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Ronaldinho Gaúcho: destino Milão

Tudo bem: é verdade que o internauta não agüenta mais ouvir falar de uma possível saída de Ronaldinho Gaúcho do Barcelona. A novela era a mesma quando Shevchenko estava no Milan, Ronaldo na Inter ou qualquer outro grande jogador. Parte da imprensa não sobrevive sem rumores – que em 100% dos casos são fomentados pelos agentes dos mesmos e dirigentes, de olho em transferências, comissões e afins. O caso de Ronaldinho não é diferente. A posição ambígua de seu empresário e irmão Roberto Assis sempre foi pensada, porque ele sabe que não se fecha esse tipo de porta no futebol.

Desta vez, parece mesmo sério: Ronaldinho Gaúcho não deve voltar a jogar pelo Barcelona. Seja a lesão diagnosticada pela equipe médica do clube verdadeira ou não, o que parece certo é que o clube catalão já dá sua saída como certa a ponto de autorizar os dirigentes do Milan a negociar com Assis (foram vistos num restaurante em Milão na semana passada).

Na verdade, a negociação vai além do encontro entre empresário e diretores. O acordo entre Milan e Barcelona teria sido acertado na temporada passada, quando o brasileiro vinha de uma temporada irregular no Camp Nou. O ponto é que a diretoria ‘blaugrana’ ainda sabia que enfrentaria muita resistência por parte da torcida. A falta de vontade de Ronaldinho nesta temporada faria mais sentido, caso fosse verdade que ele já sabia que iria para a Itália no verão europeu de 2008.

A decisão da cúpula catalã ainda dependia de mais um fator: a afirmação de Messi como um possível substituto para a importância de Ronaldo no elenco do clube. Nesse sentido, as coisas foram tão bem que até um substituto para Messi apareceu no processo. O sérvio-espanhol Bojan já veste a camisa de “próximo craque do Barcelona”, ainda que falar em sucessão para um jogador de 20 anos seja bastante ridículo.

O sonho de Silvio Berlusconi era o de ir à reapresentação do Milan para a pré-temporada em julho passado de braços dados com os dois Ronaldos e Kaká e apresentá-los como o “trio dos sonhos” do Milan. O presidente do clube sabia do peso mediático que um evento do gênero teria e que isso não faria mal à suas atividades políticas.

Com Ronaldo lesionado, o sonho de Berlusconi, além de adiado em um ano sofreu uma alteração. A entrada planejada pra julho passado deve ocorrer neste ano, mas ao invés de Ronaldo, deve contar com Pato e Shevchenko – que muito provavelmente retornará a Milanello depois de uma desastrosa experiência no futebol inglês.

“Então Ronaldinho está assinado com o Milan?”. Bem, não há nenhum jornalista na redação da Trivela que tenha conversado com Silvio Berlusconi na última semana e tido tal confirmação. Mas não é imprudente afirmar que ele vai para Milão. A Internazionale tenta atravessar a negociação milanista e corre por fora, assim como o Chelsea.

Quanto o Milan pagará por Ronaldinho? Difícil dizer. Sua cláusula rescisória é impagável (€150 milhões) mas uma regra da Fifa autorizaria o jogador a conseguir sua liberação por €17 milhões. Como as relações entre os dois clubes são amistosas, o provável é que um acordo fosse encontrado pouco acima do valor mínimo. O Milan não deve arriscar o azedamento das relações com os catalães porque Zambrotta deve fazer o mesmo roteiro de Ronaldinho.

Scudetto: Roma não é a Juve

O título italiano segue aberto, sim. Mas nas duas últimas semanas, a Roma deixou claras as suas limitações tanto técnicas como de personalidade. A vitória romanista no sábado, sobre o Genoa, não foi justa e só aconteceu graças a um pênalti tolo de Borriello sobre Taddei.

Na semana passada, quando a Inter empatou o jogo com o Empoli, a Roma tinha perdido pontos diante do Cagliari. É verdade que os sardos estão em recuperação, mas um time que quer ser campeão precisa obrigatoriamente vencer um adversário do gênero.

O preço pago pela Roma ainda é o de um elenco em maturação. Sem Totti (lesionado), o time sentiu o baque da lição imposta pelo Manchester United na LC. No final de semana, o time de Luciano Spaletti fez um primeiro tempo excelente, mas morreu no segundo tempo. Sem Totti e poupando Aquilani para o jogo de Manchester, a Roma teve de colocar quase todos os titulares em campo. O esforço cobrará seu preço em Old Trafford.

