Quando Roberto Baggio assinou contrato com o Brescia, quatro temporadas atrás, a jogada parecia fadada ao fracasso, tanto para o jogador, quanto para o clube. Para o jogador, porque o Brescia jamais tinha feito duas temporadas seguidas na Série A; para o clube, porque os 4 milhões de euros que pagaria de salário ao “Codino” eram um luxo que o pequeno clube lombardo parecia não poder se permitir.

Neste domingo, Baggio fez seu último jogo no estádio Mario Rigamonti, em Brescia, diante de um público que o idolatra. Sim, porque o Brescia conseguiu ficar inacreditáveis quatro temporadas sem retroceder, assistiu Baggio no esplendor da sua forma técnica, e por pouco, não conseguiu vagas na Copa UEFA em alguns desses anos.

Roberto Baggio não poderia se despedir do time que o redimiu de seus “fracassos” em Milão de uma forma que não fosse uma performance de craque. Baggio estendeu a Lazio no chão, fazendo um golaço, dando o passe para outro, e recebendo uma ovação que encheu de lágrimas os olhos de muita gente.

Em Brescia, o craque de 37 anos certamente se redimiu de uma passagem cinzenta pela Inter de Milão. Anunciou sua aposentadoria jogando ainda incrivelmente bem. Não fosse pelas dores no joelho que o afligem, Baggio poderia continuar jogando em um grande clube italiano ou europeu. “Eu continuaria se tivesse dois novos joelhos”, foram as palavras do próprio à imprensa italiana, numa coletiva.

Apesar de todas as afirmações do jogador, ainda não está completamente descartada a possibilidade de Baggio disputar mais uma temporada. Fala-se muito em Firenze do retorno à Fiorentina de Baggio e de Batistuta, o que faria Firenze explodir em animação. O jogador não dá muito crédito à esta hipótese, mas, no passado recente, já anunciou sua aposentadoria e voltou atrás. Oxalá o faça mais uma vez.

O Empoli entre a Inter e a Liga dos Campeões

Com uma prova convincente (um Parma embalado), a Inter fez o seu papel em San Siro e voltou a depender de si mesma para poder ir à Liga dos Campeões. Com um gol do brasileiro Adriano (provavelmente a atração do próximo Italiano), a Inter bateu o Parma, retomou a frente entre os pretendentes à vaga, e agora só precisa vencer o Empoli, no Carlo Castellani, na última rodada.

Eu disse só? Bem, talvez não seja este o caso. O time toscano está entre os últimos, é verdade. Contudo, convém considerarmos alguns fatores antes de colocar o time vizinho da Fiorentina como sendo uma ‘baba’ para Veri e companhia.

O primeiro deles é que o Empoli bateu a Inter em San Siro, no jogo de ida, e convenhamos não é tarefa fácil. O segundo, é que o clube toscano está com o orgulho ferido por ter sido derrotado pelo já rebaixado Ancona, neste último final de semana. E em terceiro, uma vitória do Empoli garante ao clube, no mínimo, a chance de jogar uma repescagem contra o sexto colocado da segunda divisão, por uma vaga no próximo torneio.

Se a Inter não conta com Almeyda, Brechet e Vieri (suspenso pelo terceiro amarelo), o Empoli terá seu time com desfalques menos importantes (Foggia, Bucci e Zanetti, nenhum deles titular absoluto). A torcida vai lotar o pequeno estádio municipal da cidade, bem às margens do rio Arno (o mesmo que cruza Firenze) e vai ajudar na pressão.

Diga o que se quiser de Vieri, mas ele decide quando a Inter precisa, e o time vai sentir falta dele. Adriano é um estupendo jogador, só que Vieri já assusta no vestiário. Além disso, Zaccheroni precisa trabalhar o grupo com o fato de que ele pode não ser o técnico no ano que vem.

Parma e Lazio dependem do jogo de Empoli. Se a Inter empatar, o Parma sai avantajado, porque, vencendo a Udinese (já classificada para a Copa UEFA e sem outras motivações no torneio), termina em quarto lugar, ficando com a vaga da LC. A Lazio precisa vencer o Modena, que Parma e Inter percam, para forçar uma partida desempate com a Inter. É muita matemática, mas a esperança….

Modena, Perugia e Empoli: dois vão cair

Tão sangrenta e cruel quanto a vaga pela Liga dos Campeões, é a luta contra o rebaixamento. Com o Ancona já sem pulsação, Reggina, Lecce, Siena e Brescia salvos antes da última rodada, são três os desesperados que fogem das duas vagas na Série B. Aliás, duas vagas diretas mais um “playoff” contra o sexto colocado na Série B desta temporada (hoje, seria o Piacenza).

