Antes de mais nada, este que vos escreve deixa bem claro que, assina embaixo de tudo que o editor deste blog afirmou na postagem anterior a esta. Sigo tomando o Milan, enquanto um “rebuilding Milan” termo já utilizado em posts anteriores. Ou seja, por mais otimista que sejam as palavras, sabemos que o clube rossonero atravessa seu período Vidas Secas, no sentido mais Graciliano Ramos da palavra. A partida contra o Sassuolo do último fim de semana foi uma versão pobre da tragédia de Istambul, na final da Champions League 2004/2005, perdida pelo Milan contra o Liverpool.

No entanto, nenhuma falha defensiva da agora ex-equipe de Massimiliano Allegri, foi exatamente surpresa. O sistema defensivo rossonero vem assim desde o início da temporada, no qual, uma eventual ausência de Nigel De Jong a sua frente, torna a “avenida” ainda mais ampla, uma “autobahn” propriamente dita. Pior, jogar sem Emanuelson na lateral esquerda é uma heresia, pois ainda que o mesmo seja um lateral holandês meia boca, seu senso defensivo é superior do que aquilo que se tem a disposição além dele.

Contra o Sassuolo, na última noite de domingo sob neblina, na parte ofensiva, o Milan não foi tão mal. No abafa do fim do segundo tempo, o time funcionou melhor com as entradas de Keisuke Honda pela direita e Pazzini como referência na área. O japonês acertou uma bola na trave e Pazzini junto com Balotelli, desperdiçou uma oportunidade cabeçando uma bola no travessão. O volume ofensivo melhorou sem Robinho em campo, é preciso ressaltar. Vale lembrar que Pazzini voltou a campo no fim de 2013, no derby perdido para a Inter, após um grande período lesionado.

A “moira” (destino no grego) foi a performance assombrosa de Berardi, anotando quatro gols, algo que não vai acontecer tão rápido novamente. Foi como tomar 3 gols do Liverpool em 15 minutos, no segundo tempo da final da CL 2004/2005. O cataclisma em Modena teve consequências no Brasil. O Botafogo ficou sem seu principal atleta para a disputa da pré-Libertadores, Clarence Seedorf, que agora será o técnico rossonero. Numa eventual sequencia ruim de 2 empates e uma derrota por exemplo, terá-se também o sepultamento de um ídolo do passado recente rossonero.

O vislumbre mais otimista de todos é que haja um efeito “Di Matteo no Chelsea” com a chegada de Seedorf a Milanello, ao menos para a disputa do mata-mata da Champions League. É preciso lembrar que o Chelsea em 2012 venceu a final da CL sem aquilo que tinha de melhor a sua disposição, com Di Matteo assumindo interinamente na virada do turno. Emanuelson, Muntari e De Jong não são piores que Bertrand, Malouda e Raul Meirelles. No papel o Milan pode se dispor em 4-2-3-1 onde o trio Honda/Kaká/Balotelli poderiam compor a linha de três meias, uma vez que o atacante ítalo ganês tem atuado pelos lados do campo nas últimas partidas. Pazzini precisa ser o homem-referência.

Por outro lado o vislumbre otimista se choca com a realidade. É muito provável que Seedorf bata de frente com Balotelli, caso a declaração do holandês sobre o comportamento do atacante, tenha sido realmente dita. A impensa veiculou a info de que Seedorf teria dito que não haveria espaço para o ítalo-ganês caso ele treinasse o Milan. Isso no período de recesso entre fim de dezembro e início de janeiro. A janela de transferências está aberta e Mino Raiola empresário de Balotelli, o mesmo de Ibrahimović e Cavani, pode vende-lo facilmente. Outro ponto é que Honda não atuará pela CL, por já ter sido inscrito pelo CSKA Moskow.

Como finalizou o editor deste blog em seu último post, o “cenário cinza pode ficar negro sem necessitar que nenhum desastre ocorra”.