No sábado, o maior templo do futebol mundial, a seleção sub-21 da Itália fez a partida de estréia contra os donos da casa da mesma categoria. Certo, era um amistoso e nem mesmo as arquibancadas estavam lotadas. O jogo, no entanto, foi o mais legal de se ver no final de semana. E mostrou uma Itália que pode ter esperanças, especialmente em seu atacante Giampaolo Pazzini.

O avante da Fiorentina foi o primeiro jogador a fazer um gol no novo estádio de Wembley. Não contente com o gol – realizado no primeiro minuto de partida – ele ainda marcou mais dois e mandou uma bola na trave. Quando deixou o campo, para dar espaço a Graziano Pellé, a torcida inglesa aplaudiu-o de pé. “Me perguntava se aquilo tudo estava acontecendo mesmo”, disse Pazzini, depois do jogo.

A brilhante atuação do jogador não deve turvar a imagem do resto do time, certamente a melhor seleção da categoria desde a sub-21 de Cesare Maldini campeã européia em 2000 e que tinha Andrea Pirlo, Massimo Ambrosini, Nicola Ventola, Francesco Coco e Roberto Baronio.

A indicação de Pierluigi Casiraghi para o cargo de técnico com Gianfranco Zola como supervisor cheirava indicação política, mas revelou-se acertada pelo futebol que os ‘Azzurrini’ jogaram em Wembley. Um futebol sólido na defesa mas sempre buscando o ataque, com opções pelos dois lados do campo e alternativas no banco.

Casiraghi mandou a campo um time no 4-3-3, com o romanista Curci no gol e uma linha de defensores que poderia atuar em um grande time da Série A. Os laterais (Potenza e Chiellini e depois Raggi e Criscito) apoiavam sempre na boa mas antes mantinham a defesa sob controle. O miolo de zaga, mesmo sofrendo com a velocidade do ataque inglês, mostrava bons fundamentos e ótimo posicionamento.

O meio-campo desse time é que realmente entusiasma. Com dois medianos (Nocerino e Padoin) e Montolivo na armação, a Itália sempre teve a iniciativa se aproveitando da colocação de Rosina mais à frente, mas freqüentemente voltando para compor uma linha de quatro meio-campistas.

Essa disposição do time criou a condição ideal para a dupla de ataque Giuseppe Rossi-Pazzini. Rossi, um atacante de grande mobilidade e inteligência abre espaços puxando a marcação para fora da área. Daí, Pazzini, que atua bem tanto entre os zagueiros como sendo lançado em velocidade, pode dar seu melhor.

Durante o jogo, vários outros bons jogadores mostraram que a Itália terá, em suas futuras gerações, também um bom banco de reservas. Além dos defensores já citados, também Andrea Lazzari, Rafaelle Di Martino e Arturo Lupoli empolgam com seu potencial.

O maior risco que essa geração, que disputa o Europeu sub-21 em junho, é o de não ter nos clubes o espaço necessário para se desenvolver. Pazzini, por exemplo, tem tranqüilamente capacidade de ser titular da Fiorentina, mas fica na reserva de Luca Toni; Curci é reserva de Doni na Roma e Andreolli é reserva na Inter. Só os jogadores que estão em clubes menores (como Giuseppe Rossi, do Parma, Domenico Criscito, do Genoa e Raggi, do Empoli) estão jogando com freqüência.

Inglaterra 3 x 3 Itália

Inglaterra
Camp; Rosenior (Hoyte), Ferdinand, Cahill, Baines; Routledge (Milner), Bentley (Young), Reo-Coker; Agbonlahor (Derbyshire), Lita, Richardson (Milner).

ITALIA (4-3-3)
Curci; Potenza (Raggi), Andreolli, Mantovani (Coda), Chiellini (Criscito); Montolivo, Nocerino (Lazzari), Padoin (De Martino); Rosina, Pazzini (Pellé), Rossi (Lupoli).