O melhor do Brasileiro é o símbolo da mediocridade

Rapidamente: não há como negar que o time que mais merece ser campeão brasileiro é o Corinthians. Lidera há mais tempo e ninguém consegue ultrapassa-lo. Mais do que uma prova de força, a liderança do Corinthians é uma prova de como esse Brasileiro é, de longe, o pior torneio de todos os tempos. Não há, no elenco corintiano nenhum jogador excepcional; há apenas um com condição técnica de atuar num time com o potencial econômico do clube (não falo em “tradição” porque o termo é o refúgio dos torcedores de potências regionais para tentarem sustentar o mito pífio dos “12 grandes”), que é Liedson. Esse Corinthians deve ser campeão (embora, de fato, meia dúzia de times podem) porque é somente medíocre, enquanto os concorrentes são medíocres e meio. No momento em que os clubes melhoraram sua condição econômica após terem vendido a dignidade à Rede Globo, fizeram equipes patéticas. São coisas típicas nossas, que tínhamos esquecido, mas estamos resgatando, como a corrupção endêmica.

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13 Comments

  1. Cassiano Gobbet

    Marco, hoje há uma mistura de confusão com o ofício do jornalista (que não sabe mais se deve fazer jornalismo ou trabalhar para faturar) com desespero das empresas de jornalismo (que estão literalmente desesperadas com a guinada nos rumos do negócio). Acompanhar futebol na TV brasileira hoje é o melhor programa humorístico para quem ter estômago para tanto. abs

  2. Cassiano perfeita a sua observação, e creio eu, que parte dessa responsabilidade é da imprensa(extremamente ufanista colocando o futebol brasileiro e seu campeonato como o melhor do mundo, e de que brotam craques a todo o momento, e só no Brasil ainda né kkk…) já foi, hoje não é mais. Reparem nos programas(Jogo Aberto, SP Acontece, Rede Tv Esportes e outras porcarias), que pregam isso como se fosse a realidade Como você bem disse: “Os jornalistas esportivos se esqueceram da natureza de sua função, que é avaliar o jogo e preferem trabalhar numa espécie de “infotainment”.
    Esse jornalistas que você citou só sabem falar de futebol nacional( e errado ainda propagando o mesmo, pelos motivos já citados acima) salva raras exceções (os da Esporte Interativo e os da ESPN) esses últimos sim entendem de futebol nacional e internacional e apontam falhas e melhorias para o futebol brasileiro, sem essa coisa de “ufansita de patriotagem”.

  3. Anônimo

    Eu acho que o campeonato brasileiro deve ser visto de forma diferente de qualquer campeonato europeu.

    Na Itália, de 1971 até agora, Milan, Juve e Inter, juntos, ganharam cerca de 80% dos campeonatos disputados. Não existe estatística semelhante aqui no Brasil.

    Na Inglaterra, usando o mesmo critério, Manchester United, Arsenal e Liverpool têm pouco mais de 70%.

    Na Espanha, dois times (nem preciso dizer quais são…) ganharam 75% dos campeonatos disputados.

    O campeonato disputado por pontos corridos tem esse lado ruim. Ele acaba desequilibrando o campeonato em longo prazo porque as receitas não são repartidas igualmente entre os times.

    Como eu disse, não existe estatística semelhante no Brasil. O numero máximo de títulos ganhos por apenas três times nos últimos 40 anos é 16, exatamente 40% dos títulos disputados. Essa combinação é feita juntando os títulos dos hexacampeões São Paulo e Flamengo e de um tetracampeão (Vasco, Palmeiras ou Corinthians).

    Tente enfiar na cabeça de qualquer torcedor do Grêmio, Fluminense ou Atlético-MG que o time deles não é grande.

    O campeonato brasileiro sempre foi equilibrado no sentido de que o grupo de candidatos ao titulo muda de tempos em tempos. Claro que você pode discutir o motivo desse revezamento (campeonatos com regras caóticas, clubes administrados de forma ainda mais caótica, a influência dos estaduais, enfim…), mas isso é outra questão.

