Semanas atrás, esta coluna recebeu e-mail de um torcedor fiorentino que se queixava da ausência de espaço dada à Fiorentina. O leitor – não erradamente – argüiu que o clube das margens do Rio Arno tinha um elenco entre os melhores do campeonato e que lutava por uma vaga na Liga dos Campeões.

Na realidade, para se apontar a Fiorentina como uma das forças da Série A deste ano, cabe esperar mais um pouco, uma vez que no ano passado, o clube ‘viola’ também tinha um elenco excelente e lutou para não cair. Claro, podemos argumentar que o técnico que começou o último campeonato era o insípido Mondonico, enquanto nesta temporada, a Fiorentina está nas mãos de Cesare Prandelli, talvez o melhor treinador desta nova geração.

O compromisso de uma análise da Fiorentina sta feito aqui. Mas nesta semana, o homenageado é o aríete fiorentino, o centroavante Luca Toni. O atacante de 28 anos está tendo uma temporada excelente, e finalmente preenche as expectativas que desde bastante cedo, quando ainda era jogador da Lodigiani e depois do Vicenza.

Toni é o típico homem de área, que prende a zaga próxima do gol. Apesar de bastante alto (1m94), o jogador, nascido em Pavullo nel Frignano (província de Modena), tem uma grande agilidade e uma boa técnica. Seu senso de colocação é espetacular. Mesmo sendo destro, Toni tem um arremate excepcional com o pé esquerdo além do ótimo jogo aéreo.

Para se aproveitar melhor as características de Toni, aconselha-se a presença de um jogador de técnica e mobilidade como seu parceiro. No Brescia, quando conseguiu jogar com Roberto Baggio, Toni já demonstrava como era eficiente. Contudo, uma série infindável de lesões no joelho atrasaram bastante sua consolidação no clube lombardo.

Na Fiorentina, Toni tem dois parceiros preferenciais. O primeiro é o búlgaro Bojinov, jogador de rara habilidade e que gosta de jogar em velocidade ou abrindo o jogo pelas laterais. O outro é o meio-campista Stefano Fiore, que atua então como ‘trequartista’, assegurando um meio-campo mais robusto e liberando mais os dois externos do setor.

Luca Toni é o artilheiro da Série A até aqui e pode perfeitamente sê-lo ao fim do torneio. O atacante marcou nove vezes em oito jogos, fazendo metade do total de seu clube. Copa do Mundo? Certamente o avante fiorentino estará entre os convocados de Marcello Lippi, salvo sofra uma contusão.

Nove juventinos

A lista de indicações para a Bola de Ouro feita pela France Football já saiu. Claro que a presepada de sempre aconteceu e o Real Madrid teve mais indicações que todo mundo mesmo estando há dois anos sem vencer nem uma mísera Copa do Rei. O que?Não? ‘ Los Merengues’ não são os mais indicados? Ora, então nem tudo está perdido…

As chances matemáticas de o jogador vencedor do prêmio ser um juventino são de quase uma em cinco. Isso porque o clube piemontês teve nada menos do que nove indicações entre as cinqüenta, cortesia de um ‘scudetto’ na temporada passada e de um começo de campanha verdadeiramente impressionante por parte da ‘Vecchia Signora’

Gianluigi Buffon (ITA), Mauro Camoranesi (ITA), Fabio Cannavaro (ITA), Emerson (BRA), Zlatan Ibrahimovic (SUE), Pavel Nedved (TCH), Lilian Thuram (FRA), David Trezeguet (FRA) e Patrick Vieira (FRA) são os indicados do time de Capello e emborase saiba que alguns deles dificilmente vencerão (como Thuram ou Cannavaro), a lista é fiel em mostrar a Juventus como dona do time mais sólido na temporada – pelo menos até aqui.

Buffon certamente mereceria o prêmio, mas uma vez que está contundido, suas chances caem vertiginosamente. Emerson e Vieira são inegavelmente a melhor dupla de meio-campo do mundo, mas o estilo pouco vistoso de ambos também dificulta. Assim, o sueco Ibrahimovic surge como o juventino mais ‘premiável’, supondo-se que a Juventus mantenha o ritmo até dezembro, quando o vencedor é anunciado.

Na maioria das vezes, a listada France Football é fortemente influenciada pelo marketing ou pressões mediáticas. O ‘excesso’ juventino também tem seus lobbies, mas ao menor tem um sólido alicerce esportivo, uma vez que o clube realmente espanta os adversários pela eficiência.

O retorno de Inzaghi

Depois de sua séria lesão no tornozelo, num primeiro momento, imaginou-se que o atacante Filippo Inzaghi passaria somente por um ‘estaleiro’ e nada mais. Com a demora na sua recuperação, começaram os rumores, que foram crescendo até que chegou a se falar que Inzaghi teria uma lesão tão séria que seria forçado a abandonar a carreira.

Foi por isso que quando recebeu a bola de Jankulovski, a 13’ do fim do jogo, Inzaghi foi homenageado com um grito ensurdecedor da torcida milanista e trocou um longo e frenético abraço com o técnico Carlo Ancelotti, que durante toda a sua ausência, sempre falou de Inzaghi como se ele estivesse voltando a jogar no dia seguinte, mesmo quando todo mundo já torcia o nariz.

‘Pippo’é muito querido dentro do grupo milanista, especialmente por Vieri, um de seus melhores amigos. A torcida também nutre um afeto especial pelo ex-juventino por causa de sua determinação e doação ímpares, lutando sempre para ajudar o time.

Talvezo retorno de Inzaghi não tenha um impacto devastador, mas se definitivamente ele tiver se livrado da lesão no tornozelo, o Milan ganha um substituto à altura para quando Shevchenko precisar descansar entre uma partida e outra.

Inzaghi e Sheva têm estilos diferentes (embora quando Inzaghi tenha sido contratado, o único a apostar cegamente que ele e o ucraniano dariam certo foi o ex-técnico do Milan, Alberto Zaccheroni). Inzaghi joga com bolas enfiadas em velocidade e é o típico goleador; o ucraniano é um jogador mais completo, com um repertório de possibilidades maior.

A chegada de ‘Pippo’ ao elenco dá ao técnico Ancelotti mais uma alternativa,ainda esperando que Vieri desencante (períodos de ‘seca’ foram comuns na sua carreira). Com Kaká, Seedorf e Jankulovski na assistência, o Milan volta a ter a opção de jogar na velocidade.

– Além dos juventinos, mais seis jogadores que atuam na Itália foram indicados à lista da France Football; são eles:

– Adriano (BRA – Internazionale) e Andriy Shevchenko (UCR), Dida (BRA), Kaká (BRA), Paolo Maldini (ITA), Andrea Pirlo (ITA), todos do Milan.

– Esta é a seleção Trivela da oitava rodada.

– Berti (Empoli); D’Anna (Chievo), Materazzi (Inter) e Maldini (Milan); Bachini (Siena), Gattuso (Milan), Cambiasso (Inter) e Fiore (Fiorentina); Tavano (Empoli), F. Inzaghi (Milan) e Toni (Fiorentina)