Tag: Parmalat

Apresentação da temporada – Parma

Muito longe da época de ouro da Parmalat, quando sobrava dinheiro para contratar, o atual Parma é um belo exemplo de administração inteligente. As expectativas foram reduzidas, um técnico em ascensão foi contratado e as contratações de jogadores atendem as necessidades do elenco. Pode crescer.

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Reféns

Torcedor palmeirense, há um culpado no seu sofrimento. É verdade que seu sofrimento agora, nesse momento, tem muito mais a ver com a vontade de sentir dor, de sentir a amargura nas entranhas.

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Tamanho

O tamanho de alguma coisa é determinado pelos seus componentes. Assim como uma sociedade tem o governo que merece, um clube tem o destino que merece. O Palmeiras, como instituição, vive uma crise que reflete os valores do clube ao longo de sua história.

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Jogo de xadrez

Fiorentina e Roma, a principal partida da 29a rodada do Italiano não foi somente um clássico do futebol italiano. Além de dois times muito bons, apesar de um 0 a 0 que não disse o que foi realmente o jogo, o torcedor pôde ver um duelo entre dois daqueles que são os melhores treinadores da ‘nova geração’ italiana, Cesare Prandelli e Luciano Spaletti. Taticamente falando, os dois times são, entre os clubes de maior vulto, aqueles que têm um desenho tático mais lúcido.

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Chorando o leite derramado – A história do Parma

Nestes anos de abalos sísmicos gigantescos no mundo das finanças, o futebol não passa incólume. Dois anos atrás vimos a Fiorentina agonizar e afundar, vitimada por uma gerência ruinosa de seu dono; assistimos diversos clubes pequenos da Europa (como o Airdreonians, o Lommel e o Molenbeek) desaparecerem do mapa futebolístico (ou quase), e até poucas semanas atrás, sentíamos estarrecidos as notícias que davam conta da gravidade da situação do Leeds, na Inglaterra, não somente pela presença de Roque Júnior em sua defesa, mas também pela dívida assustadora contraída nos anos insanos do ‘boom’ do esporte.

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Atrás das grades

Se alguém contasse esta estória há dois anos, seria chamado de louco, e provavelmente, ganharia um processo criminal daqueles bem carnicentos. Mas a verdade é que os dois maiores empresários do setor de laticínios na Itália até bem pouco tempo, Calisto Tanzi e Sergio Cragnotti, estão neste momento, atrás das grades.

Tanzi já está preso desde 18 de janeiro; Cragnotti foi encarcerado na semana passada, com direito a mãos algemadas e tudo mais. Na verdade, o crime de ambos é similar: acusação de bancarrota fraudulenta, ou seja, sumiço de dinheiro de uma empresa, com benefício de alguns credores em detrimento de outros.

A cadeia italiana não deve estar vazia, porque junto do ex-dono da Lazio, muitos outros executivos foram para o xilindró, todos no mesmo escândalo. Aliás, os dois casos são bastante interligados, porque a derrocada da Parmalat tem muito a ver com a queda da Círio (empresa de Cragnotti). Calisto Tanzi, semanas atrás, disse que a Parmalat se enterrou em dívidas após ser forçada a comprar várias fábricas da Círio a preços super-faturados, visando tirar a corda do pescoço dos credores daquela empresa.

A tramóia deve ser bem maior do que imaginamos nós, reles assalariados. Outra coincidência entre os dois casos, além das prisões, do ramo dos laticínios e dos clubes de futebol é que tanto Tanzi quanto Cragnotti viraram suas acusações para grandes bancos da Itália, especialmente a Capitalia, do poderoso Cesare Geronzi. Geronzi teria sido o pivô da quebra dos dois grupos, manipulando ativos e passivos com a força de quem é o maior credor de ambos. Ou melhor, era, porque os credores de Círio e Parmalat certamente não estão em situação tão vantajosa.

Para os gramados, a repercussão será menos aguda. A Lazio já teve sua situação crítica afastada (ainda que tenha recebido favores poçíticos para seguir em frente), e mesmo que não tenha o poder econômico de outrora, já caminha sozinha. O Parma ainda está no olho do furacão, mas dá sinais de ter passado o pior. Não deve cair para a Série B, e com alguma sorte, consegue vagas européias para bombar o cofre.

