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O importante é vencer

“O importante é competir”. A frase ficou famosa na boca do Barão de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos modernos, embora provavelmente seja bem mais antiga que ele. Vencedores e vencidos estavam, na verdade, se confraternizando, e ‘jogar para vencer’ era até mesmo um insulto, por exemplo, nos momentos de origem do futebol na Inglaterra.

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O primeiro troféu

Não era muito difícil prever que a partida que valia a Supercopa Italiana, entre Milan e Lazio, tinha um favorito. De um lado, um time que vinha de um título europeu e um ‘scudetto’; do outro, um que se salvou por pouco da falência e que teve de vender seus melhores jogadores para rearrumar a casa.

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Suspense Inzaghi

Primeiro, foi a decepção por não jogar a maior parte do campeonato em que o Milan conquistou seu ‘scudetto’ de número 17; segundo, uma operação feita às pressas para tentar voltar a tempo de ir à Euro 2004; terceiro, a não convocação para a própria Euro. Mas é possível que Filippo Inzaghi ainda esteja longe de poder voltar a sorrir.

Inzaghi viajou nesta semana com uma comitiva médica do Milan para os Estados Unidos, depois de visitar uma clínica especializada em Amsterdam. Tudo envolto em muito mistério. E de toda essa neblina, os boatos começaram a sair em velocidade máxima. Fala-se desde uma parada de mais dois meses do centroavante, até outros, catastrofistas, que falam num problema similar ao que tirou Marco Van Basten do futebol.

O Milan nega em peso que seja algo gravíssimo. Mas de qualquer forma, é fato que Pippo Inzaghi tem uma lesão que não é simples. Não deve ser à toa que o Milan foi buscar Hernán Crespo. A hipótese mais plausível é a de que a pressa com que o processo foi conduzido, visando deixar Inzaghi bom para a Euro, teve relevância no problema mal-resolvido.

Não se sabe ao certo, mas parece que Pippo teve duas lesões ao mesmo tempo. Uma delas, ligamentar, foi resolvida com a cirurgia feita meses atrás; mas dois corpos móveis estariam atrapalhando o funcionamento do tornozelo do atacante. O problema é que o Milan não fala nada sobre o problema, e deixa espaço para as especulações.

Mesmo com boas opções no ataque, o técnico Carlo Ancelotti não quer nem pensar na hipótese de não ter Inzaghi novamente por toda a temporada. Pippo é um dos favoritos da torcida milanista e seu aproveitamento é espetacular, ainda que ele não seja um grande craque, tecnicamente falando. Enquanto o corpo médico do Milan não apresentar um diagnóstico preciso, a torcida do campeão italiano vai seguir roendo as unhas. Com muita razão.

Napoli: é Série C

Até a publicação desta coluna, era praticamente oficial. O Napoli está rebaixado para a Série C1, junto com o Ancona, por não conseguir reunir as condições financeiras necessárias para garantir sua inscrição no campoenato da Série B da Itália. Ou seja: a quarta maior torcida da Itália deve ver seu time na terceira divisão, isso se não acontecer nada pior. Se Napoli e Ancona forem mesmo reprovados, Bari e Pescara podem pedir para subir à Série B, desde que tenham crédito suficiente na praça para honrar seus compromissos.

A odisséia napolitana é uma tragédia anunciada. Desde a saída de Maradona, o clube vem se desintegrando com gestões desastrosas, contratações erradas, e gerência estúpida. Ótimos técnicos e jogadores passaram pelo San Paolo na última década, mas o clube jamais tirou proveito disso.

Agora, com um oceano de dívidas, amarrado à uma grande salada onde se envolvem Máfia, torcidas organizadas, e diretoria dividida, o clube está amarrado e nenhum empresário quer assumir a bomba. O último deles, Salvatore Naldi, enterrou seu patrimônio no ralo napolitano. Para piorar, escãndalos com apostas e lavagem de dinheiro foram levantados pela polícia, com a Máfia por trás. Se manter na terceira divisão já será bom negócio para o Napoli, desde que consiga iniciar uma mega-reestruturação.

Emerson pressiona rumo à Juventus

A Roma, cheia de débitos, sorriu aliviada quando o Real Madrid bateu à porta de Trigoria com € 18 milhões. O clube ‘blanco’ queria levar o meio-campista Emerson, embrulhado para presente. O negócio estava fechado quando o brasileiro se virou e disse: “Não quero”.