A sorte interista está exatamente aí: no momento em que o elenco ‘nerazzurro’ caiu de produção (o que é compreensível), seus perseguidores não são nem Juventus nem Milan. Fosse um time do mesmo porte, o ‘scudetto’ da Inter estaria muito mais ameaçado. Para a Roma, agora é necessária uma façanha, daquelas que mudam um time de “status”. Se a Roma quer sua entrada no “Trio de Ferro”, tem de mostrar suas cartas agora.

Série B: Chievo recorde

Na próxima temporada, a Série A deverá receber dois clubes que agregarão bastante. Chievo e Bologna venceram seus jogos e estão nas duas primeiras colocações da Série B e com campanhas irretocáveis. No final de semana, mais duas apresentações de gala.

O Chievo, líder do torneio, foi a Messina, saiu na frente, tomou a virada mas acabou vencendo e quebrando recorde (leia nas curtas). Jogando com três atacantes, o clube vêneto manteve a tradição recente de um futebol ofensivo (melhor ataque da Série B, com 62 gols) com um elenco que é quase o mesmo que estava na Série A, pagando a aposta num projeto de promoção imediata.

O Bologna não fica atrás. Nesta semana, recebeu o Modena no dérbi emiliano e não tomou conhecimento do time do Alberto Braglia. Com a segunda melhor retaguarda do torneio (23 gols sofridos, pior só que a do Lecce, com 22), o elenco de Roberto Colombo é devastador. Com alguns ajustes, pode subir à primeira divisão com tranqüilidade.

Para a decisão do playoff da terceira vaga, é praticamente certo que Albinoleffe, Lecce, Brescia e Pisa (o Pisa, sexto colocado, está 11 pontos à frente do sétimo, o Rimini). Na rodada, nenhum dos quatro prováveis participantes do playoff perdeu: Lecce e Albinoleffe venceram e Pisa e Brescia empataram.

– Segundo a imprensa italiana, o megainvestidor George Soros estaria interessado em comprar a Roma.

– Campeonato “Primavera” (o “aspirantes” da Itália): Sampdoria, Udinese e Ascoli lideram os grupos A, B e C, respectivamente; Juventus, Inter e Catania são os vice-líderes.

– Com a 11a vitória consecutiva, o Chievo bateu o recorde de sucessos consecutivos da segunda divisão italiana.

– Esta é a seleção Trivela da 32a rodada:

– Fontana (Palermo); Bonera (Milan), Paci (Parma), Vargas (Catania) e Dossena (Udinese); Vieira (Inter), Sissoko (Juventus), Montolivo (Fiorentina); Del Piero (Juventus), Inzaghi (Milan) e Amauri (Palermo)

Arbitragem e lama

Há determinados dias em que você sabe que não deveria ter saído de casa, porque tudo – simplesmente tudo – dá errado. Só que não há escapatória e é preciso que se vá até o fim. Essa é a sensação desta temporada na Itália. E na semana passada, ela ficou ainda mais forte.

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O dia vai nascer

Se a Série B acabasse hoje, 03 de abril, a maior campeã italiana e o primeiro campeão italiano (Juventus e Genoa, respectivamente) teriam o direito de subir para a divisão máxima. E entre os outros quatro que disputariam a última vaga da promoção estariam mais dois clubes que já levantaram o ‘scudetto’: Napoli e Bologna.

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Como eles foram no primeiro turno

Inter – 1º turno nota 9
Não há necessidade de relembrar o quanto a Inter é onipotente nesta temporada. Com o melhor elenco, sem achaques psicológicos e uma largada com vantagem folgada sobre o Milan, o campeonato revelou-se mais fácil do que já parecia. A vantagem inicial esmagadora não zera os méritos de Roberto Mancini e companhia: o técnico conseguiu tirar o melhor de Ibrahimovic, Vieira, Crespo e Dacourt, além de gerenciar sem muito dano a situação de um Adriano que queria ser vendido por pressão do empresário. Só um desastre tira a Inter da rota do título, embora no âmbito continental, não haja sinais de que a primazia possa se repetir.

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Questão de tempo

Aconteceu. O que todo mundo já sabia se confirmou quando o relatório do interventor Francesco Saverio Borrelli deixou a Federcalcio e pediu cabeças – com a da Juventus na primeira fila.