A pior situação é a do Perugia, com 29 pontos. Só que o time umbro vem de duas vitórias animadoras, contra Juventus e Roma, onde o velho Ravanelli mostrou que pode jogar mais alguns anos de bola, desde que num time pequeno. A motivação cresceu enormemente nas últimas semanas, e o elenco voltou a acreditar na salvação. Seu último adversário será o Ancona, morto-vivo que faz estragos.

Modena e Empoli têm 30 pontos cada um, mas vivem a situação inversa do Perugia: estão enterrados na frustração. O Empoli, como já dissemos, perdeu para um Ancona rebaixado, enquanto o Modena, perdeu, em casa, para um Siena que ainda estava na luta contra o rebaixamento. O Modena pega a Lazio em Roma, e o Empoli, recebe a Inter.

Mesmo tendo um ponto a menos, o calendário parece francamente favorável ao Perugia da família Gaucci, useira e vezeira em tramóias tapetísticas. Bater o Ancona no Renato Curi é uma tarefa absolutamente ao alcance do time de Serse Cosmi. E as chances de que Lazio e Inter percam seus jogos (simultaneamente), é bem pequena. Vejamos, porque as últimas rodadas dos Italianos passados têm sido bem surpreendentes.

Juve e Lazio querem a Copa Itália. Mesmo.

Para quem começou a temporada tendo em vista a Liga dos Campeões, a Copa Itália não passa de um prêmio de consolação. Um pacote de bolachas, para quem queria o banquete. Mesmo assim, Lazio e Juventus farão uma luta com todas as suas forças, para conseguir o título da copa doméstica.

Explica-se: nenhum dos dois times quer fechar a história da temporada com um branco no “palmarés”, e é melhor vencer a Copa Itália do que nada. A motivação é ainda maior para Marcello Lippi, que no ano que vem, não estará mais no Delle Alpi.
A batalha desta quarta-feira é a última grande emoção que juventinos e laziali poderão oferecer para suas torcidas (e, indiretamente, para seus patrocinadores).

A vantagem de dois gols da Lazio não é intransponível, mas pode-se dizer que é quase. Lippi tem problemas para escalar o meio-campo, com Tudor, Tacchinardi e Conte fora de jogo, e com Appiah tentando se recuperar às pressas (ah, que falta que faz Davids). Nedved volta ao time depois de sua folga, com Del Piero-Trezeguet no ataque.

A Lazio tem a seu favor, além da vantagem, a ausência de problemas de elenco e ainda uma chance matemática de se classificar para a Liga dos Campeões. Com 100 participações recém-completadas como treinador da Lazio, Roberto Mancini quer a sua sétima copa nacional (a segunda como técnico).

Curtas

Se a Copa Giovanni Havelange (ou Série B) acabasse hoje, estariam automaticamente promovidos à Série A os seguintes times

Palermo, Cagliari, Livorno, Messina e Atalanta

Além disso, haveria um “playoff” entre o 15o (hoje, Modena ou Empoli) e o Piacenza

Ou seja: tudo indica que teremos mais espaço para os times do sul da Itália na próxima temporada

Palermo, Cagliari e Messina são times de torcidas calorosíssimas

Apesar da derrota para a Reggina, Shevchenko conseguiu mais uma marca importante sem sua carreira italiana

Ucraniano, Sheva completou 150 jogos pela Série A, anotando 90 gols, alcançando ninguém menos do que o holandês Marco Van Basten

O sérvio Dejan Stankovic (Inter) também completou 150 jogos pela divisão máxima da Itália

O segundo turno do Lecce foi o que salvou o time salentino

Somente Milan, Roma e Juve fizeram mais pontos do que o elenco do Via del Mare

Falando nisso, o volante Ledesma, do Lecce, vai fazer uma turnê do clube ‘rossonero’ na China, durante as férias de verão

Não seria nada improvável que Ledesma voltasse da Ásia já contratado, uma vez que Ancelotti procura jogadores na posição, para compor elenco

Outro jogador que pode participar da turnê com o Milan é Beppe Signori, que está encerrando a carreira, juntamente com Donati e Dalla Bona (do Milan, mas emprestados à Sampdoria e Bologna), além dos sampdorianos Antonini, Carrozzieri e Diana, e de Dainelli (Brescia)

Antonini cresceu nas divisões de base do clube de Via Turati

Esta é a seleção Trivela da 33a e penúltima rodada

Castelazzi (Brescia); Zé Maria (Perugia), Cannavaro (Inter), Oddo (Lazio) e César (Lazio); Taddei (Siena), Vergassola (Siena) e Appiah (Juventus); Baggio (Brescia), Adriano (Inter) e Amauri (Chievo).