A Roma berrou, esperneou chiou e gritou, mas Emerson quer mesmo é seguir Fabio Capello para a Juventus. Mais chiadeira da Roma, que exigia € 18 mi, mais o passe de Manuele Blasi (curiosamente, formado nas categorias de base da Roma) para liberar o “grosso” Emerson.

Bate de cá, empurra de lá, grita daqui, e a Juventus parece estar conseguindo levar a coisa para onde deseja. O preço de Emerson já caiu para € 14 mi, sem Blasi. A Roma sabe que vai ter de ceder mais cedo ou mais tarde, até para poder comprar reforços e agradar o capitão Totti. O duro é ter de negociar com a Juventus.

O brasileiro é um tripé fundamental no meio-campo imaginado por Fabio Capello para a Juventus. Além de Emerson, é dada como certa a chegada de mais um atacante, depois da saída de Marco Di Vaio. Ideal? Gilardino, mas seu preço alto (€ 18 milhões), ainda não agrada à direção juventina. E aí, há a concorrência da Roma. A mesma que briga para não vender Emerson

Curtas

O Lecce comandado por Zdenek Zeman é uma das incógnitas da temporada

Zeman vai armar, como sempre, um time com três atacantes, deixando sempre espaço para o contra-ataque

Atenção: o trio ofenssivo do time pugliese (provavelmente com Bojinov, Konan e Pellé tem tudo para dar show

Jornais portugueses ligam Rui Costa ao Manchester United; o clube inglês, para variar, nega.

Baggio, o adeus a Brescia

Quando Roberto Baggio assinou contrato com o Brescia, quatro temporadas atrás, a jogada parecia fadada ao fracasso, tanto para o jogador, quanto para o clube. Para o jogador, porque o Brescia jamais tinha feito duas temporadas seguidas na Série A; para o clube, porque os 4 milhões de euros que pagaria de salário ao “Codino” eram um luxo que o pequeno clube lombardo parecia não poder se permitir.

Neste domingo, Baggio fez seu último jogo no estádio Mario Rigamonti, em Brescia, diante de um público que o idolatra. Sim, porque o Brescia conseguiu ficar inacreditáveis quatro temporadas sem retroceder, assistiu Baggio no esplendor da sua forma técnica, e por pouco, não conseguiu vagas na Copa UEFA em alguns desses anos.

Roberto Baggio não poderia se despedir do time que o redimiu de seus “fracassos” em Milão de uma forma que não fosse uma performance de craque. Baggio estendeu a Lazio no chão, fazendo um golaço, dando o passe para outro, e recebendo uma ovação que encheu de lágrimas os olhos de muita gente.

Em Brescia, o craque de 37 anos certamente se redimiu de uma passagem cinzenta pela Inter de Milão. Anunciou sua aposentadoria jogando ainda incrivelmente bem. Não fosse pelas dores no joelho que o afligem, Baggio poderia continuar jogando em um grande clube italiano ou europeu. “Eu continuaria se tivesse dois novos joelhos”, foram as palavras do próprio à imprensa italiana, numa coletiva.

Apesar de todas as afirmações do jogador, ainda não está completamente descartada a possibilidade de Baggio disputar mais uma temporada. Fala-se muito em Firenze do retorno à Fiorentina de Baggio e de Batistuta, o que faria Firenze explodir em animação. O jogador não dá muito crédito à esta hipótese, mas, no passado recente, já anunciou sua aposentadoria e voltou atrás. Oxalá o faça mais uma vez.

O Empoli entre a Inter e a Liga dos Campeões

Com uma prova convincente (um Parma embalado), a Inter fez o seu papel em San Siro e voltou a depender de si mesma para poder ir à Liga dos Campeões. Com um gol do brasileiro Adriano (provavelmente a atração do próximo Italiano), a Inter bateu o Parma, retomou a frente entre os pretendentes à vaga, e agora só precisa vencer o Empoli, no Carlo Castellani, na última rodada.

Eu disse só? Bem, talvez não seja este o caso. O time toscano está entre os últimos, é verdade. Contudo, convém considerarmos alguns fatores antes de colocar o time vizinho da Fiorentina como sendo uma ‘baba’ para Veri e companhia.