    Obs: Eu observei de 1971 eu diante porque é o ano em que o campeonato começou de fato. O que não significa que eu considere a Taça Brasil e o Robertão torneios sem importância. São tão importantes para mim que eu acho que eles devem ser tratados separadamente.

  4. Cassiano Gobbet

    Claro, Michel. Respeito sua opinião, mas não concordo. Em termos objetivos, temos quatro praças realmente poderosas no Brasil – não muito diferente de Inglaterra ou Itália, por exemplo. Se os times que trabalham melhor não se firmam como deveriam, é porque o sistema é instável. Claro que podemos também lembrar que o brasileiro gosta dessa instabilidade – o erro de achar que campeonato bom é o campeonato equilibrado. Mas essa é outra discussão. abraço.

  5. Michel Carlos Magno Costa

    Caro,
    Não faço parte daqueles que acreditam em doze grandes no Brasil ou coisas do tipo. Sei que isso faz parte de um folclore alimentado pelos Estaduais.
    No entanto, não podemos perder de vista as especificidades de nosso país continental, nem as receitas relativamente próximas dos principais clubes e muito menos a incapacidade de nossos dirigentes de administrarem projetos esportivos que tenham o mínimo de planejamento. Por isso, sigo acreditando que não haverá tão cedo um predomínio de um time ou de uma pequena elite dominando o campeonato. E isso, sinceramente, é um ponto positivo de nossa liga.
    Abraço.

  6. Cassiano Gobbet

    Se você acredita que temos um campeonato com oito, nove, candidatos a título, ok, respeito. A única colocação que eu faço – e me parece, é factual, mais do que opinião, é que esse tipo de equilíbrio é muito mais comum em torneios de várzea do que em grandes ligas.O Brasileiro se acostumou a ver 8,10 times disputando títulos por causa de regulamentos esdrúxulos, mas creditava tal igualdade à “qualidade”. Hoje, o campeonato está equilibrado, ao meu ver, porque os clubes que vinham se mantendo à frente em termos de gerência nos últimos anos – Cruzeiro, São Paulo, Grêmio, Internacional – caíram na vala comum. Torneios de qualidade têm 4-5 postulantes (5, raramente, na verdade). Imaginar que aqui a coisa é diferente porque temos mais qualidade é ingenuidade de torcedor ou demagogia mediática. abs

  7. Michel Carlos Magno Costa

    Cassiano,
    Não vejo “parentesco” em tais opiniões. Afinal, os dois últimos exemplos são falácias absolutas, a questão do equilíbrio é um fato. Como escrevi acima, não temos times capazes de atuar em alto nível, mas se formos procurar na Europa inteira provavelmente não encontraremos 15 equipes desse patamar. Isso acontece porque tanto o dinheiro quanto os melhores jogadores estão cada vez mais concentrados numa quantidade cada vez menor de clubes. Deste modo, vejo os clubes brasileiros com nível próximo ao de times como Sevilla, Benfica, Porto, CSKA, Zenit, Everton, PSV, Ajax e outros. Mal comparando, o Brasileirão funciona como a reunião de times desse porte. Claro, está longe de ser o campeonato que tivemos nos anos 70/80, mas, para mim, está longe de ser ruim. Abraço.

  8. Cassiano Gobbet

    Todos os caras que você citou estão aqui porque perderam a condição fisica de jogar. Nenhum deles teria retornado se ainda tivesse espaço no futebol que conta. A diferença é que agora eles conseguem voltar com salários altos, graças a agentes espertalhões e cartolas corruptos e subservientes à federação e afins. Tecnicamente, o campeonato de hoje é muito pior do que cinco anos atrás. O brasileiro não gosta de bom futebol – gosta de ver seu time ganhar. Como torcedores de sete-oito clubes têm a ilusão de que seus times ão maiores que o Real Madrid e Barça, o campeonato só faz sentido se eles estiverem na disputa, como é o caso hoje.

