Complementando a oitava rodada da Premier League, o Liverpool recebeu o Manchester United em Anfield Road (Liverpool/Inglaterra), nesta segunda-feira. O aguardado derby acabou num empate sem gols, que deixou as equipes inalteradas em termos de tabela.

Os reds de Jürgen Klopp se mantém na quarta colocação (17 pontos), ao passo que o Manchester United de José Mourinho, segue na sétima colocação (14 pontos). Mourinho era criticado antes da data FIFA de jogos de seleções e seguiu criticado pela imprensa inglesa, na véspera do jogo.

Liverpool

Jürgen Klopp propôs um alinhamento inicial com Karius, Clyne, Matip, Lovren e Milner. Henderson, Emre Can, Philippe Coutinho, Firmino e Mané. Sturridge. O módulo tático era o 4-2-3-1, propondo uma vistosa movimentação entre as quatro peças ofensivas Coutinho/Firmino/Mané/Sturridge.

É preciso ressaltar que Klopp ordenou que Roberto Firmino atuasse mais recuado, centralizado na linha dos 3 meias ofensivos. Coutinho e Mané surgiam mais agudos pelos lados, com Daniel Sturridge de maior força física, como homem referência à frente. A princípio um atacante de área, Firmino se vê em franca evolução técnica.

As melhores oportunidades surgiram pelo lado esquerdo do ataque red, nas costas do lateral-direito adversário Antonio Valencia. Firmino surgiu pelo setor e levou perigo em cabeçada aos 29 min. Coutinho buscava maiores espaços na ponta esquerda e finalizou com perigo aos 71 min, exigindo grande defesa de David de Gea.

Klopp parecia ciente da superioridade técnica do adversário, e propôs sim uma postura propositadamente cautelosa. Segundo levantamento do The Guardian, a equipe ostentou maior tempo de posse de bola (65%) criando 9 ocasiões de gol, das quais 3 foram no gol de De Gea.

Manchester United

José Mourinho mandou a campo os red devils com De Gea, Valencia, Bailly, Smalling e Blind. Herrera, Fellaini, Young, Pogba e Rashford. Ibrahimović. A disposição tática também se dava em 4-2-3-1, com possibilidade de re-organização em 3-4-3. Pela quarta partida consecutiva, Mourinho não deu titularidade a Wayne Rooney.

Ashley Young ganhou uma oportunidade com a ausência do lesionado Anthony Martial. Marcus Rashford foi postado a esquerda da linha dos 3 meias ofensivos, ao passo que Young surgia à direita.

O United teve poucos espaços, sofrendo com as lacunas abertas pelo setor direito de sua defesa, quando Antonio Valencia se lançava à frente. Paul Pogba tentava passes longos em direção a Ibrahimović, em intentos demasiado previsíveis. A melhor chance talvez tenha ocorrido já na segunda etapa, quando Ibrah recebeu livre de Pogba e cabeceou sem direção aos 54 min.

Henderson e Pogba (Foto: Paul Ellis/Getty)

Henderson e Pogba (Foto: Paul Ellis/Getty)

Rooney veio a campo por volta dos 77 min, substituindo Rashford. O atacante inglês não teve efetividade. Num todo, o Liverpool acabou aceitando a ideia de Mourinho, que com certeza tinha o intento de obrigar os reds a tomarem a iniciativa de jogo. Porém os red devils não foram efetivos nos contra-ataques, explorando a bola longa.

O United ostentou apenas 35% de posse de bola, criando menos chances de gol que o adversário (apenas 7 contra 9). Em meio a repercussão pós-jogo, Mourinho se queixou da cautela demasiada apresentada pelos reds de Klopp. A imprensa em contraparte atacou a falta de iniciativa dos red devils, enfatizando o percentual de posse de bola ostentado. Segundo o Guardian, desde 2003 o United não demonstrava percentual tão baixo.

O United tem à frente uma maratona que exigirá do aspecto físico. A equipe enfrenta o Fenerbahçe pela Europa League na quinta-feira, voltando a campo pela Premier League no domingo, contra o Chelsea. A maratona talvez justifique a opção de Mourinho em não dar titularidade a Juan Mata e Jesse Lingard, que ficaram no banco contra o Liverpool.

Se por um lado o resultado foi ruim, por outro o United encontrou sua melhor formação, algo que implica no sistema defensivo ter Daley Blind na lateral-esquerda e Ander Herrera, como primeiro homem de meio-campo. É preciso lembrar que Herrera (no United desde 2014) foi um atleta lapidado pelo treinador argentino Marcelo Bielsa, no Athletic Bilbao. Sobre todos os aspectos, Wayne Rooney não parece fazer parte desta melhor formação.

Como afirmamos, o United volta a campo nesta quinta-feira às 17 hr (horário de Brasília), recebendo o turco Fenerbahçe em Old Trafford (Manchester/Inglaterra). O compromisso valerá pela terceira rodada da fase de grupos da Europa League.

Imagem de Valencia do United (de azul, ao chão) e Firmino do Liverpool: Paul Ellis/Getty