Na última quinta-feira, Alemanha e França fizeram a segunda partida das semi-finais da EURO 2016, que está sendo sediada em território francês. A seleção bleu venceu de forma convincente o Nationalelf, batendo os alemães por 2×0 em Marselha e classificando-se para a final do torneio.

A seleção anfitriã de defrontará contra Portugal, na decisão da EURO que acontece no próximo domingo. O duelo entre alemães e franceses mostrou diferentes panoramas, sendo que o treinador germânico Joachim Löw, lidou com problemas no que dizia respeito a jogadores lesionados e suspensos.

Alemanha

Ao fim da partida vencida contra a Itália nas quartas de final, Joachim Löw já tinha certeza da suspensão do zagueiro Mats Hummels, pelo terceiro cartão amarelo acumulado. Sami Khedira e Mario Gómez, que deixaram o campo lesionados naquela ocasião, também não se recuperaram.

Contra os franceses Löw manteve o 4-2-3-1, optando pelo alinhamento inicial que teve Neuer, Kimmich, Höwedes, Boateng e Hector. Emre Can, Schweisteiger, Özil, Kroos e Draxler. Müller. De ascendência turca, Emre Can (Liverpool/Inglaterra) ganhou a titularidade de forma inesperada.

O meio-campista de 22 anos era o mais similar a Khedira, embora Löw viesse convocando-o para utiliza-lo como externo, pelo lado esquerdo. Ao lado de Can, Schweinsteiger que era dúvida voltou a ser titular, com Kroos sendo adiantado ao centro da linha dos 3 meias ofensivos.

Finalizações ineficientes

Os alemães mostraram amplo domínio de jogo durante a primeira etapa, deixando os franceses acuados. O time levava perigo em finalizações a longa distância, mas via-se nitidamente reduzido no que dizia respeito à capacidade de finalização dentro da área francesa, sem Mario Gómez.

Postado como homem referência contra a França, Thomas Müller não fez uma boa EURO (zero gol), sendo que os pouco ou nada utilizados Schürrle e Podolski, poderiam ter sido escalados no lugar de Gómez. Em seu clube, o FC Bayern, Müller não tem atuado como atacante fixo, desde que os bávaros contrataram o polonês Lewandowski.

Ainda assim os alemães finalizaram 17 vezes, com 6 bolas para fora e 6 chutadas no gol do arqueiro francês Lloris. Destes 6 chutes em direção à meta francesa, Thomas Müller foi o líder no quesito chutes a gol, com três tentativas. Schweinsteiger, Can e Kroos finalizaram as outras três. Dados segundo levantamento oficial da UEFA.

O primeiro gol sofrido pelos alemães surgiu aos 45 min, após pênalti polêmico cometido por Schweinsteiger. Auxiliando a defesa dentro de sua própria área, o meia alemão viu uma bola aérea resvalar em sua mão. Os alemães sentiram mentalmente o gol francês.

Na segunda etapa, o condicionamento físico do rival falou mais alto, sendo que o Mannschaft havia se submetido à prorrogação, no jogo anterior contra os italianos. A saída de Jerome Boateng por lesão fisica no início do segundo tempo, foi a ruina final no sistema defensivo alemão, que já não dispunha do defense leader, Hummels.

França

O treinador Didier Deschamps mandou a campo o alinhamento inicial com Lloris, Sagna, Umtiti, Koscielny e Evra. Matuidi, Pogba, Sissoko, Payet e Griezmann. Giroud. Umtiti e Sissoko ganharam titularidade contra a Islândia nas quartas de final, devido às suspensões de Rami e Kanté, sendo que os dois últimos seguiram fora do time.

Griezmann ao fim da partida contra a Alemanha. Seus dois gols o colocaram na liderança da artilharia (6 gols) da competição. (Getty)

Griezmann ao fim da partida contra a Alemanha. Seus dois gols o colocaram na liderança da artilharia (6 gols) da competição. (Getty)

O desenho tático porém seguiu um 4-2-3-1, sendo que Moussa Sissoko (Newcastle United/Inglaterra) possui maior característica de externo, atuando pelo lado direito da linha dos 3 meias. Matuidi e Kanté atuam pela faixa esquerda e a escalação simultânea de ambos, acabava por amputar as possibilidades de avanço do primeiro. Com a dupla Matuidi/Kanté, o time vinha jogando num 4-3-1-2. Os dois volantes ficavam ao redor de Pogba compondo os 3 meias à frente da defesa.

Os franceses mantiveram o sangue frio durante os 44 min iniciais, diante de amplo domínio da Alemanha. O pênalti cometido por Bastian Schweisteiger foi o golpe mental francês, aplicado tão logo Antoine Griezmann converteu a infração, abrindo o placar para os bleus.

Na segunda etapa os alemães passariam a sentir o acúmulo dos minutos a mais jogados na prorrogação, na partida anterior das quartas de final. Os franceses venceram seus dois compromissos anteriores no mata-mata da EURO, no tempo regulamentar. Uma diferença física natural se revelaria.

Dar a bola para o Mannschaft para roubá-la e sair no contragolpe veloz, era uma estratégia cabível. A proposta de jogo desgastou ainda mais os alemães e favoreceria uma característica natural de Griezmann, sua velocidade em jogadas de contra-ataque, tal qual o atacante está habituado a fazer no Atlético de Madrid.

O tiro final nos alemães veio aos 72 min. Pogba fez jogada individual ousada à esquerda do ataque francês, livrando-se de Höwedes e cruzando para Giroud. Neuer se adiantou ao atacante bleu e a bola sobrou para Griezmann finalizar, com o goleiro alemão rendido.

Segundo levantamento oficial da UEFA, os franceses ostentaram apenas 35% de posse de bola, em tempo de esférico rolando. O time de Didier Deschamps realmente obrigou os alemães a correrem mais, sendo que o Nationalelf 113,5 km assim minando seu próprio condicionamento físico. Os franceses percorreram pouco mais de 108 km.

Imagem de Griezmann no lance do segundo gol francês: Getty