No último sábado Manchester United e Manchester City fizeram o derby de Manchester, válido pela quarta rodada da Premier League. A expectativa era grande sobretudo pela rivalidade pessoal entre os treinadores José Mourinho e Pep Guardiola, que tentaram evitar maiores alardes.

O United fez uma partida burocrática, tendo sido amplamente dominado pelo rival, dentro dos domínios de Old Trafford (Manchester/Inglaterra). Por outro lado, os citzens de Guardiola mostram evolução, principalmente pelo fato de seu treinador estar se adaptando a algumas circunstâncias (leia-se: abrir mão do jogo ultra ofensivo).

Manchester United

Mourinho mandou a campo um time com De Gea, Valencia, Bailly, Blind e Luke Shaw. Pogba, Fellaini, Mkhitaryan, Rooney e Lingard. Ibrahimović. Na Inglaterra alardeava-se que o treinador pretende estabelecer um 4-2-3-1, com Rooney centralizado na linha dos 3 meias ofensivos.

O jornalista Jonathan Wilson (The Guardian) chegou a explicitar o detalhe na véspera, apontando com dados que todas as vezes que Mou optou por esse módulo contra Guardiola nas épocas de Internazionale/Real Madrid, resultaram apenas em uma vitória, mais dois empates e duas derrotas. A vitória se deu pelas semifinais da Champions League 2009/2010, em que a Inter eliminou o Barcelona.

Voltando ao presente, o United sofreu os dois gols citzens em detalhes, mas seu setor criativo mostrou-se nulo. Mourinho optou por Lingard e Mkhitaryan nos lugares respectivos de Martial e Juan Mata, que vinham sendo titulares. Os dois primeiros foram substituídos no intervalo por Rashford e Ander Herrera.

Sem Mata, jogador que pode oferecer o primeiro e o último passe, o quesito criação tornou-se escasso. O gol dos red devils saiu em falha da defesa citzen, com o goleiro Claudio Bravo rebatendo a bola após se chocar com o companheiro John Stones. A bola rebatida foi finalizada de voleio por Ibrahimović, aos 43 min.

O United obteve apenas 40% de posse de bola em tempo total de esférico rolando. Finalizou 12 vezes, com apenas dois chutes indo em gol. Na prática a formação 4-2-3-1 pretendida por Mourinho se mostra um 4-4-2, que pode se verter num 3-4-3, porém pouco efetivo sem Mata. Tem-se um time fisicamente vigoroso, porém lento e sem mobilidade.

Se Mourinho preferiu privilegiar Martial (que foi a campo apenas aos 82 min) e Mata para o confronto de meio de semana pela Europa League, não temos como precisar. Mas este parece ter sido o intento.

Manchester City

Pelo lado dos citzens, Guardiola promoveu a estreia do goleio chileno Claudio Bravo (ex-Barcelona) num alinhamento com Bravo, Sagna, Stones, Otamendi e Kolarov. De Bruyne, Fernandinho, David Silva, Nolito e Sterling. Iheanacho. O módulo tático é sim um 4-2-3-1 efetivo. O desfalque foi apenas o suspenso Sérgio Agüero.

De Bruyne abriu o placar aos 14 min, após jogada individual. O City dominava o United e Iheanacho ampliou aos 36 min, após chute cruzado de De Bruyne aberto pelo lado direito de seu ataque. A bola bateu na trave esquerda de De Gea, sobrando para Iheanacho, que se mostrou confuso com uma possibilidade de impedimento, mas finalizando em lance legal.

O vislumbre britânico do tiki-taka proposto por Guardiola vai funcionando bem, com cinco atletas ofensivos de origem compondo meio-campo/ataque. O primeiro homem de meio-campo é Fernandinho que não é um volante de marcação. O time deteve amplo domínio de posse de bola (60%), número intensificado também graças ao estilo de jogo habitual de Mourinho. O lusitano privilegia o jogo sem bola, deixando o adversário jogar.

As falhas defensivas do City foram compreensíveis, levando-se em conta que Guardiola obriga seus goleiros a saírem jogando com os pés. A situação se normalizará apenas com o tempo e entrosamento, que Bravo virá a obter com os companheiros.

Em contraparte, Guardiola mostrou cautela defensiva. É preciso ressaltar que no segundo tempo, o catalão sacou um atacante (Iheanacho) para postar o volante brasileiro Fernando à frente da defesa, logo aos 54 min. Na primeira rodada da Premier League, Guardiola utilizou Kolarov como quarto zagueiro, algo que não deu muito certo. Na sequência, o treinador reabilitou os argentinos Zabaleta (lateral-direito) e Otamendi (zagueiro). O segundo firmou-se como titular estabelecendo dupla de zaga com Stones.

Com o resultado do derby, o City lidera a Premier League com 12 pontos, ao passo que o United caiu para o quarto lugar com 9 pontos. Os times voltam a campo neste meio de semana pelas competições europeias.

O City enfrenta o Borussia Mönchengladbach pela Champions League nesta quarta-feira em jogo remarcado. A partida devia ter ocorrido na última terça mas foi adiada em virtude da chuva em Manchester (Inglaterra). O United fará sua estreia pela Europa League na quinta-feira, visitando o holandês Feyenoord.

Imagem de Otamendi do Manchester City (ao centro): Oli Scarff – AFP