A seleção da Alemanha garantiu sua classificação para as oitavas de final da EURO 2016, na última terça-feira derrotando a Irlanda do Norte por 1×0, em partida realizada em Paris (França). Os alemães seguem favoritos, mas desenvolveram uma campanha irregular na fase de grupos, mesmo tendo obtido primeiro lugar do seu grupo.

O Nationalelf venceu uma fraca Ucrânia na estreia por um placar de 2×0, sem ostentar jogo vistoso. A Polônia segurou um empate sem gols contra o Mannschaft, muito em virtude do aspecto psicológico. Os poloneses Robert Lewandowski, Lucas Piszczek e “Kuba” Blaszczykowski, jogaram/jogam no futebol alemão.

Alemanha e Polônia acabaram numericamente empatados no grupo C, com ambas as equipes ostentando sete pontos cada. A liderança alemã se deu nos critérios de desempate.

Irlanda do Norte

A seleção norte-irlandesa comandada por Michael O’Neill foi a campo com McGovern, Hughes, McAuley, Cathcart e Evans. Davies, Corry Evans, Norwood e Dallas. Ward e Washington. A equipe se molda num 4-4-2, módulo tipicamente britânico que pode se verter em 4-5-1, quando o time perde a posse de bola.

Respeitando a qualidade alemã, O’Neill optou por “povoar” o meio-campo, com o desenho tático norte-irlandês mantendo-se no 4-5-1, praticamente durante toda a partida. A ideia era de fato entregar a bola aos alemães e sair em contra-ataque quando possível, e se possível.

Para garantir o intento de classificação via terceira colocação do grupo, o time não podia sofrer gols para manter bom saldo, êxito este obtido. Das duas finalizações que os norte-irlandeses conseguiram concluir, apenas uma foi em gol.

Alemanha

Pela primeira vez no torneio Joachim Löw escalou um time que deve ser a equipe titular alemã ideal. A formação teve Neuer, Kimmich, Hummels, Boateng e Hector. Khedira, Kroos, Müller, Özil e Götze. Mario Gómez. O desenho tático se desdobrava num 4-2-3-1 pleno, com Kimmich e Gómez surgindo pela primeira vez como titulares.

Em relação aos dois jogos anteriores, foram para o banco de reservas Höwedes (lateral mais defensivo) e o jovem meia Julian Draxler, algo que determinou o recuo de Götze para a linha de 3 meias. Götze atuou como atacante de área, nos dois jogos anteriores, com Draxler centralizado entre Özil e Müller.

Não temos laudos médicos, nem fisiológicos mas a confiança de Löw em relação às peças utilizadas no início do torneio, parecia revelar o intento de poupar Mario Gómez, no que diz respeito ao aspecto físico. Gómez realizou 41 partidas pelo Besiktas na última temporada europeia, conduzindo o clube ao título nacional turco.

Joshua Kimmich (21 anos) por sua vez, só fez a sua segunda partida pela seleção alemã. O lateral foi “inventado” pelo treinador Pep Guardiola, ganhando maior projeção na última temporada do FC Bayern. Kimmich é o provável sucessor de Philip Lahm, e Löw não o utilizara de forma súbita.

O time alemão mostrou-se bastante fluído na busca pelas jogadas ofensivas. Götze à esquerda da linha dos três meias, se viu em sua posição de hábito. Pelo lado direito, Müller e o citado Kimmich mostravam-se incisivos. O lateral apoia com muito vigor. Apesar da vitória magra, com o gol anotado por Gómez aos 30 min, os alemães chutaram absurdas 26 bolas ao gol.

12 disparos foram para fora e 9 foram em direção ao gol dos norte-irlandeses, que finalizaram apenas 2 vezes. Os alemães ostentaram 71% de posse de bola e obtiveram um alto índice de passes certos (92%), segundo levantamento de dados oficial da UEFA. O Nationalelf demonstrou muito mais objetividade do que no jogo de estreia, conta a Ucrânia.

Dar tempo para as recuperações físicas de Mats Hummels (titular a partir do segundo jogo) e Mario Gómez. Dar rodagem para o jovem meia Draxler e utilizar Kimmich de forma lúcida em relação à sua imaturidade, pareciam os intentos do planejamento de Joachim Löw.

Imagem de Kimmich (à esquerda) contra marcador norte-irlandês: Getty Images.