Nesta quinta-feira o inglês Chelsea anunciou oficialmente a demissão do treinador lusitano José Mourinho. A decisão de Roman Abramovich já era especulada há semanas pela imprensa europeia, em virtude do início de temporada absurdamente inimaginável, designado pelo clube blue.

A última segunda-feira começou com a confirmação do re-encontro entre Paris Saint-Germain e Chelsea, em fevereiro pelas oitavas de final da Champions League. O sorteio da UEFA re-emparelhou os clubes mais uma vez nesta fase do torneio, tal qual na temporada passada.

Naquela ocasião, os blues sucumbiram à auto-suficiência de Mourinho e acabaram inesperadamente eliminados pelos parisienses. Na noite de segunda, o Chelsea entrou em campo, pelo complemento da décima-sexta rodada da Premier League. Os blues visitaram a sensação Leicester City no King Power Stadium, e acabaram derrotados por 2×1. Ironicamente coube a Claudio Ranieri, veterano treinador atualmente comandando o Leicester, o papel de carrasco de Mourinho.

Ranieri foi o primeiro treinador com quem Abramovich lidou, quando adquiriu o Chelsea em 2003. O italiano foi demitido no início da temporada 2004/2005, em razão da impaciência de Abramovich, que optou por trazer exatamente José Mourinho, então campeão da CL pelo FC Porto.

Voltando ao presente, Mourinho disparou publicamente contra integrantes do seu próprio plantel após a derrota contra o Leicester, afirmando estar sendo “traído”. Que o adversário parecia prever situações de jogo planejadas por ele Mou, informações que supostamente estariam sendo repassadas por algum “traidor”.

Nada muito diferente daquilo que “the special one” declarou na turbulenta reta final de sua passagem pelo Real Madrid, em 2013. A derrota para o Leicester foi a nona em 16 partidas da atual edição da Premier League. O time é o décimo-quinto colocado da tabela, uma colocação acima da zona de rebaixamento.

Multa rescisória deixada de lado.

Segundo o periódico espanhol El País, Mourinho abriu mão da multa rescisória altíssima (cerca de 50 milhões de Euros), motivo que inicialmente emperrava uma demissão imediata. O valor foi estabelecido meses atrás quando Abramovich decidiu pela renovação do vínculo do treinador até 2019. Mourinho apenas receberá o valor salarial referente à atual temporada (cerca de 16,5 milhões de Euros).

O que com certeza preocupava Roman Abramovich, era uma potencial desvalorização de peças importantes do elenco blue, uma vez que Mou disparou verbalmente contra integrantes de seu próprio grupo. Desde que retornou ao Stamford Bridge, o lusitano se desfez de Kevin De Bruyne que foi para o Wolfsburg e chegou a peso de ouro ao Manchester City, no início da atual temporada.

De Bruyne criticou Mourinho em específico quando chegou ao futebol alemão, dizendo que as afirmações do lusitano que diziam que ele De Bruyne, não se dedicava aos treinos, era mentirosa. Recentemente Mou contratou Juan Cuadrado e repassou-o à Juventus, em menos de seis meses.

A atual joia da corôa blue Eden Hazard, tem sido um dos nomes mais criticados do elenco, dando indícios de um relacionamento ruim com o trenador. Nesta semana, a Four Four Two inglesa, inclusive publicou uma matéria sobre a má temporada do meia belga.

Daqui em diante.

O El País ainda aponta que um possível substituto de Mou é o espanhol Juande Ramos, ex-treinador dos espanhóis Rayo Vallecano, Sevilla e Real Madrid. Ramos trabalhou em Londres (Inglaterra), entre 2007 e 2008 comandando o tradicional Tottenham Hotspur.

Caberá ao sucessor num primeiro plano e de forma urgente, fazer o atual campeão Chelsea ascender da décima-quinta colocação da Premier League, a pelo menos um quarto lugar que dá à disputa da próxima pré-Champions League. Num segundo plano e de forma um pouco mais tranquila, conduzir a equipe a um bom papel no mata-mata da CL, uma vez que disporá de um elenco avaliado em cerca de 300 milhões de Euros.

O ponto curioso da atual situação do Chelsea, é o contexto similaríssimo àquele das duas temporadas em que os blues chegaram à final da Champions League. Na temporada 2007/2008, Abramovich abreviou a primeira passagem de Mou por Stamford Bridge, ainda no início da fase de grupos da CL.

Os blues chegaram à final do torneio sob comando do interino (e semi-anônimo) Avram Grant. Na temporada 2011/2012, os blues trilhavam uma campanha ruim e uma classificação para o mata-mata da CL obtida no sufoco, e na última rodada da fase de grupos.

O treinador português André Villas Boas durou praticamente um semestre no comando técnico do time, sofrendo segundo muitos a indiferença de alguns líderes do elenco. Villas Boas foi substituído pelo antigo ídolo Roberto Di Matteo, o Chelsea chegou à final da CL e venceu o FC Bayern na final.

Imagem de Mourinho: Tony O’Brien – Reuters