Pela décima rodada das Eliminatórias sul-americanas, a seleção da Colômbia recebeu a celeste do Uruguai em Barranquilla (Colômbia), na última terça-feira. A partida foi muito disputada, tendo ocorrido sob tempo chuvoso e terminando empatada num empate em 2×2.

O resultado foi bom para os uruguaios vice-líderes com 20 pontos, ao passo que os colombianos se encontram em quarto lugar com 14. De alguma forma, o empate acabou tendo sabor de derrota para os cafeteiros, que saíram na frente.

Colômbia

A equipe do treinador argentino José Pékerman foi a campo com Ospina, Arias, Mina, Murillo e Díaz. Sanchez, Aguillar, Macnelly Torres e Juan Cuadrado. Bacca e Muriel. O desfalque foi o lesionado meia James Rodríguez, cuja ausência implica numa mudança do módulo tático.

Com James o time pode funcionar em 4-2-3-1, com o próprio centralizado na linha dos 3 meias ofensivos. Sem ele a disposição varia um 4-4-2 convencional ou 4-3-3, quando o time detém a posse de bola. A mudança depende do posicionamento de Cuadrado, aberto pela direita, completando um quarto homem de meio (no 4-4-2), ou parte do tridente ofensivo (no 4-3-3).

Os colombianos abriram o placar aos 14 min, em jogada de escanteio cobrado por Muriel. O volante Aguillar aproveitou de cabeça abrindo o placar. Os cafeteiros sofreram o empate em gol uruguaio de bola parada doze minutos depois.

Sofreram também a virada na segunda etapa, devido a um escorregão de Murillo a marcar Suárez. O empate surgiu com Yerry Mina (do Palmeiras), que iniciou jogada no meio-campo, tocou para Cuadrado aberto pela direita, que cruzou para o próprio Mina completar de cabeça aos 39 min.

Ofensivamente a Colômbia sem James depende da verticalidade de Cuadrado, bem como da maneira com que Carlos Bacca se posiciona na área sem bola, em muitas oportunidades atuando como pivô. Com James os cafeteiros possuem uma bola parada ainda mais efetiva e capacidade de passe longo ampliada. Sem James falta o homem do último passe.

Na parte defensiva a Colômbia padeceu de falhas de integrantes do miolo de zaga, além de tomar gol em lance de bola parada, deficiências comuns no futebol sul-americano. Na parte ofensiva, consegue ser o mais sul-americano dos times sul-americanos, buscando jogo incisivo enquanto detém a posse de bola.

Uruguai

Em boa fase nas Eliminatórias a celeste de Oscar Tabárez foi a campo com Muslera, Corujo, Coates, Diego Godín e Álvaro Pereira. Arévalo Ríos, Vecino, Carlos Sanchéz e “Cebolla” Rodríguez. Cavani e Luís Suárez. O time detém um módulo tático rústico, variando o 4-4-2 e o 4-5-1.

A princípio assemelhando-se a um time “retranqueiro”, o Uruguai detém o estilo de jogo mais análogo a forma de jogar europeia atual, baseada em contra-ataques, conforme Carlo Ancelotti (FC Bayern) recentemente relatou. Deixar o adversário ter a posse de bola é a maneira mais fácil de surpreende-lo, quando se rouba a bola.

Somado a isso, Edinson Cavani e Luís Suárez são atletas aptos a atuar em permuta, alternado posições entre a linha de 3 meias e a função de homem referência, em módulos 4-2-3-1 ou 4-3-3, pois jogam assim em seus clubes na Europa. Na celeste, Cavani se movimenta mais, completando um quinto homem de meio, quando o time perde a bola. É Cavani quem determina o 4-4-2 ou 4-5-1.

O Uruguai saiu perdendo após sofrer gol de escanteio, mas empatou ainda na primeira etapa, aos 26 min com “Cebolla” Rodríguez aproveitando de cabeça bola de cobrança de falta. O gol da virada saiu aos 27 min do segundo tempo. Godín lançou a bola para o flanco direito, Stuani (que entrou no lugar de Sanchéz) escorou para Suárez. O camisa 9 do Barcelona aproveitou o escorregão de Murillo e completou.

O gol deixou “Luisito” no topo da artilharia de todos os tempos das Eliminatórias sul-americanas, junto ao argentino Hernán Crespo ambos com 19 gols. Vale lembrar que Edinson Cavani é o artilheiro da atual disputa com 7 gols.

O Uruguai carece de meias de criação que possam oferecer um passe vertical mais requintado, ou maior contenção de posse de bola. Não tem um bom segundo homem de meio-campo, nem um bom meia ofensivo a atuar centralizado. O time entrega a posse de bola ao adversário também por falta de opção técnica.

Imagem de Bacca (a esquerda) e Arévalo Rios: conmebol.com