O primeiro deles é que o Empoli bateu a Inter em San Siro, no jogo de ida, e convenhamos não é tarefa fácil. O segundo, é que o clube toscano está com o orgulho ferido por ter sido derrotado pelo já rebaixado Ancona, neste último final de semana. E em terceiro, uma vitória do Empoli garante ao clube, no mínimo, a chance de jogar uma repescagem contra o sexto colocado da segunda divisão, por uma vaga no próximo torneio.

Se a Inter não conta com Almeyda, Brechet e Vieri (suspenso pelo terceiro amarelo), o Empoli terá seu time com desfalques menos importantes (Foggia, Bucci e Zanetti, nenhum deles titular absoluto). A torcida vai lotar o pequeno estádio municipal da cidade, bem às margens do rio Arno (o mesmo que cruza Firenze) e vai ajudar na pressão.

Diga o que se quiser de Vieri, mas ele decide quando a Inter precisa, e o time vai sentir falta dele. Adriano é um estupendo jogador, só que Vieri já assusta no vestiário. Além disso, Zaccheroni precisa trabalhar o grupo com o fato de que ele pode não ser o técnico no ano que vem.

Parma e Lazio dependem do jogo de Empoli. Se a Inter empatar, o Parma sai avantajado, porque, vencendo a Udinese (já classificada para a Copa UEFA e sem outras motivações no torneio), termina em quarto lugar, ficando com a vaga da LC. A Lazio precisa vencer o Modena, que Parma e Inter percam, para forçar uma partida desempate com a Inter. É muita matemática, mas a esperança….

Modena, Perugia e Empoli: dois vão cair

Tão sangrenta e cruel quanto a vaga pela Liga dos Campeões, é a luta contra o rebaixamento. Com o Ancona já sem pulsação, Reggina, Lecce, Siena e Brescia salvos antes da última rodada, são três os desesperados que fogem das duas vagas na Série B. Aliás, duas vagas diretas mais um “playoff” contra o sexto colocado na Série B desta temporada (hoje, seria o Piacenza).

A pior situação é a do Perugia, com 29 pontos. Só que o time umbro vem de duas vitórias animadoras, contra Juventus e Roma, onde o velho Ravanelli mostrou que pode jogar mais alguns anos de bola, desde que num time pequeno. A motivação cresceu enormemente nas últimas semanas, e o elenco voltou a acreditar na salvação. Seu último adversário será o Ancona, morto-vivo que faz estragos.

Modena e Empoli têm 30 pontos cada um, mas vivem a situação inversa do Perugia: estão enterrados na frustração. O Empoli, como já dissemos, perdeu para um Ancona rebaixado, enquanto o Modena, perdeu, em casa, para um Siena que ainda estava na luta contra o rebaixamento. O Modena pega a Lazio em Roma, e o Empoli, recebe a Inter.

Mesmo tendo um ponto a menos, o calendário parece francamente favorável ao Perugia da família Gaucci, useira e vezeira em tramóias tapetísticas. Bater o Ancona no Renato Curi é uma tarefa absolutamente ao alcance do time de Serse Cosmi. E as chances de que Lazio e Inter percam seus jogos (simultaneamente), é bem pequena. Vejamos, porque as últimas rodadas dos Italianos passados têm sido bem surpreendentes.

Juve e Lazio querem a Copa Itália. Mesmo.

Para quem começou a temporada tendo em vista a Liga dos Campeões, a Copa Itália não passa de um prêmio de consolação. Um pacote de bolachas, para quem queria o banquete. Mesmo assim, Lazio e Juventus farão uma luta com todas as suas forças, para conseguir o título da copa doméstica.

Explica-se: nenhum dos dois times quer fechar a história da temporada com um branco no “palmarés”, e é melhor vencer a Copa Itália do que nada. A motivação é ainda maior para Marcello Lippi, que no ano que vem, não estará mais no Delle Alpi.
A batalha desta quarta-feira é a última grande emoção que juventinos e laziali poderão oferecer para suas torcidas (e, indiretamente, para seus patrocinadores).

A vantagem de dois gols da Lazio não é intransponível, mas pode-se dizer que é quase. Lippi tem problemas para escalar o meio-campo, com Tudor, Tacchinardi e Conte fora de jogo, e com Appiah tentando se recuperar às pressas (ah, que falta que faz Davids). Nedved volta ao time depois de sua folga, com Del Piero-Trezeguet no ataque.

