Para o Real Madrid, mais importante do que manter-se na cola do líder de La Liga Barcelona, era ter de volta seus meias James Rodriguez e Luka Modrić, algo que aconteceu nos últimos 15 dias. Sem ambos, enfrentar o Atlético de Madrid, no derby que acontece terça-feira pelas quartas de final da Champions League, seria uma tarefa quase inglória.

Embora tenha vencido os colchoneros na final da última edição da CL, os merengues enfrentaram os rivais rojiblancos seis vezes na atual temporada. Não conseguiram vencer o Atlético em nenhuma partida. O periódico espanhol El País ainda enfatizou que a equipe de Carlo Ancelotti fez apenas quatro gols, sofrendo onze nestes últimos seis confrontos. No último em fevereiro pelo returno de La Liga, o Real Madrid foi goleado por 4×0.

Carletto lançou expediente do desenho tático em 4-3-3 na atual temporada. Algo que agradou a todos os adeptos do madridismo, pois privilegia o “dna ofensivo” que o Real Madrid historicamente tem que ostentar. O time se manteve invicto por 22 partidas desde o início da temporada 2014/2015 por volta de agosto do ano passado, à janeiro de 2015.

As lesões de Modrić no fim de 2014 e James há dois meses atrás puseram tudo a perder, incluindo-se a liderança de La Liga. As críticas geradas pela própria imprensa espanhola eram irritantes, subentendendo uma obrigação de Carletto em mudar o esquema para o 4-4-2. E ainda implicando no intento de manipular a torcida blanca para que esta vaiasse o meia-atacante Gareth Bale suposto culpado pelos revézes.

Com a dupla James/Modrić junta a Kroos no trio de meio-campistas do 4-3-3, o Real Madrid jogou as últimas três partidas de La Liga em oito dias, vencendo todas e marcando 14 gols. A imprensa espanhola no entanto, segue receosa apontando para uma vulnerabilidade do sistema adotado por Ancelotti.

Sagacidade colchonera.

O El País chamou a atenção para a dificuldade que “el Madrid” teve contra o “Atléti” na última final da CL. Os colchoneros tiveram problemas devido às ausências de Diego Costa e Arda Turan, desfalques naquela ocasião. O Real Madrid que empatou a partida em 1×1 aos 43 do segundo tempo vencendo-a na prorrogação, também sofreu sem Xabi Alonso (atual FC Bayern), suspenso na decisão.

Alonso era o principal volante/interditor, peça que os blancos não repuseram. O periódico espanhol ressalta que o Atlético mudou sua forma de jogar na atual temporada. O El País descreve o desenho tático colchonero em 4-4-2, algo que este que vos escreve discorda um pouco. Em muitos momentos o Atlético pode se desenhar em 4-2-3-1, “povoando” ainda mais o setor de meio-campo, ao deixar apenas um atacante como referência.

Segundo o El País, o técnico Diego Simeone cumpre a risca algo que o próprio Carletto afirma, que o diferencial está na forma como se ocupam os espaços no terço central do campo. O Atlético o faz de maneira mais eficiente, com três meio-campistas (de quatro disponíveis: Koke, Tiago, Mario Suárez e Gabi), onde um deles (geralmente Koke) se posiciona por um dos lados externos.

Um homem de meio-campo fica centralizado (Saúl) além de um meia-ofensivo que volta para compor o meio-campo quando se perde a bola (Arda Turan ou Raúl Garcia). A formação em questão exige muito da disposição física dos atletas clamando também que um dos atacantes (Griezmann), retorne para compor o meio. O desenho 4-2-3-1 teria Tiago e Gabi como os “2” primeiros meio-campistas e um trio que por exemplo, pode ter Turan (ou Raúl Garcia), Saul e Griezmann na linha dos “3” meias-ofensivos.

Com a posse de bola o Real Madrid com James, Kroos e Modrić se vê numericamente inferior a citada disposição do Atlético que pode ter até cinco homens no meio. A estratégia de Simeone é deixar o adversário ostentando a posse de bola, mas sem espaços, lembrando que até Mandzukić retorna da posição de “homem referencia”. Os três meias blancos citados e incluindo-se Isco, não possuem características de desarmar ou roubar a bola.

Mesmo que Cristiano Ronaldo e Bale, os atacantes que atuam pelos lados do tridente ofensivo retornem para ajudar o meio-campo merengue, não estão em suas características roubar a bola. Ocupar os espaços com sapiência e muita disposição física é a virtude do Atlético, que também aponta para a carência de volantes marcadores no elenco blanco.

É o preço da forma de jogar só com centrocampistas desenvolvida por Carletto, e que no Brasil tem sido descrita como “jogar sem volantes”.