Com o rumor acerca de um interesse do Barcelona no técnico alemão Jürgen Klopp, este que vos escreve se recordou de um post, do editor deste blog, entre o fim da última temporada e início da atual (clique aqui). O editor cotou Klopp enquanto nome cabível ao Barcelona, tal qual Arsene Wenger. Mas tratava-se na ocasião de um devaneio muito realista, de um humilde jornalista comentando o Barcelona num blog informal. O clube catalão acabou acertando com o argentino Gerardo Martino.

Neste momento, estamos há mais ou menos, um mês do fim da temporada na Europa e o Barcelona mantém um índice mínimo de uma pouco provável conquista da liga espanhola. Só. Os blaugrenas foram derrotados a poucos dias pelo rival Real Madrid, na final da Copa Del Rey. E foram eliminados a pouco mais de uma semana da Champions League, pelo Atlético de Madrid.

O Barça atual se assemelha ao Real Madrid, por volta de 2005, 2006, ao apagar das luzes da primeira era galáctica de Florentino Pérez. Aquele período do Bernabéu dos “Zidanes e Pavones”. Sem volantes, sem bons zagueiros e contratando jogadores de valor vultuoso para agradar a torcida. Trocando Makelelés por Beckhams, ou no caso do Barça, Yayás Tourés por Neymares…

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(Foto: AFP)

Martino não é o mal. Aliás, poderia ter o desempenho de um Simeone ou de um Manuel Pellegrini, ou de um Bielsa, caso tivesse se iniciado na Europa num time médio de qualquer grande liga. Devido ao contexto em que foi “enfiado” no futebol europeu, Martino se assemelha a Vanderlei Luxemburgo, no Real Madrid, no citado período entre 2005, 2006. A diferença é que Luxa não teria ido longe em nenhum clube europeu.

Volantes e zagueiros.

É no mínimo bizarra a preparação do Barcelona para a atual temporada no quesito composição do plantel de atletas de defesa. A eliminação da CL e a derrota da Copa Del Rey retrataram um Barça desprovido de peças defensivas. Valdés nunca foi um gênio do gol, mas vinha fazendo boa temporada até se lesionar.

É um goleiro tricampeão da CL e uma liderança dentro do time, tal qual Puyol, o capitão que vai se aposentar. Valdés e Puyol estão em fim de ciclo mas não tiveram substitutos preparados. Piqué é o único zagueiro confiável do elenco, mas só há ele no plantel, desde a temporada passada. Não era cabível adquirir um volante e um zagueiro com metade do que se pagou por Neymar?

Convém lembrar que Javier Mascherano nunca foi zagueiro, a não ser num improviso oportuno da era Guardiola, no próprio Barça. Mascherano foi volante por duas copas do mundo e ainda é convocado para a posição na seleção argentina. Caso Puyol ou Piqué estivessem indisponíveis, deslocar Mascherano para zaga era uma forma de aproveitar melhor as peças de ataque a disposição.

Em 2008/2009 o Barça dispunha de Henry, Eto’o, em 2010/2011 de David Villa, isso além de Pedro, Thiago Alcântara e da santíssima trindade Messi/Iniesta/Xavi. Aliás, a ida de Alcântara para o Bayern, não valia em troca um Luiz Gustavo, que foi liberado para o Wolfsburg? O Barcelona não precisa de talentos, precisa de marcadores e jogadores que fazem o trabalho duro.

Nos últimos títulos da CL o Barcelona contou com marcadores vigorosos no meio de campo, Van Bommel/Thiago Motta em 2005/2006. Yayá Touré, YAYÁ TOURÉ, em 2008/2009, aquele mesmo que fez grande temporada pelo Manchester City. Além de Seiydou Keitá no título de 2010/2011.

O Barça não repôs os volantes que negociou. As canteras não revelam craques todos os dias, mas o clube catalão tinha caixa para adquirir peças de reposição aceitáveis, além de um técnico com experiência na Europa. Não era hora de apostar num treinador.

Na última quarta-feira, Gareth Bale mostrou que na disputa pelo jogador mais caro com Neymar, o Real Madrid já comprou um título na temporada. Na disparada de 40, 50 metros (ou mais) do segundo gol da vitória por 2×1, Bale deixou pra trás um Bartra lesionado. E após a partida, deixou para trás Neymar, que foi diagnosticado com uma lesão que o tira de campo por um mês, pela segunda vez no semestre. Na reta final da temporada, o Barcelona não terá sistema defensivo nem Neymar.

Bale valeu o que custou para Florentino Pérez? Quando um cucaracho perdido no terceiro mundo, cuja ocupação é lecionar filosofia como este que vos escreve, percebe equívocos num grande clube como o Barcelona; é porque algo realmente vai mal…