Suspeita-se que o técnico de uma seleção nacional assiste aos jogos de seus jogadores preferidos, antes de uma convocação. Sim, especialmente se ele dispõe de todo o tempo e verba necessários para viajar, ou se munir de vídeos, ter uma equipe de observadores. Enfim, poder saber exatamente como está cada jogador, e convocar os melhores jogadores nas melhores condições para cada partida, especialmente se dispusesse opções válidas para os diversos setores.

É. Mas o “team” de Parreira, cujo imediato é o agilíssimo Zagallo, e o “manager”, o pluriplatinado Américo Faria, parece não estar em sintonia com as necessidades de comando que têm uma seleção como a…campeã do mundo. A prova? Ora. A convocação de Kaká.

Parreira queria Kaká de qualquer maneira para enfrentar a poderosa Bolívia, num jogo que a Seleção jogou 45 minutos e depois dormiu, e mesmo assim, venceu. Enquanto isso, o meia do Milan estava, na Itália, lutando para pegar ritmo de jogo, após uma pré-temporada severa, que visa fazer com que ele atinja seu ápice perto da data da final da Liga dos Campeões, torneio que o Milan mais preza, pelas honras, e, principalmente, pelo dinheiro que ganha seu campeão.

O bate-boca entre CBF e Milan só serviu para deixar Kaká preocupado quanto à suas futuras (e óbvias) convocações, porque a empáfia da Federação deixava nas entrelinhas que, caso não “obedecesse” à convocação, seu futuro na Seleção Brasileira poderia estar em risco. NO Milan, qualquer um que se dignasse q ver Kaká jogando, se dava conta de que ele ainda levará algumas semanas para voltar à sua melhor forma. E ainda assim está o Kaká de hoje. Na surpreendente derrota para o Messina, Kaká esteve neutro no campo; morto fisicamente, como todo o time do Milan.

Parreira fazer Kaká viajar longamente para as duas partidas contra Venezuela e Colômbia é de uma extrema falta de bom senso. O milanista não está bem, não vem jogando bem no seu clube (justamente por causa de seu estado ainda inicial na preparação física), e, convenhamos, o Brasil dispõe de alternativas suficientemente válidas na posição do meia, para enfrentar esses dois times. Kaká melhoraria sua forma física, treinaria tranqüilo, sem ter de imaginar que pudesse ser vítima de vinganças ou represálias de uma federação semi-amadora. Para tanto, bastaria um telefonema do técnico ao jogador, onde o primeiro assegurasse sua confiança no atleta, e lhe recomendasse de prosseguir a preparação.

Kaká pode atuar nas duas partidas da Seleção e acabar com o jogo? Claro. É, indiscutivelmente, um craque. Mas, primeiro, sua forma atual não aponta para tal performance otimal; segundo, que o Brasil correrá o risco de sacrificar um jogador ainda se preparando fisicamente para uma longa temporada, e terceiro, que as opções para substituir Kaká podem não ser do mesmo valor que ele, mas dão conta de jogos contra adversários do porte de Colômbia e Venezuela. No fim, nada que nos surpreenda. Entre falta de inteligência, falta de preparo, e falta de sensatez, não sabemos a qual dos três (ou os três) estamos mais acostumados. Infelizmente.