  9. Cassiano Gobbet

    Michel, acredito que essa seja a diferença entre nossas opiniões. Você tende a apreciar um campeonato equilibrado como sendo bom e eu acredito que um campeonato tende a se equilibrar na mediocridade. O desequilíbrio não-natural de outras ligas é um outro problema, que eu não nego, mas o equilíbrio no Brasil é primo da falácia de que “podemos fazer três Seleções” e sobrinho do mito de que “a cada ano aparecem dez, vinte grandes jogadores”. Os times brasileiros hoje têm elencos ruins, onde dois ou três jogadores consomem salários surreais (Ronaldinho Gaúcho, Fred, Valdivia in primis) e só estão aqui porque na Europa ninguém se dispõe a remunera-los assim. Os jornalistas esportivos se esqueceram da natureza de sua função, que é avaliar o jogo e preferem trabalhar numa espécie de “infotainment”, elogiando a força do Corinthians ou a técnica do Flamengo, dois times absolutamente medíocres, completamente aquém do que os clubes mereceriam. Os campeonatos de várzea são muito mais próximo do equilíbrio que você aprecia do que as grandes ligas do mundo em seus melhores momentos. Hoje, o Brasileiro é uma eleição do menos medíocre, uma mediocrização comandada pela CBF ao subjugar os clubes ao seu poder e ao da Globo. Se o público é ingênuo o suficiente para comprar que o campeonato é bom, essa é outra discussão. abs

  10. Diogo Silveira Terra

    Diante da derrocada econômica de ligas como a espanhola e a italiana (e, em breve, a inglesa?), temos a impressão de que o campeonato brasileiro está melhorando tecnicamente. Mas aí os gênios da cartolagem resolvem implodir o Clube dos 13 e se prostituir de vez aos interesses globais. Em breve, a concentração de recursos advindos da TV irá desequilibrar o campeonato em favor das equipes do eixo Rio-São Paulo (não tentem negar a realidade, por favor). Isso para não falar dos salários estapafúrdios de alguns jogadores e, claro, da interferência cancerosa da CBF, que esvazia bons jogos do campeonato para atender a sua sanha arrecadatória em amistosos que tem quaisquer critérios, menos os técnicos e de preparação para o futuro (Olimpíadas e Copa do Mundo).

    Quanto a jogadores, fica claro que Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Luís Fabiano e Ronaldo só voltaram a jogar por aqui porque perderam o espaço que tinham (mais do que merecido) na Europa. E porque os cartolas conseguem passar a lábia em meia-dúzia de investidores para ajudar a pagar os salários dos mesmos. Adivinha quem paga a conta a longo prazo? Um doce para quem responder.

  11. Michel Carlos Magno Costa

    Sinceramente não concordo com o post.
    É verdade que o Brasileiro não tem nenhum grande time, mas existem times de bom nível (sobretudo no topo da tabela) e que estão promovendo um dos campeonatos mais disputados do mundo. Algo que em minha opinião vale bem mais do que a corrida a dois ou a três que acontece em ligas como a espanhola ou inglesa, onde existem times fortíssimos espancando outros até inferiores aos nossos.
    Não. Não estou dizendo que o Brasileirão é melhor que esta ou aquela liga, mas que é especial pelo equilíbrio de forças e pela presença de jogadores que outrora não estariam no País. Obviamente, não faltam problemas a serem resolvidos e não há sinais de que isso possa acontecer nos próximos anos, mas ruim definitivamente não é uma palavra que define este campeonato.

  12. Diogo Silveira Terra

    por “seguidas vitórias” leia-se “desde que o Boca decaiu”

  13. Anônimo

    Apesar da precariedade técnica do campeonato, a coisa toda parece estar funcionando. Explico: os torcedores que conheço enxergam o Brasileirão como uma competição equilibrada, e não pobre. As seguidas vitórias dos brazucas na Libertadores, com ajuda dos vizinhos, que contam com campeonatos ainda piores, é parte da explicação para esse fenômeno.

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