A Lazio tem a seu favor, além da vantagem, a ausência de problemas de elenco e ainda uma chance matemática de se classificar para a Liga dos Campeões. Com 100 participações recém-completadas como treinador da Lazio, Roberto Mancini quer a sua sétima copa nacional (a segunda como técnico).

Curtas

Se a Copa Giovanni Havelange (ou Série B) acabasse hoje, estariam automaticamente promovidos à Série A os seguintes times

Palermo, Cagliari, Livorno, Messina e Atalanta

Além disso, haveria um “playoff” entre o 15o (hoje, Modena ou Empoli) e o Piacenza

Ou seja: tudo indica que teremos mais espaço para os times do sul da Itália na próxima temporada

Palermo, Cagliari e Messina são times de torcidas calorosíssimas

Apesar da derrota para a Reggina, Shevchenko conseguiu mais uma marca importante sem sua carreira italiana

Ucraniano, Sheva completou 150 jogos pela Série A, anotando 90 gols, alcançando ninguém menos do que o holandês Marco Van Basten

O sérvio Dejan Stankovic (Inter) também completou 150 jogos pela divisão máxima da Itália

O segundo turno do Lecce foi o que salvou o time salentino

Somente Milan, Roma e Juve fizeram mais pontos do que o elenco do Via del Mare

Falando nisso, o volante Ledesma, do Lecce, vai fazer uma turnê do clube ‘rossonero’ na China, durante as férias de verão

Não seria nada improvável que Ledesma voltasse da Ásia já contratado, uma vez que Ancelotti procura jogadores na posição, para compor elenco

Outro jogador que pode participar da turnê com o Milan é Beppe Signori, que está encerrando a carreira, juntamente com Donati e Dalla Bona (do Milan, mas emprestados à Sampdoria e Bologna), além dos sampdorianos Antonini, Carrozzieri e Diana, e de Dainelli (Brescia)

Antonini cresceu nas divisões de base do clube de Via Turati

Esta é a seleção Trivela da 33a e penúltima rodada

Castelazzi (Brescia); Zé Maria (Perugia), Cannavaro (Inter), Oddo (Lazio) e César (Lazio); Taddei (Siena), Vergassola (Siena) e Appiah (Juventus); Baggio (Brescia), Adriano (Inter) e Amauri (Chievo).

Vai faltar espaço na cadeia

Nos últimos anos, o futebol italiano foi um verdadeiro viveiro para tudo quanto é praga, mais ou menos criminosa. Agentes inescrupulosos, falsificadores, médicos irresponsáveis, dirigentes pilantras, todos tiveram espaço para fazer escândalos. E não foram poucos. Doping (médico e administrativo), passaportes falsos, falência de clubes, virada de mesa…

Mas pode ser que, finalmente, esteja na hora da ratatulha ir para a cadeia. Na última quinta, policiais e agentes da ‘Guardia di Finanzia’ (uma espécie de polícia tributária) invadiram as sedes de todos os clubes da primeira e segunda divisão, e alguns da terceira, além da Lega Calcio. Toneladas de documentos foram apreendidas e estão sendo minuciosamente vasculhadas. Para horror dos cartolas.

Basicamente, as suspeitas são de corrupção, bancarrota fraudulenta e falsificação de balanços. Quase trinta inquéritos estão sendo conduzidos, entre os quais, o dos passaportes, doping, cartas de garantias falsas, falências da Círio e Parmalat, abuso de poder da Capitalia, entre outros. Potencialmente, pode envolver o primeiro escalão do poder na Itália. De uma maneira geral, o assalto da GDF foi bem visto, especialmente por aqueles que pediam clareza nas finanças de clubes como Roma e Napoli, desde sempre beneficiados por favores dos “co-irmãos”.

De cara, já se sabe que o que mais vai aparecer são as chamadas ‘plusvalenze’, uma artimanha que os clubes faziam. Trocando jogadores de valores similares, os clubes alteravam seus balancetes para cobrir prejuízos. Um jogador era comprado por mil dólares e vendido por dez milhões, semanas depois. Isso aconteceu milhares de vezes, sabida e assumidamente. Lembram-se das trocas de jogadores entre Inter e Milan? Entre Roma e Parma? Pois é.