Pena que o rigor da Itália não se estenda até aqui. As cadeias não teriam mais vagas.

Sob o fantasma do doping

O leitor assíduo de Trivela há de estranhar, mas o fato mais importante desta semana é a morte de um ciclista. Sim, o site continua tratando do mesmo assunto, futebol, e não pretende alterar o seu foco. Mas o falecimento de Marco Pantani, talvez o maior ciclista italiano desde Fausto Coppi, tem tudo a ver com futebol.

A morte de Marco Pantani por “causas naturais” joga um galão de aguarrás na fogueira da discussão sobre o doping. “Il Pirata”, único ciclista italiano capaz de vencer o Giro D’Italia e o Tour de France (as duas provas mais importantes do ciclismo) na mesma temporada, desde o mítico Coppi (1949-1952), teve sua carreira destroçada após ter sido pego num exame anti-dopagem. Pantani teria usado eritropoietina, ou EPO, substância sintetizada pelo organismo, mas utilizada em larga escala por atletas de esportes de fundo, que precisam de resistência.

A perda do ídolo, mais a assustadora morte de Marc Vivien Foe, há menos de um ano, somada a de Miklos Feher há poucas semanas, nem mesmo o ‘establishment’ esportivo, voluntariamente cego, pode continuar a deixar de lado um fato: o esporte profissional, que todos os anos vende milhões de chuteiras, camisetas e bicicletas, está assassinando seus maiores protagonistas. Sob as vistas e com a conivência de todos.

O choque na Itália ainda não permitiu este tipo de reflexão, porque lá, Pantani é um astro de primeira grandeza. Contudo, o raciocínio óbvio é o de pensar aos inúmeros casos de doping no futebol, ao processo que a Juventus sofre em Turim (e que a incomoda barbaramente), às mortes contínuas de ex-jogadores nos últimos anos pelo Mal de Gehrig (uma espécie de esclerose que suspeita-se possa ter maior incidência pelo uso de ‘medicamentos’).

A complacência com que as autoridades futebolísticas (FIFA inclusa) têm com os casos de dopagem é não menos responsável do que o receituário das drogas por médicos inescrupulosos. Alguns esportes, como o próprio ciclismo, estão infestados até a alma pela praga, mas finge-se que se trata da minoria. E quando se arruma um bode expiatório como Pantani, dá-se lugar a uma inquisição mediática. O ciclista foi consumido por essa inquisição, e isolado como um Lázaro, foi dilacerado por uma depressão pavorosa.

Claro, outro motivo para relacionar a morte de Pantani com o futebol era a sua fé futebolística. Milanista “doc”, Pantani ia a jogos do clube sempre que possível, e o time jogou de luto no empate em Lecce. A Itália chora a morte de um ídolo, e vê na morte do ciclista, a agonia do futebol. Um jornalista italiano disse que foi a “crônica de uma morte anunciada”. Podemos colocar a frase no plural, pois a crônica continua.

Parma versão Ajax

As tetas da vaca da Parmalat estão mais secas do que o deserto de Góbi. Agora é a hora em que o Parma vai ter de mostrar se pode ou não pode seguir como protagonista. Sem dinheiro, a criatividade toma lugar. E o modelo a ser seguido, segundo o dirigente Luca Baraldi, é o dos holandeses do Ajax.

A teoria de Baraldi é a seguinte: grandes contratações não terão mais lugar no futebol contemporâneo, e especialmente, num clube com problemas financeiros como o Parma, sediado numa cidade de pouco mais de 170 mil habitantes. As divisões de base passam a ter então um papel vital, onde os jogadores são criados para ter uma identidade com o clube. A idéia é a de ser reconhecido como um clube onde surgem grandes jogadores.

Outra preocupação do clube é a de se colocar de acordo com as regras da UEFA para a temporada que vem, onde os débitos terão de estar obrigatoriamente adequados às despesa e não se serão admitidos salários atrasados nem dívidas com o fisco e previdência.

O Parma tem estrutura bastante adequada para se transformar num clube de ponta no segundo escalão da Europa, lutando por Copa UEFA e eventuais vagas na Liga dos Campeões, somente na base da boa gerência. O furacão empresarial que sacudiu o clube veio num momento em que a circunstância pôde ser administrada, e talvez esta tenha sido a grande sorte.