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Hecatombe

Muito provavelmente o internauta tem acompanhado o escândalo no futebol italiano e já se deu conta que é algo grande, mas esta coluna fará nesta semana uma pequena observação. Não é algo grande. Estamos assistindo o maior escândalo na história do futebol mundial em todos os tempos. E não se trata de exagero.

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A volta dos dérbis

O futebol italiano tem ficado mais cinzento nos últimos anos. A quantidade industrial de escândalos jogou o esporte numa espécie de limbo monitorado, onde ele não acaba, mas exibe sua agonia lenta. Passaportes, doping, apostas, possíveis compras de resultados, praticamente tudo o que poderia dar problema já virou inquérito na Itália.

Mas talvez a próxima temporada tenha ao menos uma boa notícia para a Série A. A divisão máxima do futebol italiano terá, na temporada 2005/6, clássicos nas cidades de Milão, Roma, Turim e Genova, além do derby do ‘stretto’, entre Messina e Palermo. O futebol volta a ser estrela.

O último clube a definir o seu retorno à primeira divisão foi o Torino, que perdeu para o Perugia, em casa, mas garantiu a vaga pela melhor campanha. O ‘Toro’ não é um adversário à altura da Juventus há bastante tempo, mas quando os dois piemonteses se encontram no Delle Alpi sempre há muita tensão.

Fica na Ligúria o embate que a Série A não vê há mais tempo. Genoa e Sampdoria não se enfrentam na elite desde 1995, ano da última participação do time ‘rossoblú’. A promoção do Genoa está soterrada em sombras e dúvidas com o escândalo crescente de uma possível compra de resultados. Ainda que o drama esteja ganhanddo consistência, é pouco provável (mas não impossível) que o estádio Marassi volte a ter seu clássico. E afinal, o Genoa é o primeiro campeão italiano.

Em Roma, o derby ‘capitolino’ que decidiu o título algumas temporadas atrás agora está redimensionado. A Lazio assume a posição de quem quer uma fuga tranqüila do rebaixamento, enquanto a Roma quer fazer da próxima temporada o ‘ano I’ de uma nova fase, passada a euforia e pesadelo da entrada na Bolsa.

Milão segue como o confronto mais difícil. Junto com Londres, é a única cidade européia que tem dois clubes que começam o torneio pensando em título. O estádio milanês terá uma reforma de emergência, com 200 roletas e um circuito de TV, mas a adequação definitiva do estádio dificilmente sai rápido (leia abaixo).

Além da curiosidade pela volta dos clássicos, há alguma diferença causada pela volta dos derbys? Sim, definitivamente. A capacidade dos estádios da Série A somados aumentará em cerca de 37 mil lugares com o acesso de Genoa, Empoli e Torino. Além disso, o Genoa e o ‘Toro’ são clubes que têm uma torcida maior do que Bologna, Atalanta e Brescia. Se haverá uma melhora no nível técnico, isso só saberemos em agosto.

Aparando arestas

Meio na surdina, neste final de junho, quando o futebol europeu ainda se resume à final da Copa das Confederações e à Copa Intertoto, a Itália dá um passo importante do mercado de transferências interno. Nesta segunda-feira, os dirigentes dos clubes italianos se reuniram pela última vez em Milão, no saguão de um luxuoso hotel, para tentar acertar as co-propriedades dos jogadores divididos entre dois ou mais clubes. Sem acordo, a decisão vai para “as sacolas”, onde cada clube coloca a sua proposta e quem tiver feito a melhor fica com o jogador.

A Fiorentina foi às negociações com mais interesses em jogo. Com a Juventus, tinha o defensor Chiellini, o volante Maresca e o atacante Miccoli. A Juve conseguiu comprar Chiellini de volta por € 4,3 milhões, mas Miccoli e Maresca foram para “as sacolas”. Também foram para o sistema de “concorrência” os meio-campistas Jorgensen (com a Udinese) e Obodo (com o Perugia).
A Udinese também teve participação ativa nas negociações. Acertou a compra definitiva de Di Natale, do Empoli, além de acertar a renovação de mais dois jogadores (Almirón e o brasileiro Cribari). Na Roma, meia defesa: o goleiro Curci e os zagueiros Ferronetti e Bovo voltam a Trigoria.