O grupo que está encarregado de passar o pente fino nas finanças dos clubes é da maior competência, e parece determinado a colocar tudo às claras. Todos os personagens do futebol italiano estão mais ou menos envolvidos com as negociatas, e embora haja uma certa calma, tudo indica que a chapa vai ferver para muita gente. Esta é uma investigação que não se sabe onde pode acabar.

Русские исчезли!

Tudo parecia estar arranjado. A Roma finalmente conseguiria sair de sua sinuca de bico. O clube de Trigoria tem uma dívida impagável de cerca de € 350 milhões, e para não seguir a rota de Parma e Lazio (ou pior – Fiorentina), o dono do clube achou uns russos endinheirados na mesma onda do milionário que comprou o Chelsea. A Nafta Moscou pagaria a Franco Sensi cerca de € 400 mi, e todos ficariam contentes – torcida incluída, pois não só não perderia Totti, Emerson e outros, como “corria o risco” de ver chegarem Davids, Vieri e mais alguns medalhões.

O verbo está no passado porque ia bem, mas não vai mais. Os milionários russos se borraram de medo quando viram a polícia invadindo as sedes de todos os clubes, e pensaram: será que nós não estaríamos entrando numa roubada? Na dúvida, suspenda-se tudo. A Roma volta à estaca zero.

A semana passada se desenhou macia para a negociação romanista, e numa hora em que a grana dos petroleiros russos viria bem à calhar. Agora, sem a grana dos Urais, o presidente do clube, France Sensi, só tem uma saída. Entrar em acordo com um grupo de empresários de Roma que tinha topado substitui-lo à frente do clube. O problema é que eles não querem as dívidas do clube, ou pelo menos exigem que o valor seja abatido da negociação. Sensi não aceita.

Moral da história: o furacão fiscalizatório do governo italiano acabou ferrando Sensi, que vai ter de ceder, mais cedo ou mais tarde. A gestão do clube sob suas mãos foi ruinosa. Por bem pouco, não se teria causado conseqüências para a torcida. Como última tentativa, a Roma subiu seu capital para 130 milhões de euros. A medida visa melhorar a situação financeira do clube e tentar atrair os russos de volta.

Ah, e mais uma coisa: o título desta matéria deveria ser “Os russos sumiram!”. Caso algum internauta letrado em russo ache alguma imperfeição na tradução (feita num tradutor automático), aguardamos correções.
Inter, o inimigo íntimo

A Inter é o clube que não precisa de inimigos. Ninguém sabe fazer mais mal à equipe de Via Durini do que ela mesma. Na derrota para o Brescia em Milão, de virada, ficou provada irrefutavelmente a fraqueza psicológica do elenco interista, somada a uma sensível lacuna técnica.

A crise interista é tão feia que já se considera certo que Alberto Zaccheroni não fica para a temporada que vem. Mais: novas derrotas podem fazer com que o técnico romagnolo perca o emprego ainda nesta ano. Zaccheroni deve acabar pagando o pato pelos eternos problemas do clube. Injustamente.

Sabe-se que a diretoria finalmente resolveu fazer um expurgo em junho, onde diversos nomes podem tomar o caminho da roça. Por hora, a medida adotada foi um retiro do elenco, que está em regime de concentração permanente, para treinos e lavagem de roupa suja ‘ad infinitum’.

Em campo, o grande drama da Inter segue sendo não ter um comandante no meio-campo. É incrível como a Inter consegue desnaturar jogadores comprovadamente bons, como Lamouchi ou Dejan Stankovic. O time não tem um jogador que consiga ordenar a manobra, e assim, depende de lampejos dos atacantes. E como a bola queima o pé dos meio-campistas, a defesa acaba sempre ficando no mano-a-mano, e sempre perdendo. Até Toldo, um dos três melhores goleiros do mundo, está jogando incrivelmente mal.

A saída de emergência parece improvável. O ideal seria umafaxina imediata, limando TODOS os jogadores que estejam fazendo parte da turma do chinelinho. Por sorte da Inter, nenhum dos outros aspirantes à quarta vaga para a Liga dos Campeões (Parma, Lazio, Udinese) venceu nesta rodada, mas este posto parece difícil, pois a Inter é o mais irregular dos quatro. Para pegar uma vaga-UEFA, a Inter não precisa de nenhum medalhão, e a mensagem estaria dada aos jogadores: o couro vai comer se ninguém se mexer.

