Agora é oficial – roubo na Copa 2014 é liberado

Antes de mais nada, uma declaração de incapacidade minha: alerto que não conseguirei, ao longo desse texto, externar toda a raiva, asco, frustração e estarrecimento contra a MP 527, que basicamente autorizou que os governos ocultem quanto custarão as obras destinadas à Copa do Mundo.

Sabia-se que a realização dos eventos esportivos no Brasil estariam intimamente ligados ao assalto ao dinheiro público, mas não dava para imaginar que seria assim descarado. Por isso, é preciso se mobilizar de algum jeito – votando numa petição contra a tal da lei, por exemplo.
Criminosos ou cidadãos que agem como tal não faltam nas fileiras dos partidos políticos. O Blog do Birner trouxe hoje uma lista dos parlamentares que autorizaram que os estupros ao erário sejam secretos. Vale a pena ler e ver se o deputado que você elegeu foi decente ou apenas mais um vagabundo que te enganou.

Na minha infância, o Brasil vivia numa ditadura. O governo era composto por um monte de ignorantes ávidos por favores e dinheiro. Todas as medidas aprovadas eram para beneficiar um pequeno grupo, sempre prejudicando a população. O Brasil de hoje me lembra cada vez mais das minhas memórias de infância. O governo era composto por gente incapaz e/ou mal-intencionada; os políticos só queriam o poder e a população, entorpecida pela possibilidade de comprar uns badulaques a mais, aceitava qualquer coisa com uma passividade bovina. Não se trata absolutamente de uma condenação do PT ou um endosso da oposição. Raras vezes tivemos uma oposição mais ávida por dinheiro do que hoje. O o problema não é com o PT – é com o poder. Poder e corrupção só se dissociam quando a sociedade cria mecanismos para vigiar isso. É muito parecido com o desfecho de “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell. “Já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco”.

Organizar uma Copa sob o comando da CBF já é um absurdo, porque se trata de uma entidade que tem muito mais acusações de corrupção do que de boas práticas; o governo pagar essa conta é inadmissível. Mas o governo nos proibir de acompanhar o que acontece com nosso dinheiro é criminoso. Não temos o direito de assistir sentados.

Se você acha que a violência urbana está em níveis aceitáveis, que os jovens saem das escolas bem alfabetizados e aptos para agregar valor no mercado de trabalho, que o atendimento à saúde que você recebe (e paga) está de bom nível e que o meio-ambiente no Brasil é levado a sério, então esqueça tudo isso, Essa preocupação realmente não te atinge. Se você é do grupo que acha que isso é tudo balela e que bom mesmo é que seu clube vai ganhar um estádio novo, então, por favor, vá até a praça mais próxima e corte um prato de grama para sua janta. E lembre-se de no futuro apoiar candidatos que defendem os animais de maus-tratos – você se sentirá mais protegido.

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6 Comments

  1. Cassiano Gobbet

    Verdade. abs

  2. Cassiano Gobbet

    Nunca fui a favor porque sabia que isso aconteceria. O político brasileiro é formado culturalmente na ideologia da corte corrupta portuguesa, que não gostava de trabalhar e estava acostumada a ter escravos. levaremos séculos até que os políticos se comportem como cidadãos decentes. Sou contra a Copa, contra gastos públicos em estádios e qualquer coisa que não tenha controle rigoroso em gastos do erário. Mas nós estamos ferrados. Contem com um rombo de R$50 bi em cinco anos. E esperem mais Bolsas-alguma coisa para combater fome e doença, porque é o único modo de evitar que uma população ignorante morra de fome, uma vez que ela não vai combater a mão que a afaga. abs

  3. Cassiano Gobbet

    corrigindo:

    “…um assessor analfabeto de vereador semi-analfabeto…”

  4. Cassiano Gobbet

    …afinal, porque esperar de um rato que ele não se comporte como rato…

  5. Cassiano Gobbet

    A mídia tem papel preponderante no estupro dos cofres públicos. cabe a vocês, leitores, pressionar também os jornalistas que se dizem “independentes” a assumir posturas pertinentes e não adotarem as posturas de suas emissoras. abs

  6. Cassiano Gobbet

    Faço suas as minhas palavras. Vou cobrar do meu deputado ele não ter participado da votação (o Roberto Freire, PPS-SP). Como disse o Tostão, não tenho esperança.

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