Trapattoni peita os grandes clubes

Giovanni Trapattoni resolveu dar um murro na mesa. Depois de semanas sendo “ameaçado” pelos técnicos dos grandes italianos (Milan, Roma, Juve, Inter e Lazio), o CT italiano contra-atacou, sem medo. Os técnicos reclamavam que não queriam ver seus maiores astros convocados para amistosos da “Azzurra”. Trapattoni deu de ombros.

Numa semana onde a Juve vai visitar um crescente Bologna, a Lazio viaja até Verona, para pegar o Chievo, a Roma hospeda o Siena e Milan e Inter se enfrentam num derby milanês, ‘Trap’ chamou simplesmente 15 atletas entre os 22 que jogam em um dos cinco. O recado de Trapattoni é claro: a seleção não é um ajuntado de quinta categoria e quem quiser ir para a Euro-2004 vai ter de ralar a bunda.

Tirando o duo de goleiros Buffon-Toldo, que só não vai para Portugal se estiver machucado, Trapattoni chamou somente três debutantes. Na defesa, Bettarini, da Sampdoria, 31 anos e nove clubes na carreira. A idéia é fechar um setor que tem opções satisfatórias, e onde Cannavaro não consta por contusão.

Os outros dois debutantes são no meio-campo. Volpi (Sampdoria) e Barone (Parma) tentarão convencer Trapattoni numa posição onde somente Perrotta convenceu. Trapattoni espera na recuperação de Cristiano Zanetti, mas o interista está numa espiral de contusões e o técnico não pode ter certeza que, depois de quase um ano de entra-e-sai na enfermaria, Zanetti estará bem para o Europeu.

Se optar por um 4-4-2, o ataque é Totti-Vieri, com certeza. Mas caso escolha o 3-4-1-2, sistema que deu as melhores respostas até agora, Totti deve figurar atrás de Del Piero-Vieri, com Cassano correndo por fora. Trap também deve acabar levando Filippo Inzaghi, se o milanista se recuperar da ciranda de lesões.

Eis os 22 convocados para a partida desta semana contra a República Tcheca de Pavel Nedved:

Goleiros: Buffon (Juve) e Toldo (Inter)

Defensores: Adani (Inter), Bettarini (Sampdoria), Ferrari (Parma), Legrottaglie (Juve), Nesta (Milan), Oddo (Lazio), Pancaro (Milan), Panucci (Roma)

Meio-campistas: Barone (Parma), Di Natale (Empoli), Fiore (Lazio), Nervo (Bologna), Perrotta (Chievo), Pirlo (Milan), Volpi (Samp)

Atacantes: Cassano e Totti (Roma), Corradi (Lazio), Del Piero (Juventus), Vieri (Inter).

Curtas

No domingo, faleceu mais um jogador, vítima do Mal de Gehrig

É o defensor Minghelli, do Arezzo, clube onde foi treinado pelo técnico Serse Cosmi

Minghelli tinha somente 31 anos

O artilheiro do campeonato, Andriy Shecchenko, fez contra o Lecce, a sua partida oficial de número 200 com a camisa do Milan

Shevchenko, curiosamente, também estreou pelo Milan contra o Lecce, no mesmo estádio Via Del Mare, também marcando um gol, e também num empate, mas pelo placar de 2 a 2

Fabio Pecchia, da Juventus, completou 300 jogos pela Série A, divididos em 6 equipes: Sampdoria, Juventus, Napoli, Como, Bologna e Torino

Daniele Adani (Inter) e Fernando Couto (Lazio), completaram 150 partidas na divisão máxima, enquanto Siviglia (Lecce) chegou à 100a

O Perugia não vence uma partida na Série A há 26 rodadas

A última foi contra a Atalanta, no campeonato passado, por 1 a 0

Esta rodada, a de número 21, foi a mais magra da temporada, com somente 18 gols em 9 jogos

Eis a seleção Trivela desta semana no campeonato Italiano

De Sanctis (Udinese); Natali (Bologna), Nesta (Milan) e Stam (Lazio) ; Pizarro (Udinese), Bolaño (Parma), Bresciano (Parma) e Doni (Sampdoria); Chevantón (Lecce), Amoruso (Modena) e Baggio (Brescia)

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