Lecce turbo, rebaixamento duríssimo

O mês de fevereiro foi tudo o que o Lecce esperava. Um dos rebaixados virtuais na virada do ano, o time do Via Del Maré fez um mercado excelente e transformou-se na sensação do torneio. Basta dizer que nas últimas cinco partidas, o ‘giallorosso’ do Salento fez 13 pontos, concedendo somente um empate, contra o Milan.

E qual a varinha de condão usada? Nenhuma. O Lecce se reforçou nos setores certos. De maior relevância, a chegada do colombiano Bolaño no meio-campo, e a explosão da dupla Bojinov-Chevantón no ataque. O uruguaio marcou nas últimas cinco partidas e tem transferência garantida para o próximo campeonato.

Mas além da turbinada do Lecce, outros times que lutam contra o rebaixamento também reagiram. O Empoli já vem de uma melhoria desde a virada do ano, com a consolidação a dupla Rocchi-Tavano e a consistência dos meias Di Natale e Vannucchi. Esta coluna cravou que o Empoli já tinha reservado a vaga no rebaixamento, mas a reação surpreendente reabilita o time toscano para seguir sonhando. A vitória contra a excelente Udinese é prova disso.

Não é só. O Perugia finalmente conseguiu uma seqüência de duas vitórias, e ainda segue favorita para cair, mas voltou a ter chances de pensar em se manter (mesmo com chances reduzidíssimas). Reggina, Siena e Modena perderam terreno e já estão na área perigosa da tabela. Na verdade, nove pontos separam o 17º e o 10º colocados. O Ancona é o único que está irremediavelmente comprometido.

Curtas

Zambrotta fez, contra o Ancona, a sua 200ª partida pela Série A

O meio-campista fez 141 jogos pela Juventus e 59 pelo Bari

Aliás, o Ancona que perdeu para a Juve de Zambrotta, deve estabelecer um novo recorde negativo nesta temporada

Já são 17 derrotas até aqui

Frey (Parma) e Torrisi (Reggina), completaram 150 partidas na divisão máxima

Um jornal de Brescia ventilou que o Anderlecht quer Baggio para a Liga dos Campeões do ano que vem

O time belga, que nega o interesse, daria condições especiais de treino para o craque veterano, que jogaria somente a competição européia

E esta é a seleção Trivela do Italiano neste final de semana

Antonioli (Sampdoria); Mancini (Roma), Vargas (Empoli), Barzagli (Chievo) e Maldini (Milan);Seedorf (Milan), Codrea (Perugia), Emerson (Roma), Vannucchi (Empoli); Totti (Roma); Cassano (Roma)

Metade já foi!

Se ainda estivéssemos na metade dos anos noventa, a conquista do título de inverno do futebol italiano, por parte da Roma, significaria 90% da conquista do ‘scudetto’. Isso porque, historicamente, quem chegou à frente no final do primeiro turno, venceu o campeonato em maio (até 1997, a proporção era de 9 vezes em dez).

Mas dos últimos seis campeonatos, somente em duas oportunidades o campeão de inverno venceu o ‘scudetto’. Em 1998, a Juventus de Zidane tinha vencido o primeiro turno; em 2001, a Roma de Batistuta, também. Nas outras quatro oportunidades, o campeão atropelou na reta final.

Hoje, a proporção dos ‘scudetti’ conquistados pelo campeão de inverno caiu para 67%. A campanha da Roma é, incontestavelmente, excepcional. Contudo, esta coluna segue colocando Juventus e Milan como favoritos ao título deste ano, contrariando a opinião de plantão na imprensa. Sem “achismo”.

Fabio Capello é, historicamente, um treinador que organiza as campanhas de seus times “em fuga”. Ou seja: prefere arrancar na frente e administrar a distância de três ou quatro pontos durante todo o torneio. Foi assim na conquista de todos seus títulos no Milan e assim na conquista do título da Roma em 2001. Mas nesta temporada, assim como no título de inverno de 2002, o time de Trigoria não tem vantagem numérica ou quase isso (três pontos acima da Juve e do Milan, mas com os ‘rossoneri’ com um jogo a menos).

Francesco Totti foi o artífice de uma campanha excelente (leia o excerto abaixo). É o artilheiro da Roma com onze gols (seu recorde histórico é de quatorze tentos numa temporada), e vice-artilheiro do Italiano, mesmo sem jogar como atacante puro. É pouco provável que Totti repita o seu primeiro turno, e sem ele, Capello não tem nenhum jogador (aparentemente) em condições de fazer o salto de qualidade, ao passo que Juve e Milan têm vários craques que ainda não atingiram os seus auges (Pippo Inzaghi e Del Piero, por exemplo).

