Após o amistoso “morno” protagonizado pela seleção do Brasil contra o México no último domingo, algumas dúvidas e interpretações pairaram na mente dos mais atentos. O time mexicano derrotado pelo Brasil por 2×0 na Arena Palmeiras (São Paulo/SP), parecia uma versão pálida do encardido México, que segurou empate sem gols contra o próprio Brasil, na primeira fase do Mundial 2014.

México aquele eliminado de forma dolorosa pela Holanda, nas oitavas de final da última copa com os “chicanos” perdendo de virada por 2×1, sob sol escaldante de Fortaleza (CE). Similar ao time do Mundial, o México que vai à Copa América tinha seu desenho tático em 3-5-2, liderado pelo veteraníssimo Rafael Márquez. Além do treinador Miguel Herrera.

O futebol mexicano nunca obteve conquistas expressivas em nível mundial, mas é sim o futebol mais desenvolvido da Concacaf, confederação que representa as Américas do Norte, Central e Caribe. A seleção do México é muito mais tradicional que os times de EUA ou Canadá, países economicamente mais desenvolvidos, representados pela Concacaf.

A presença do México na Copa América, torneio sul-americano por excelência, sempre foi “de favor”, tal qual a inserção dos times mexicanos na Taça Libertadores da América, maior competição de clubes da América do Sul. No caso dos times mexicanos que jogam a Libertadores, ele não tem o direito de obter a vaga que conduz ao Mundial de Clubes FIFA.

O melhor colocado sul-americano vai ao Mundial de Clubes em caso de campeão mexicano da Libertadores, algo que nunca houve. A bizarrice geopolítica futebolistica se dá pelos interesses da Conmebol em desde sempre querer ter algo a mais, visando o aspecto financeiro. Ou seja, um pretexto para poder negociar a transmissão da Copa América e Libertadores, para a América do Norte e Central. O México tem um mercado muito mais lucrativo do que os maiores países sul-americanos.

As relações com as recentes prisões de dirigentes da FIFA ligados a Conmebol e Concacaf, incluindo irregularidades em vendas de direitos de transmissão de torneios, nós deixamos por sua conta, inteligente leitor!

O ressurgimento de Rafa Márquez e o México B.

A imprensa espanhola deu destaque ao México enquanto participante da Copa América, única e exclusivamente devido a presença do capitão e citado veterano Rafa Márquez. O defensor de 36 anos é ídolo do Barcelona, clube que defendeu na década passada. Márquez formava miolo de zaga titular com Carles Puyol, no Barcelona campeão da Champions League 2005/2006.

O bom desempenho na última copa, ressuscitou a carreira de Márquez, que já estava em ritmo de aposentadoria atuando de regresso ao próprio futebol mexicano. O defensor voltou a Europa nesta última temporada, para atuar na Itália berço dos grandes zagueiros. Rafa Márquez atuou pelo modesto Hellas Verona (no Brasil, simplesmente Verona) que disputou a última Série A italiana.

Títular no último domingo contra o Brasil, Márquez é o único dos considerados atletas principais do México, inscritos na Copa América. Priorizando a disputa da Copa Ouro que reúne as seleções da Concacaf em julho, o treinador Miguel Herrera poupou as estrelas mexicanas. Herrera não convocou “Chicharito” Hernandéz (do Real Madrid), nem os irmãos Dos Santos (de ascendência brasileira), nem Carlos Vela e nem Hector Herrera.

Entre os nomes ofensivos mexicanos mais expressivos do time que disputará a Copa América, que se inicia na próxima quinta-feira, estão Raul Jimenez, do Atlético de Madrid e Tecatito Corona, do holandês Twente. Ambos foram titulares contra o Brasil, no último domingo.

Imagem do grupo mexicano posando para a imprensa em treinamento: Andre Penner – AP.