torcedores, vindos de Catania encontraram-se com criminosos vestindo camisas da Roma antes do jogo entre as duas equipes no último domingo, nas imediações do estádio Olímpico de Roma. O saldo, como sempre foi de alguns feridos. Um deles, em estado grave, foi para a UTI de um hospital romano.

O leitor há de se perguntar o que foi que aconteceu com as proibições do Observatório Nacional das Manifestações Esportivas, que vetava às torcidas visitantes de ir aos jogos. Na verdade, este colunista também se perguntou a mesma coisa, embora já intuísse a resposta. O rigor inicial passou e a Casa de Mãe Joana voltou a vigorar.

Nesta semana, o Observatório fará uma reunião para discutir o comportamento dos torcedores de Roma, Napoli, Atalanta, Verona, Inter, Juventus, Lazio, Salernitana e Juve Stabia. Só que desde já, é possível dizer que não é bom se esperar muita coisa. Uma ou outra declaração, algum dirigente fazendo declarações com cara de bravo. Depois, volta a mesma zona. Quando os públicos começarem a declinar, que ninguém estranhe.

Muito líder, sem esforço

No final de semana, a Internazionale bateu o Parma e manteve sete pontos de vantagem para a Roma. Mas não merecia vencer. O Parma foi mais incisivo, procurou mais o jogo e vencia a partida até o árbitro marcar um pênalti de Fernando Couto (que custou a sua expulsão), o que desequilibrou de vez o jogo.

O ponto a ser notado é que a Inter ganha mesmo quando joga mal. E quando joga mal, dá a sensação de que não decide a partida porque não quer, tal é a superioridade – especialmente individual – de sua equipe. Um cinismo que Juventus e Milan cansaram de ter nas últimas décadas. O campeonato ainda está aberto, mas nenhuma análise que não leve em conta alguma grande mudança de rota pode mostrar o troféu indo parar em outro lugar além de Via Durini.

Pela primeira vez em muitos anos, a Inter tem um time sólido, a ponto de mesmo com entradas de jogadores como “Zé Costela” Materazzi não façam a casa vir abaixo. Os três volantes no meio-campo (contra o Parma eram Maniche, Cambiasso e Javier Zanetti) proporcionam tanto equilíbrio que os jogos interistas são uma questão de tempo até o golpe final – mesmo que a Inter quase nunca tenha um futebol empolgante.

Roma, Milan e Juventus, os únicos três teoricamente capazes de uma reação (ou pela tabela ou pelo elenco), não seguem o passo. A Roma empolga, mas às vezes patina. A Juventus paga o preço de um elenco em contrução (embora faça algumas seqüências interessantes de jogos). O Milan? Bem, o Milan parece já ter admitido que se contentará com o quarto lugar na Série A e que o verdadeiro objetivo é mesmo a Liga dos Campeões.

Depois de 200 partidas no comando da Inter, o técnico Roberto Mancini pode reclamar parte do mérito do sucesso de seu time. Mancini tem mexido na escalação do time frequentemente sem perder, gerencia um elenco milionário e resiste ao caldeirão que é o clube. Não é pouco. Para o ‘scudetto’ da Inter, no entanto, calar os críticos, o time precisa convencer mais no seu jogo. Até agora, os resultados empolgam mais do que o jogo.

Curtas

Já se decidiu que a partida da Copa Itália, entre Sampdoria e Roma, não poderá ter torcedores da Roma, visitante.

Seleção Trivela da 19a rodada:

Amelia (Livorno); Bonera (Milan), Zapata (Udinese), Galante (Livorno) e Pasquale (Livorno); Hamsik (Napoli), De Rossi (Roma), Locatelli (Siena), e Giuly (Roma); Brienza (Reggina); Gilardino (Milan)

Catanians League

Na semana passada, falamos nesta coluna de como os times menores estão tendo bons desempenhos na Série A. A abordagem global era necessária porque mais de um clube tinha uma performance elogiável e até o Catania, um dos favoritos para o rebaixamento, aparecia bem na tabela.

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Condenada!

Eventualmente o Brasil reconhece suas raízes italianas ao ver no futebol daquele país, maracutaias às quais estamos acostumados aqui. Temos exemplos recentes. A virada de mesa que guindou a Fiorentina à segunda divisão sem passar pela terceira; o escândalo do doping e o escândalo das apostas ocorrido no ano passado. Até parece o futebol da CBF.

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Preço em Euro

Não é um fenômeno peninsular. Aliás, a Juventus, único time a conseguir fazer 12 pontos nos primeiros quatro jogos da Liga dos Campeões, mantinha um ritmo que nenhum outro time na elite do continente suportava. A Juve lidera na liga mais dura do mundo, com somente um empate (até sexta passada), enquanto todos os adversários já tinham dado uma respirada em suas ligas, derrubando pontos pelo caminho.

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O primeiro troféu

Não era muito difícil prever que a partida que valia a Supercopa Italiana, entre Milan e Lazio, tinha um favorito. De um lado, um time que vinha de um título europeu e um ‘scudetto’; do outro, um que se salvou por pouco da falência e que teve de vender seus melhores jogadores para rearrumar a casa.

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