A Atalanta, mesmo tendo sido rebaixada, conseguiu acertar a permanência de Makinwa e Bianchi entre seus jogadores. O centroavante nigeriano é pretendido por vários clubes que desembolsarão á sociedade bergamasca euros valiosos para a temporada na Série B, enquanto o atacante italiano foi um dos melhores nomes da reta final do Cagliari.
Nenhum jogador de peso está sendo disputado, mas vários deles podem vir a ter destaque no futebol italiano, como Makinwa, Obodo e Bianchi, por exemplo. O resultado da ‘supersegunda’ é muito influente porque desenha as forças de clubes do segundo escalão. Exceção feita à negociação entre Fiorentina e Juventus, nenhum grande montante deve entrar em jogo. Mas a dureza da Série A começa aqui, ainda que sem alarde.

Projeto San Siro

Para não perder o hábito, como chega uma nova temporada, Inter e Milan voltam a discutir com o poder público de Milão a possibilidade de compra do estádio Giuseppe Meazza, também conhecido como “San Siro” (sim, é o mesmo estádio!). E também para manter tudo na regra, a prefeitura segura a rédea curta.

O famosíssimo estádio onde Milan e Inter mandam seus jogos tem muito glamour, mas tem várias deficiências. A primeira delas é no gramado, que não recebe a quantia adequada de sol e necessita de replantios de grama sistemáticos. O problema até transformou o estádio no primeiro candidato entre os ‘gigantes’ europeus a receber grama sintética.

Mas não é só: o estádio precisa implantar um novo circuito interno de TV, trocar as suas roletas, modernizar o controle de acesso dos torcedores ao estádio, entre outros. San Siro é tradicional, mas não é seguro, especialmente diante das novas investidas dos ‘hooligans’ italianos. Para reformar tudo dentro dos conformes, se gastariam mais ou menos €10 milhões imediatamente, mais uma quantia bem maior a médio prazo.

Milan e Inter têm posições diferentes em relação ao futuro do estádio. O Milan quer que a prefeitura venda San Siro ao clube, para que se disponha a fazer um investimento pesado. A idéia é transforma-lo numa arena multi-uso e poder capitalizar com o edifício durante todo o ano, e não só nos finais de semana. Já a Inter não esconde que prefere construir um estádio todo ‘nerazzurro’, sem a presença dos ‘cugini’.

A situação é cada vez mais instável. Para investir, os clubes querem um lugar que lhes pertença. Só assim, o estádio pode se adequar às exigências de segurança capazes de evitar os marginais uniformizados de fazer baderna. A posição da prefeitura em relação a San Siro é a de não vender, por se tratar de um patrimônio da cidade. Mas o que ela sabe bem é que se Inter e Milan pararem de alugar o estádio, como acontece hoje, o Giuseppe Meazza vira um elefante branco.

– A Juventus admitiu, finalmente, que Patrick Vieira é um de seus objetivos para a próxima temporada.

– O volante do Arsenal já foi ligado á Juventus em outras ocasiões.

– Fabio Capello quer montar uma dupla de meio-campistas vigorosa, com Emerson e Vieira.

– Na semana passada, o atacante da Inter, Álvaro Recoba, deu uma entrevista a um jornal do Uruguai onde externou uma opinião que promete polêmica.

– “Não temos um líder em campo. O Milan tem Maldini, nós temos Javier Zanetti”.

– Recoba se apressou em dizer que Zanetti é uma ótima pessoa, mas que o elenco interista ressentia da ausência de uma personalidade maior em campo.

– E quem há de culpa-lo pela observação?

– Nesta semana, a atenção do Milan é para assegurar Crespo e Gilardino.

– Se Crespo não se acertar com o Chelsea nos próximos sete dias, não continua em Milão.

– O Parma fez uma proposta para Zdenek Zeman assumir seu time na próxima temporada.

– O treinador tcheco é o preferido do clube por estar habituado a revelar jogadores novos e jovens, além de montar times ofensivos.

O mais difícil do mundo

A 33a rodada do Italiano provocou algumas reflexões posteriores. A mais gritante delas é que o Italiano desta temporada reafirma-se como o torneio doméstico mais disputado de todos entre os países de elite no futebol. A cinco rodadas do final (e uma do que seria o final do antigo campeonato de 18 times), não só todos os times estão na luta por alguma coisa como alguns ainda se encontram em águas que podem desembocar em destinos diferentes.

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