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O buraco no São Paulo

No Peru para enfrentar o Universitario, o São Paulo precisa da vaga na Libertadores. O ano pode – quase – acabar se o Tricolor não avançar. Um problema, Ricardo Gomes ainda não conseguiu resolver: como fazer para devolver consistência a um time que usa as peças certas de maneira errada.

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Frito no Tricolor

Ricardo Gomes está frito no São Paulo. Não precisa ser mago para descobrir isso. Quem ainda defende a sua permanência é porque está comprometido com a indicação. Não acho que ele mereça ser demitido, mas o ponto é que já há sinais claros de que seu tempo está esgotado e quem quer se livrar dele está aproveitando. Quem quiser apostar nele, arrisque, porque a hora do risco é esta. Risco mesmo.

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Camaradagem de clube e defesa suspeita

Depois dos sete gols tomados nos últimos dois jogos, o São Paulo prova ter mesmo um grupo coeso mesmo com as porradas que alguns jogadores trocam.  Técnico e atletas foram unânimes em isentar a defesa do time na culpa pelas duas derrotas. Uma atitude legal dos caras, mas bem longe da realidade.

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Surpreendente São Paulo

Não tinha assistido nenhum dos três últimos jogos do São Paulo – time que eu imaginava e afirmava estar alijado das chances de título nesta temporada. Neste domingo, vi a vitória contra o Sport e tenho de dar a mão à palmatória. Ricardo Gomes merece cumprimentos.

O São Paulo de Muricy ainda é a espinha do time de Gomes, mas o ex-zagueiro conseguiu uma façanha ao reverter um quadro psicológico desfavorável. É nítido e sabido que há diversos atletas que não se bicam mais. E todos nomes importantes, como Borges, Washington, Dagoberto, Hugo. Mesmo assim, o treinador, ao menos aparentemente, conseguiu colocar todos no mesmo barco.

Taticamente, não vejo ainda uma grande mudança apesar dos meus colegas jornalistas dizerem que houve uma revolução. Ricardo Gomes tentou implantar um 4-4-2 mas não deu certo e retornou ao 3-5-2 que Muricy usou nos últimos anos. Tentou fazer um meio-campo mais leve mas percebeu que a força do São Paulo estava na marcação forte. As jogadas pelo chão ganharam espaço, mas no geral ainda é o mesmo time que marca forte, puxa ataques pelas pontas e privilegia jogadores “multifunções”, como Jean, Richarlysson, Jorge Wagner e Zé Luís.

Ainda não acho que o São Paulo lutará pelo título esse ano. O “sprint” que o Tricolor está dando agora não durará por todo o segundo turno e é natural que mais cedo ou mais tarde haja uma queda de rendimento. Contudo, a vaga na Libertadores está ao alcance da mão. Depois de três anos dominando o Brasileiro, uma presença no G4 após um começo tão ruim já será um feito para se tirar o chapéu para Gomes, especialmente se ele já começar a trabalhar o time de 2010 visando a Libertadores.

Sem Muricy, com Leco

Eu sei que é notícia velha, mas o tempo impediu que eu comentasse o assunto antes. Finalmente, depois de três anos de luta (nos quais Muricy ganhou três títulos brasileiros), o diretor Carlos Eduardo Barros e Silva, o Leco, finalmente conseguiu o que queria: sacar o treinador do São Paulo unica e exclusivamente para provar o seu poder.

Não é preciso dizer que o clube vai se arrepender da decisão, assim como a parte da torcida que queria a cabeça do tricampeão. Não só porque Muricy certamente vai para o Internacional (onde será tetracampeão com toda certeza), mas também porque a aposta em Ricardo Gomes é perdida desde o minuto zero. Ricardo teve uma temporada boa na carreira, no Bordeaux, em 2007. Antes e depois disso, fracassou retumbantemente.

Leco é um remanescente da política tricolor anterior à chegada de Juvenal Juvêncio. Era o diretor de futebol do presidente Marcelo Portugal Gouveia e como não demonstrou a menor competência para o cargo, foi substituído pelo próprio Juvenal que, posteriormente, viria a ser o presidente. Os argumentos e Leco em relação a Muricy sempre foram dignos de dó. É impossível acusar um treinador tricampeão (que não é tetra porque comprovadamente o Corinthians ficou com um título forjado na corrupção) de qualquer coisa ligada à incapacidade. Muricy não tem o perfil de jogar bem torneios de mata-mata, é verdade. Mas num time como o São Paulo, que não é brilhante, jogadores como Hernanes, Jorge Wagner, Dagoberto e Miranda despencam de produção, não existe possibilidade de que não se decline. Ademais, todos os clubes apresentam momentos de reorganização depois de sequencias vitoriosas. Esse ano seria o do São Paulo.

Mas não será. Isso porque Ricardo Gomes – salvo um grande engano da minha parte – não chegará ao final do Brasileiro. Ele não tem nem fibra para suportar a pressão nem inventividade tática para rearrumar o time O elenco é razoável para os padrões brasileiros (nada além disso), jogadores como Washington claramente criaram uma cisão no grupo e o motor do time nas últimas três temporadas, a defesa impenetrável, ruiu. O São Paulo perdeu as jogadas pelas laterais e por isso, Washington virou um jogador burocrático. Nomes fundamentais do elenco, como Richarlyson, Dagoberto, Zé Luis, além dos já citados Hernanes e Jorge Wagner, estão jogando com 10% da capacidade. Borges encerra seu contrato em dezembro e ao que parece, não há uma grande sequencia de contratações para chegar ao Morumbi. Leco pode ir dormir tranquilo. Conseguiu fazer com que o São Paulo retornasse aos padrões gerenciais falimentares de sua gestão. Pode até ser que, graças à sua incrível visão e perspicácia, o São Paulo consiga uma vaga na Copa Sulamericana. Já será um grande feito, dados os seus limites.

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