Após vencer o Brasil por 1×0 na última quarta-feira a Colômbia obteve os seus primeiros três pontos no grupo C da Copa América 2015. Obteve também algum respiro devido a pressão que a imprensa de seu país lhe impôs, após a péssima estreia contra a Venezuela, na qual perdeu por 1×0.

No Monumental de Santiago (Santiago/Chile), os cafeteiros se viram amplamente apoiados por sua torcida, visivelmente em número maior nas acomodações do estádio. A mentalidade tipicamente brasileira/tupiniquim, que professa superioridade ampla do futebol brasileiro em termos sul-americanos, agoniza e precisa morrer.

Colômbia, Chile e Uruguai são times que fazem frente a Brasil e Argentina. Equador e Paraguai idem, com o Paraguai por vezes podendo estar no primeiro grupo, pois tem alguma tradição no futebol sul-americano. A fase atual do futebol paraguaio é de entre-safra e faltam atletas para repor grandes nomes de seu futebol, já em decadência. Estas citadas seleções ostentam uma virtude que outros times do mundo não possuem: não temem as camisas brasileiras, nem argentinas.

A Colômbia de Pekerman.

Desde o Mundial 2014, enaltecemos muito a seleção colombiana comandada pelo argentino José Pekerman, aqui no 90 Minutos. Os cafeteiros possuem a melhor geração de sua história, contando com um elenco onde James Rodríguez, Juan Cuadrado e Falcao Garcia são realidades futebolisticas atuando em grandes clubes europeus.

Na vitória por 1×0 contra o Brasil na última quarta, Perkerman primou por um estilo mais cauteloso e feio, se comparado a forma como a equipe atuou na última copa, quando foi eliminada nas quartas de final, exatamente contra o Brasil. Na quarta-feira, o time demonstrou uma variação tática do 4-2-3-1, para o 3-4-3.

Vale lembrar que o atacante Falcao Garcia não veio ao Mundial por lesão física, algo que garantia a James Rodríguez maior liberdade para se projetar a frente como um segundo atacante, durante aquele torneio. Garcia não fez uma boa partida na última quarta, mas cumpriu um papel que lhe cabe enquanto “falso centroavante”, atraindo a marcação adversária sem ter a bola nos pés.

Com isso Teo Gutierrez, Juan Cuadrado e James podem chegar à frente. Na seleção, Cuadrado tem liberdade para atuar mais centralizado, sendo o seu habitual é a expansão vertical pelos lados do campo. Outro detalhe que garantiu esta característica, foi a dupla robusta de volantes postada por Perkerman, à frente da linha defensiva.

Parte defensiva.

Sánchez e Valencia fizeram grande partida contra o Brasil. O primeiro, que atua no britânico Aston Villa foi ovacionado pela imprensa europeia, realizado 22 desarmes e acertando 75% dos passes. Edwin Valencia mostrou grande disposição física, sendo o interditor clássico/camisa 5 da formação. É o Valencia que atua no futebol brasileiro, pelo Santos.

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Sánchez (a direita) contra o Brasil. (Foto: Silvia Izquierdo – AP)

A Colômbia atual com Falcao Garcia a frente pode, variar o desenho 4-2-3-1 também para um 4-3-3. Neste segundo desenho Valencia/Sánchez/Cuadrado formam o trio de meio-campistas. James se projeta por um dos lados formando o tridente ofensivo com Teo/Falcao.

O 3-4-3 se dá quando o lateral-esquerdo Pablo Armero se projeta da linha de quatro defensores. Ele pode se aglutinar aos três meio-campistas, ou aberto pela esquerda no tridente ofensivo. Na segunda opção, é James quem fica no meio-campo, enquanto quarto homem.

Na copa no Brasil, o sistema defensivo da Colômbia era “italiano” com Zúñiga/Yépes/Zapata/Armero. A mentalidade dos três primeiros que jogavam ou ainda jogam no futebol italiano, proporcionava uma disposição com três defensores efetiva. Armero também possui um senso tático similar, consciênte do avanço só quando possível, tendo atuado por Udinese e Milan.

Verter o 4-2-3-1 para 3-4-3/3-5-2, era um expediente natural. De lá para cá, Yépes que atuou por Chievo Verona e Milan, se aposentou da seleção dando lugar a Jeison Murillo, autor do gol da vitória na última quarta. Zapata, um dos principais zagueiros do Milan atualmente, é o novo stopper/defense leader da Colômbia. Murillo, foi contratado pela Internazionale de Milão, no último mês de fevereiro.

A variação tática da Colômbia de Perkerman segue remetendo à sua Argentina entre 2005 e 2006, num período pré-Lionel Messi. O time que foi ao Mundial 2006 também demonstrava uma variação, no caso de um 4-3-1-2 para o 3-5-2.

A grande diferença entre a Argentina de Pekerman e a Colômbia de Pekerman, talvez seja a versatilidade de seus respectivos “enganches”. James Rodríguez já é um atleta muito mais versátil do que o argentino Juan Riquelme.

Imagem de James: Nelson Almeida – AFP