A Roma será assombrada neste segundo turno, sem sombra de dúvida, por ofertas milionárias pelos seus campeões. Fabio Capello, Emerson, Samuel e Christian Chivu serão assediados insistentemente. A prática mostra que tal assédio prejudica as performances dos atletas (que o digam Stankovic e Davids), e a Roma, entre os quatro grandes, é o único sem condições de bancar investidas milionárias.

Os indícios de trovoadas sobre o futuro romanista não tiram as chances da Roma, nem a colocam como o azarão do páreo. Como sempre, a Roma, para vencer um campeonato, precisa fazer um esforço maior do que Milan e Juve, para tirar a diferença que existe entre os clubes. Teremos um segundo turno sensacional, provavelmente, o mais ferrenho entre os grandes torneios europeus. Essa é a única certeza.

Totti e mais dez

Sendo ou não sendo romanista, não dá para não apreciar o talento de Francesco Totti, hoje, espinha dorsal e cérebro desta Roma de Capello, que chegou ao título de inverno depois de uma briga feroz com Juventus e Milan. A campanha de 17 jogos e 13 vitórias ilustra o rendimento deste time.

O time merece aplausos, sem dúvida. Mancine se adaptou excepcionalmente bem à ala-direita (embora compara-lo com Cafu ainda seja uma pataquada típica de imprensa esportiva); Samuel é um dos melhores centrais da Europa; Emerson tem o respeito de 191 países no mundo (adivinhe qual o único onde ele é tido como uma besta?). Mas sem Totti, a Roma briga para não ficar fora da próxima Liga dos Campeões, e nada mais.

O capitão romanista é o tipo do jogador que bate o escanteio e corre para cabebecear. Se a sua presença nos últimos anos tem sido essencial, neste ano passou a ser mais que isso. Totti é o jogador que dá criatividade ao meio-campo, incisividade ao ataque, e até mesmo mais tranqüilidade à defesa, pois os adversários não se lançam à frente com tanta sede.

O momento do meio-campista italiano hoje é, até aqui, o melhor em sua carreira. Estivesse numa equipe grande do futebol europeu, como o Manchester United, ou o Real Madrid, e é muito provável que Totti já tivesse vencido a Bola de Ouro. Se bem que, como disse Michel Platini, é difícil saber como o craque se comportaria numa cidade que não fosse a sua cidade natal.

Na atual temporada, Totti se supera, porque além de tudo, ainda supre a carência que a Roma tem de um centroavante eficaz (Montella esteve machucado por bastante tempo, e Carew está se adaptando somente agora). Seus 11 gols sugerem um recorde individual antes de junho. Caso o craque não se machuque, a marca ainda é possível.

Luta dura na rabeira

Um mês atrás e o campeonato estava com dois times praticamente rebaixados. Empoli e Ancona começaram devagar-quase-parando, enquanto a maioria dos outros times já ia granjeando pontos. No fim do primeiro turno, o Ancona ainda está no fundo do poço, semi-morto, com cinco pontos em 51 possíveis. Mas o Empoli puxou a faca e quer sangue.

O time toscano começa a dar sinais de reação da chegara do técnico Attilio Perotti, que sempre opera muito bem em times menores. O Empoli deve se reforçar com o atacante Maccarone, do Middlesbrough, e na partida com a Inter, em San Siro, lembrou o bom Empoli do ano passado.

Discurso similar se faz com o Lecce. Delio Rossi já recebeu alguns reforços, como o goleiro Sicignano e os meias Bolaño e Wilfried Dalmat (irmão de Stephane Dalmat, da Inter, emprestado ao Tottenham). Some-se a isso, a promessa búlgara Valeri Bojinov fez seu primeiro gol na Série A, e promete mais. Bojinov tem 17 anos e é apontado como uma das figuras mais talentosas da nova geração.

Enquanto isso, o Ancona continua se arrastando, e no último domingo, apresentou o brasileiro Mario Jardel, que fisicamente, parece ter uns cem quilos. Jardel foi liberado pelo Bolton, e é uma aposta desesperada do Ancona para encerrar seu vexame. Junto com o Ancona, também dá vexame o Perugia, que não venceu até aqui na Série A. Mas também, o que se poderia esperar de um time que contrata o filho de Gheddafi, tenta contratar uma mulher para jogar com homens (a título de marketing), e tem histórico em viradas de mesa?

