Se a Série B acabasse hoje, 03 de abril, a maior campeã italiana e o primeiro campeão italiano (Juventus e Genoa, respectivamente) teriam o direito de subir para a divisão máxima. E entre os outros quatro que disputariam a última vaga da promoção estariam mais dois clubes que já levantaram o ‘scudetto’: Napoli e Bologna.

A observação não é mero detalhe. A ascensão de três clubes de tal porte para a divisão máxima não vai só fazer clássicos mais ‘legais’ de assistir, como Juventus x Napoli, Sampdoria x Genoa e Bologna x Parma. O Campeonato Italiano vai ganhar em vários outros itens que serão vantajosos para todo mundo, como média de público, valor da transmissão dos direitos de TV e atratividade do torneio para craques de outros países. Se subissem, por exemplo, Napoli, Genoa e Juventus, a Série A teria uma acréscimo de quase 60 mil pessoas por jogo, ao passo que se descessem os últimos três colocados, Messina, Parma e Ascoli, perderia menos da metade disso.

No decorrer de um campeonato, esportivamente falando, isso significa que será mais duro para os grandes clubes conseguir seus pontos, naturalmente, desde que os promovidos montem times capazes de fazer jus às suas tradições quando chegarem à Série A. Isso vai impedir – ou ao menos dificultar – que haja um líder disparando na tabela, como neste ano acontece com a Inter.

A negociação de outras receitas dos clubes também ganhará força. Mais gente nos estádios também quer dizer mais gente pagando para assistir jogos na TV a cabo – e especialmente no caso da Juventus, cuja torcida é particularmente fã de futebol na TV. E isso se reverte, claro, em mais dinheiro para os clubes, mais contratações e mais craques no campeonato como um todo.

O ganho será de todos, inclusive da Inter, virtual campeã. Esta edição da Série A é uma das piores de todos os tempos por causa de todos os percalços que começaram antes mesmo da própria temporada e o sucesso interista não terá a valorização econômica que um título italiano teria. No próximo ano, a Série A voltará a ser a Série A. Assim esperamos.

Coppa dei Campioni

Uma semana mais do que decisiva para as ambições italianas da Liga dos Campeões. Um Milan determinado, mas freqüentemente sem brilho e uma Roma que realmente vê chances de chegar à final de Atenas entraram na semana que antecede seus jogos fingindo que o campeonato já acabou (e de uma certa já acabou).

Em Milão, a ordem é encontrar forças para manter a crença em um título que soa improvável (mas se o Liverpool foi campeão em 2005, por que não). Sem Ronaldo, impossibilitado de jogar pela LC, o técnico Carlo Ancelotti se esfalfa para descobrir como montar um ataque onde Pippo Inzaghi está fora de forma e Ricardo Oliveira tem se demonstrado uma contratação péssima. A saída – esperam os milanistas – é de ter um Kaká e um Seedorf inspirados. Senão, é difícil não imaginar um Bayern nas semifinais.

Em Roma, a moral é outra. Não que a equipe de Trigoria tenha um esquadrão imbatível, mas depois da eliminação do Lyon na própria LC, o time se acha capaz de bater qualquer adversário. Para ajudar na injeção de moral, o capitão Totti ficou bem bravo que Alex Ferguson não o listou entre os jogadores mais perigosos do rival italiano.

A LC é a única forma que os dois clubes ainda têm de dar algum êxito a esta temporada. No caso da Roma, ainda há a Copa Itália, mas este torneio não é exatamente o sonho de nenhum dos grandes. Uma ida à semifinal da competição continental representará um aporte de dinheiro que se fará sentir no próximo campeonato. Quando se fala de contratações como as de Ronaldinho Gaúcho, Iaquinta, Pizarro e Alexandre Pato, é esse o dinheiro que pode decidir.

Esta é a seleção Trivela da 30a rodada:

Peruzzi (Lazio); Stendardo (Lazio), Mexès (Roma) e Bertotto (Siena); Gasbarroni (Parma), Filippini (Livorno), Sammarco (Chievo) e Doni (Atalanta); Quagliarella (Sampdoria), Pozzi (Empoli) e Lucarelli (Livorno)