Neste último sábado a seleção da Alemanha obteve uma vaga para as semi-finais da EURO 2016, após bater a Itália nos pênaltis por 6×5 em Bordeaux (França). No entanto, as equipes empataram em 1×1 durante o tempo regulamentar e prorrogação, da terceira partida das quartas de final do torneio.

Na última edição da EURO realizada em 2012, uma Itália bem diferente venceu a Alemanha nas semi-finais por 2×1, sendo que a base do Nationalelf germânico já era formada pelos jogadores do grupo atual. Aquele embate fora bastante ofensivo, ao contrário deste último marcado por posturas defensivas.

Alemanha

O treinador Joachim Löw surpreendeu ao escalar uma equipe que podia se postar num 5-3-2, caso não ostentasse a posse de bola. O módulo tático foi parecido com o utilizado por Holanda e Costa Rica, no último Mundial realizado em 2014. Sem a posse de bola a linha defensiva podia se organizar com 5 homens.

O alinhamento inicial teve Neuer, Kimmich, Boateng, Höwedes, Hummels e Hector. Khedira, Kroos e Özil. Thomas Müller e Mario Gómez. Em relação à partida anterior das oitavas de final, o meia Draxler perdeu a vaga em nome de mais um defensor (Höwedes).

Com a posse de bola Hector ou Kimmich alternadamente, se desprendiam da linha de 5 defensores, aglutinando-se aos meio-campistas. Assim os desenhos em 4-4-2 e o habitual 4-2-3-1 alemão, eram possíveis. A ideia de Löw foi “povoar” o próprio campo de defesa, ciente de que a Itália entregaria a posse de bola para o adversário.

Hummels (a esquerda) e Éder. (Getty Images)

Hummels (a esquerda) e Éder. (Getty Images)

Tudo ia bem até os 16 min, quando Sami Khedira saiu por lesão, dando lugar a Schweinsteiger. Khedira é o “baricentro” do sistema defensivo alemão, além de ter ciência plena da forma como os atacantes italianos se portavam, por jogar pela italiana Juventus.

O problema de se atuar com Kroos/Schweinsteiger é o fato de ambos serem corpulentos, pesados e não serem grandes ladrões de bola. Ambos são meias ofensivos de origem. Sem o mesmo condicionamento físico do passado, Khedira atua de forma mais fixa, mas ainda apresenta a mesma qualidade na saída de bola. Khedira é também um melhor desarmador do que Kroos/Schweinsteiger.

A Alemanha neutralizou as ações italianas sendo que por outro lado, também não ameaçou o gol de Buffon de forma enfática. O Nationalelf só conseguiu abrir o placar aos 65 min, após Gómez se deslocar pelo flanco esquerdo, atraindo os marcadores para si.

O atacante passou para Hector que por sua vez, cruzou para Özil, que entrou no espaço deixado pelos italianos e finalizou. Esta alternativa de jogo com Gómez portando-se como um pivô cessou aos 72 min, uma vez que o camisa 9 também saiu de campo devido a lesão física. Foi substituído pela meia Draxler.

Os alemães obtiveram 59% do total de posse de bola, tendo finalizado 13 vezes em gol. A disputa foi equilibrada, uma vez que os italianos finalizaram 12 vezes. Isso segundo o levantamento oficial da UEFA.

O plano tático de Löw teria dado certo se duas peças importantíssimas (Khedira/Gómez), não tivessem apresentado problemas físicos. A partida da semi-final a ser jogada pela Alemanha, acontecerá na próxima quinta-feira (07/07).

Löw espera a recuperação de ambos e ainda não terá o defensor Mats Hummels, suspenso pelo terceiro cartão amarelo.

Itália

Antonio Conte mandou a campo Buffon, Bonucci, Barzagli e Chiellini. Florenzi, Parolo, Sturaro, Giaccherini e De Sciglio. Éder e Pellé. A formação foi o característico 3-5-2, porém o desfalque do volante Daniele De Rossi por problemas físicos, foi minimamente incômodo para os italianos.

De Rossi vinha atuando fixo à frente da linha de três defensores italiana (Bonucci/Barzagli/Chiellini), postando-se como o low playmaker da equipe. Com De Rossi o time não vinha sentido a lacuna deixada por Andrea Pirlo. Sem De Rossi, de fato o cérebro do time, a situação tornou-se irremediável.

Conte não tinha uma peça minimamente cabível para o setor, uma vez que o brasileiro naturalizado italiano Thiago Motta, um volante, estava suspenso. Mais distante ainda estava o meia Marco Verratti (PSG/França), sequer convocado por problemas fisicos. O treinador colocou o lateral/meia Alessandro Florenzi, na vaga de De Rossi.

Durante a primeira etapa e sobretudo, após o primeiro gol alemão, a azzurra não conseguia se impor quando recuperava a bola. Sem um meio-campista capaz de centralizar e distribuir jogo, o meio-campo italiano é formado por atletas de verticalização, condução e transição rápida. Isso diante de um campo defensivo alemão “superpovoado”. No aspecto ofensivo a Itália não tinha objetividade, ainda que a azzurra tenha conseguido realizar 12 finalizações.

O gol italiano saiu num pênalti infantil, cometido pelo zagueiro adversário Jerome Boateng, que protagonizou lance aéreo com as mãos levantadas dentro de sua própria área. Bonucci cobrou a infração e fez o gol de empate aos 78 min.

Imagem de Gómez e Chiellini: Getty