Se levarmos em conta que somente dois times caem direto para a Série B (o terceiro disputa um desempate com o terceiro melhor da Série B), a luta contra o rebaixamento segue sendo entre seis times: Modena e Reggina (17 pontos), Lecce e Empoli (12 pontos), Perugia (10 pontos) e Ancona (5).

Inferno Inter: o problema era Cúper?

Dois meses atrás, achar alguém que falasse mal de Hector Cúper era mais fácil do que encontrar um sapo num brejo. Segundo esses entendidos, o treinador argentino, com sua “retranca” (n.do r.: a mesma retranca que fez do Mallorca finalista da Recopa e do Valencia duas vezes finalista da Liga dos Campeões), era o culpado por todos os males da Inter. Olhe de novo e pense bem se era isso mesmo…

A Inter mergulhou de cabeça numa crise infernal. Empatou em 0 a 0 com a Udinese pela Copa Itália (Vieri se recusou a jogar e causou o maior sururu), e perdeu para o Empoli em casa (com Vieri de castigo). Todo o jogo burocrático e sem vontade da Inter da última década voltaram à tona. E desta vez não tem Cúper para se por a culpa.

A visceral complicação interista é um misto de distorção de sua diretoria (recheada de ex-boleiros que estão longe de ser uma solução para qualquer coisa) e de caos histórico, uma marca do time de Via Durini. Não há nu clube ‘nerazzurro’ algo próximo do que se possa chamar de ‘disciplina’, e que diga-se de passagem, Hector Cúper tentou implantar quando era o chefe da comissão técnica.

O eterno fracasso interista agora aponta para Vieri como culpado, mas antes já apontou, além do ex-treinador argentino, para Seedorf, Pirlo, Ronaldo, Roberto Carlos e tantos outros. Na verdade, como disse o ex-craque Bergomi, na Inter os jogadores sempre podem dar suas desculpas e nada acontece. Daí, o caos reinante, resultado de uma falta de responsabilidades atroz, e que passa, em imensa parte, pela gestão da dupla de ex-jogadores e hoje dirigentes, Facchetti e Oriali.

A diretoria interista estuda algumas possibilidades. Uma delas é a de dar a Alberto Zaccheroni um poder ilimitado para torrificar quem quer que seja, no elenco, na comissão técnica, na diretoria. Essa saída soa racional, porque a limpeza poderia ser feita de cabo a rabo.

Outra possibilidade é a que se consiste na enésima demissão de treinador em junho (diga-se Zaccheroni), para a chegada de um outro (que poderia ser Roberto Mancini, hoje na Lazio). Tal medida já foi tomada em muitas outras oportunidades. E como sabemos, não deu nem um pouco certo.

Curtas

Gol de número 185 para Giuseppe Signori, hoje no Bologna

Signori disse que não para enquanto não fizer 200 gols

Na mão de Carlo Mazzone, seu treinador no Bologna, não duvide

Luigi Sartor estreou no Ancona, perfazendo sua 150a partida na Série A; Lamouchi (Inter) e Di Michele (Reggina) chegaram ao número 100

Ancona e Perugia não venceram nenhuma vez no primeiro turno, o que pode dizer bastante sobre os candidatos ao rebaixamento

O Milan teve a melhor campanha fora de casa: nenhuma derrota, dois empates e seis vitórias

Nunca um time campeão de inverno tinha feito 42 pontos no primeiro turno

Recuperação nítida para o Bologna, vencedor pela terceira semana seguida

Os desentendimentos de Vieri com a Inter suscitaram muitos boatos na semana que passou

Até mesmo se imaginou o atacante no Milan

Como se diz na Itália, é “fantacalcio”

Mais uma vez, os jogadores na Inter comeram no cortado com a torcida pedindo explicações

E eis a seleção Trivela desta semana

Zotti (Roma); Diana (Sampdoria), Montero (Juventus) e Pancaro (Milan); Nakata (Bologna), Campedelli (Modena), Kaká (Milan) e Mintari (Udinese); Totti (Roma); Del Piero (Juventus) e Bojinov (Lecce).

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