Vitória merecida com pênalti que não existiu

Numa temporada claramente ruim, o Milan venceu a Juventus com méritos e não só – demonstrou capacidade de expandir seu quociente técnico ao longo da temporada. Mais: Max Allegri, que já vive um espírito de demissão antecipada, criou mais um esquema remendado que deu certo, com um volante na lateral esquerda (Constant) e outro de centroavante (Boateng). Sim, é verdade, a vitória veio com um pênalti inexistente, mas o Milan mandou no jogo, ainda que fazendo o resultado na base da determinação, muito mais do que na técnica.

Falando em Constant, foram as laterais que garantiram o resultado do Milan. O jovem De Sciglio teve uma atuação perfeita, que faz imaginar futuras convocações para a seleção, enquanto Constant, ajudado por um El Shaarawy definitivamente amadurecido, bloquearam qualquer apoio dos flancos aos isolados Vucinic  e Quagliarella.

Deixando de lado as invenções malucas de Allegri, como a de Boateng externo de meio-campo (contra a Sampdoria) ou Emanuelson na ponta, o elenco milanista tem toda condição de lutar por uma vaga europeia (com sorte, até na Liga dos Campeões). E o máximo que um time que perdeu seus dois pilares e apostou em uma serie de jovens (El Shaarawy, Bojan, De Sciglio) e tem seu jogador mais valioso (Pato) em estado de nulidade pode almejar.

De positivo, o Milan pode contar com o fato de ter pelo menos dois zagueiros de qualidade (Zapata e Mexés), um regente capaz de dar ordem ao meio-campo (Montolivo) e os jovens ja citados para a chegada de um  novo treinador (que certamente não será Allegri). Classificação à parte, o maior problema milanista é a recuperação de Pato, hoje, digno de um décimo de seue valor de mercado.

No ano que vem, mais uma leva de estorvos deve deixar Milanello (Bonera, Flamini, Yepes, Abbiati e o capitão Ambrosini) e abrir outra boa folga no orçamento. A questão é saber como esses vazios serão preenchidos. De Traorés e Taiwos, já ficou a lição que craque bom e barato não existe. Ou se aposta em jovens – para o futuro – ou se torra dinheiro trazendo craques. E dinheiro, parece que não há, ao menos enquanto Berlusconi for protagonista em Via Turati.

Cassiano Gobbet
Cassiano Gobbet é jornalista, formado pela Universidade de São Paulo e mestre em jornalismo digital pela Bournemouth University.
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