Na última terça-feira Portugal e Islândia empataram em 1×1, no último jogo da primeira rodada válido pelo grupo F. A partida que marcou a estreia de ambas as seleções na EURO 2016, aconteceu na cidade de Saint-Étienne (França), no estádio do tradicional e homônimo clube local.

Participando pela primeira vez de um grande torneio de seleções, a Islândia surpreendeu com uma equipe física e pouco ingênua, ainda que ciente das suas próprias limitações. O bom resultado dos estreantes no torneio acabou ofuscando a apresentação acima da média, feita por Portugal.

Portugal

A equipe do treinador Fernando Santos foi a campo com Rui Patrício, Vieirinha, Ricardo Carvalho, Pepe e Raphaël Guerreiro. Danilo, João Mário, João Mourinho e André Gomes. Cristiano Ronaldo e Nani. O desenho tático é um 4-4-2 convencional, que abre a possibilidade de um 3-4-3, quando a equipe detém a posse de bola.

Fernando Santos mostrou-se sagaz ao resgatar a função de interditor à frente da defesa (leia-se volante), função esta chamada de “trinco” em Portugal. O jovem Danilo (FC Porto/Portugal) foi postado à frente da linha defensiva, concedendo bom equilíbrio.

Outrora este setor foi ocupado por atletas como Maniche, Costinha ou Tiago. Danilo pode compôr também um quarto homem na linha defensiva em caso de perca de bola, quando Vierinha avança pelo flanco direito. O lateral direito é na realidade um volante de origem, e seu deslocamento possibilita o 3-4-3.

Ao passo que Vieirinha se aglutina aos homens de meio-campo João Mourinho (pelo centro) ou André Gomes podem formar um tridente ofensivo com CR7/Nani.

Um ataque melhor utilizado.

O gol português saiu em jogada iniciada exatamente pelo flanco direito, com André Gomes cruzando para Nani finalizar. No ataque CR7 atua como um segundo atacante, com Nani que não é um centroavante, mais fixo na área adversária como referência. O módulo 4-4-2 com CR7/Nani dentro da área adversária, é uma opção funcional.

Até o Mundial 2014, o técnico Paulo Bento (atual Cruzeiro/Brasil) priorizava um 4-2-3-1 que simplesmente não funcionava, pelo fato de Portugal não dispôr de um bom atacante de área. CR7 e Nani acabavam “engessados” pelos lados à esquerda e à direita, da linha dos 3 meias deste módulo.

Superestimado desde quando ainda era reserva de CR7 no Manchester United/Inglaterra, Nani (hoje com 29 anos) fez sua primeira temporada no Fenerbahçe/Turquia, na recém encerrada temporada europeia 2015/2016. Foi sem sombra de dúvida, a jornada mais regular de toda a carreira do meia-atacante lusitano.

Na parte defensiva, o treinador lusitano priorizou a titularidade do veterano (e seguro) Ricardo Carvalho (38 anos Monaco/França, ex-Chelsea/Inglaterra), compondo dupla de zaga com o luso-brasileiro Pepe (Real Madrid/Espanha). Os dois zagueiros de área parecem fisicamente bem, formando um miolo de zaga acima da média.

Em contraparte, a ousadia de utilizar um volante (Vieirinha) como lateral direito cobrou seu preço no gol de empate islandês, anotado aos 50 min. Em lance parecido com a do gol português, os islandeses tramaram jogada pela sua ponta direita, cruzando para a área. Bjarnasson pelo lado esquerdo (direito da defesa lusitana), entrou livre para finalizar.

Vieirinha avançou desmedidamente e nenhum companheiro se atentou em cobri-lo. O intento de Portugal era fazer mais gols para liquidar a partida, o que não foi possível. O time de Fernando Santos finalizou 27 vezes em gol, contra apenas 4 chutes a gol dos islandeses.

Não é exagero afirmar que os lusitanos possuem um time dotado de defesa mais equilibrada que Alemanha e França. Ostenta ainda de uma dupla de ataque world class que a Itália, dona de uma sólida defesa, não possui.

Islândia

A equipe islandesa treinada pela dupla de técnicos Lars Largerbäck e Heimir Hallgrímsson, se assemelha muito à seleção da Suécia treinada por Largerbäck, na década passada. O time se impõe num 4-2-3-1 padrão, mas que contra Portugal se desenhou de forma conservadora, praticamente num 4-5-1.

Seu jogo defensivo foi acentuado devido à forte presença física dos islandeses, o que criou muitos problemas para atletas adversários leves como André Gomes, João Mourinho e Nani. O cérebro do time islandês é o versátil Gylfi Sigurdsson, principal jogador do Swansea City, e ex-Tottenham Hotspur/Inglaterra.

Sigurdsson cumpre uma função similar à do ex-meia sueco Fredrik Ljungberg, ídolo do Arsenal/Inglaterra e cérebro da Suécia de Largerbäck, na década passada. É preciso ressaltar ainda as defesas realizadas pelo goleiro Hannes Halldórsson, responsável por impossibilitar muitos dos 26 chutes a gol portugueses, que não acabaram dentro do gol islandês.

A Islândia cumprirá o papel de coadjuvante de forma digna.

Imagem de Cristiano Ronaldo (a esquerda) marcado pelo islandês Bjarnason: Getty