Com a data FIFA de amistosos e jogos eliminatórios acontecendo, só o Campeonato Brasileiro não parou no último fim de semana. “Estranhamente”, diversos times que cederam atletas para as seleções acabaram perdendo suas partidas, entre eles o líder do torneio nacional, o Cruzeiro.

Curiosamente, o rival da raposa, o Atlético/MG cedeu Diego Tardelli, autor dos gols da vitória do Brasil por 2×0 sobre a Argentina no último sábado; mas conseguiu vencer o São Paulo (1×0), no domingo.

O jornalista Paulo Massini da rádio CBN crava o Cruzeiro campeão desde a sexta ou sétima rodada do torneio. A afirmação sempre vem em tom de bom humor, mas pautada por alguns miligramas de veracidade. Na última edição do programa 4 em campo, na última segunda, Massini afirmou acertadamente que o Cruzeiro leva, exatamente porque “não há outro Cruzeiro”, no torneio. Em outras palavras não há outro time tão regular quanto.

O alarde acerca de uma perca de favoritismo cruzeirense se dá em nome de duas derrotas em duas rodadas seguidas. No domingo a raposa foi surpreendentemente vencida pelo Flamengo (3×0). O vice líder Inter/RS está a 6 pontos do Cruzeiro (56 pontos). O colorado porém alternou nas últimas duas rodadas uma derrota por 5×0 sofrida contra a Chapecoense, e uma vitoria no sufoco contra o Fluminense (2×1), no último domingo.

Paralelamente, São Paulo e Corinthians, inicialmente “mais favoritos” do que o Inter, também não conseguem ser regulares, tendo similar investimento/elenco/apoio de torcida.

Os “curiosos” casos de São Paulo e Corinthians.

No caso do São Paulo (terceiro colocado) a derrota para o galo mineiro foi um fato isolado, somando atletas indisponíveis por lesão e os cedidos para seleções (Kaká/Souza/Pereira). No entanto, o problema do tricolor (quando completo) é a falta de consistência defensiva, algo atípico em se tratando de times montados por Muricy Ramalho.

Um lateral direito muito jovem (Auro) e a falta de um volante fixo a frente da defesa, seriam os pontos críticos do sistema defensivo do time. Por exemplo, Ralf (do Corinthians) poderia ser um reforço pontual para o elenco tricolor. A inconstância defensiva é o que ocasiona a falta de regularidade do time. A “baciada” de atacantes de renome não é o suficiente para fazer um time vencedor.

Na contramão, o Corinthians (sexto colocado) mostra uma disposição inversa. Em termos defensivos o time tem padrão tático confiável, podendo propôr um jogo de “espera” e saída em contra-ataques. Porém, enfrentando times tecnicamente mais inferiores, o time sofre com uma escassez de criatividade no setor ofensivo. Luciano, Romero e Malcom ainda não são realidades futebolisticas e talvez nem venham a ser.

Num vislumbre generoso, Robinho ou D’Alessandro (longe de serem jogadores world class), seriam atletas funcionais no ataque alvinegro corintiano. Paolo Guerrero, que não conseguia ser titular do FC Bayern, no período bávaro de vacas magras na metade da década passada; requer um segundo atacante movimentando-se ao seu redor.

Por ter atuado na Europa, Guerrero realiza uma movimentação eficiente atuando sem a bola. Noutro vislumbre menos faraônico mas ainda generoso, Allan Kardec (do São Paulo), seria um atleta interessante no desenho tático corintiano, aberto pela direita e dando possibilidade de Jadson ser reabilitado. O time poderia se desenhar num 4-3-1-2, com Jadson sendo o homem de ligação, o “1” do desenho tático, centralizado. Kardec aberto pela direita atuaria a frente com Guerrero como referência.

Durante a semana passada, o jornalista Mario Marra, também em transmissão da rádio CBN, afirmou que a disposição motivacional pode estar influenciando os times ditos “maiores”. Num clássico os componentes das equipes atuam de forma diferente, com mais entrega. Contra um adversário menos expressivo, o nível de concentração parece ser menor, o que ocasiona os erros, falhas e as derrotas.