Na última quinta-feira o treinador Didier Deschamps divulgou convocação da seleção da França, que terá compromissos na data FIFA que se inicia nesta semana. Atual campeã Mundial a seleção bleu enfrentará Alemanha e Holanda pela UEFA Nations League, respectivamente nos dias 06 e 09 de setembro.

A liga das nações

A Nations League é o novo torneio bienal proposto pela UEFA, cujo intuito é classificatório oferecendo vagas para a EURO 2020. São 55 seleções europeias divididas em quatro categorias (A, B, C, D), isso conforme suas classificações no atual ranking da UEFA. Tais seleções podem se ver obrigadas a se privarem da disputa de amistosos internacionais, durante as datas FIFA.

A França lidera o ranking presente sendo considerada seleção A, dentre outras como Bélgica, Croácia, Inglaterra, Espanha, Portugal, Alemanha (10ª colocada) e Holanda (11ª colocada), todas estas elencadas dentro das primeiras 12 colocações.

Teremos grupos (englobando de 3 a 4 seleções) formados dentro da cada categoria (A, B, C, D), com com os times jogando entre si. Estão previstos playoffs (Final Four) de jogo único (semifinais/final), para que os líderes de cada grupo dentro das categorias se enfrentem, assim definindo os campeões.

Os melhores colocados obviamente terão vagas para a EURO, sem que o torneio cesse em dois anos, de forma que a competição também funcione como a antiga repescagem. Novamente, de acordo com a pontuação do ranking, as seleções melhores colocadas seguirão no playoff, ocupando vagas dos times que já se classificaram.

Os homens do presidente

Voltando a seleção francesa, Deschamps convocou praticamente todos os 23 jogadores que estiveram presentes no Mundial na Rússia, a exceção do veterano goleiro reserva Steve Mandanda (Olympique Marselha, 33 anos). Lesionado, Mandanda foi substituído por Benoít Costil (Bordeaux).

O treinador parece demonstrar lealdade para com seu grupo vitorioso, valendo ressaltar que há sim vagas que podem ter novas caras em convocações futuras. A julgar pela participação no Mundial, a dupla de laterais Sidibé (Monaco) e Mendy (Manchester City) pode perder espaço, valendo lembrar que Mendy sofreu com problemas físicos durante a copa.

A trajetória da França no torneio disputado em solo russo mostrou a confiança de Deschamps nos jovens Pavard (Stuttgart) e Lucas Hernández (Atlético Madrid), que possibilitam a variação com três defensores, onde o primeiro avança com liberdade e o segundo mostra-se mais fixo na marcação. Os dois surgiram na reta final de preparação para a copa.

Ainda no que diz respeito ao setor defensivo, Deschamps manteve o zagueiro Adil Rami (Olympique Marselha, 32 anos), sendo que o defensor havia anunciado aposentadoria da seleção. O treinador afirmou na coletiva da convocação que Rami foi um pouco eufórico ao anunciar retirada, logo após o êxito na Rússia. Segundo Deschamps, o zagueiro se vê num “momento competitivo”.

Liderança no grupo e elogiado por seu voluntarismo durante o Mundial, o atacante Olivier Giroud (Chelsea) já contabiliza 31 anos, ao passo que Nabil Fekir sofre com o mau início de temporada de seu clube, o Lyon. Não será surpresa se Alexandre Lacazette (Arsenal) voltar a aparecer em convocações futuras. Na França há algum clamor por Dimitri Payet (Olympique Marselha).

Ademais, há um interessante novo mundo para os atletas franceses no pós-conquista do bicampeonato mundial. Kylian M’bappé contabiliza 4 gols e 2 assistências em apenas 3 partidas pelo PSG 2018/2019. Apesar do inicio dificultoso do Manchester United na Premier League 18/19, Paul Pogba foi elevado a condição de capitão red devil. O meia tem 2 gols em 3 partidas.

Numa Madrid sem Cristiano Ronaldo, a sensação na capital espanhola é o Atlético de Madrid contando com a dupla Griezmann/Lemar, sendo que os colchoneros bateram o Real Madrid na decisão da Supercopa Europeia. Os dois franceses têm 4 partidas em 4 jogos na temporada, Griezmann contabiliza 1 gol e 1 assistência.

Confira todos os convocados

A Nations League abre nesta quinta-feira (06 de setembro) com o embate entre a campeã mundial França, e uma seleção da Alemanha que possivelmente demonstrará algum orgulho ferido, após eliminação na fase de grupos da Copa 2018. O confronto se dará em domínio germânico, na Allianz Arena de Munique (Alemanha).

A Esporte Interativo (via TNT e Space, emissoras do grupo Turner) anunciou transmissão da Nations League na televisão brasileira.

Sortie de but

– O título deste post faz alusão ao título do filme “Todos os Homens do Presidente” (1976), dirigido por Alan Pakula, estrelado pela dupla Robert Redford e Dustin Hoffman. Ainda que líder inquestionável e capitão, Didier Deschamps não era “o presidente” do time francês campeão mundial de 1998. “Le Président” era o zagueiro e hoje treinador Laurent Blanc. Deschamps era chamado pelos companheiros de “Le Patron” (“o patrão”).

– Deschamps estreou na seleção da França como atleta em 1989, tendo convivido com o ainda então jogador Michel Platini. Na França credita-se a força de liderança de Deschamps as exclusões de David Ginola (ex-Newcastle, responsabilizado pela não classificação para a copa de 1994) e do craque maluco Eric Cantona (ex-Manchester United, por motivos óbvios), do grupo treinado por Aimé Jaquet que culminou campeão em 1998. As mãos de ferro de Deschamps condenando Karim Benzema (Real Madrid) ao ostracismo bleu, tem precedentes.

– Consta que Aimé Jaquet viajava para Turim (Itália), para debater questões da seleção com Deschamps, que atuou na Juventus durante os anos 1990. Pouco antes da última copa o veterano treinador italiano Marcello Lippi relembrou o jogador Deschamps, afirmando que o ex-volante “já se comportava como um treinador, quando ainda era jogador”.

Lippi afirmou que Deschamps se inquietava quando pensava o que fazer quando recuperava a bola. Um dia o atual técnico bleu teria dito a Lippi: “Roubo a bola e passo para Zidane. Não tenho mais problemas”. Deschamps e Zidane foram treinados por Lippi na Juventus da segunda metade dos anos 1990.

Imagem: de M’bappé e Deschamps: File/AP